Você conhece os Rohingyas?

Você conhece os Rohingyas?

Atualmente, minoria muçulmana é considerada o maior grupo apátrida mundial 

Esta é mais uma matéria que realmente não sei por onde começar. É sempre um desafio criar, por exemplo, um título chamativo, pegar uma imagem de destaque que chame a sua atenção, leitor, mas, calma, não é culpa sua, já que nem a mídia nacional fala sobre assuntos como esse. 

Eu não sei, para ser sincero, o porquê desse “descaso”, posso dizer assim? Mas, sigamos em frente, vamos para mais uma matéria. Hoje, iremos conversar um pouco sobre o Mianmar, um dos maiores países do Sudeste Asiático que passa por uma gigantesca crise humanitária.

História

Para entender melhor as origens deste conflito, é preciso retornar ao processo de unificação territorial que compõe o atual país, denominado antigamente como Birmânia. Região disputada pelo Reino Unido durante o século XIX.

O conflito entre a Dinastia Konbaung e as forças inglesas durou mais de 60 anos (1823 – 1885) com um desfecho marcado pela posse das terras pelas forças britânicas. Assim, inicia-se o período de colonização que dura até 1948. Nesse ínterim, devido ao fato da Índia, país adjacente, também ter sido uma colônia do Reino Unido, Mianmar recebera inúmeras levas de trabalhadores para a construção de ferrovias, entres eles também estavam praticantes do Islã. 

Em 1948, Mianmar torna-se independente e também bastante fragmentado. Com mais de 135 subdivisões étnicas e também religiosa cuja proeminência se dá pela prática da religião budista, atualmente com quase 90% de toda a população. Devido a essa fragmentação, tensões étnicas surgiram desde esse período.

Sob o pretexto de controlar todo o caos e manter a unidade nacional, no ano de 1962, o país sofre um golpe e uma ditadura é instalada que dura até 2011. Durante esse período, pode-se destacar, em 1982, a Lei de Nacionalidade que declara cidadãos somente grupos étnicos presentes no território antes de 1823, ano do primeiro conflito com os ingleses. 

Aqui começam os conflitos com a minoria Rohingya. 

Quem são os Rohingyas?

Os Rohingyas são uma minoria étnica muçulmana sunita que, segundo estudiosos, habitam a região do atual Mianmar desde o século XII. Vivem, em sua maioria, no estado de Rakhine, no noroeste do território. Por tratar-se de uma enxuta parcela de muçulmanos num país predominantemente budista, o segmento sofre perseguições desde 1948, ano de sua independência. A saber, são corriqueiramente denominados de “bengalis”, um termo depreciativo para designar o fato de que são oriundos de Bangladesh.

Essas cassações se agravaram com a Lei de Cidadania de 1982 que retirou desse povo todos os direitos civis como o de ir e vir, frequentar escolas, ter documentação e, o pior, não têm o reconhecimento de nacionalidade, tornando-se, dessa forma, apátridas. 

A potencialização dessa intolerância étnico-religiosa deu-se em 2012 com a ação de grupos radicais budistas no estado de Rakhine, zona de maior concentração dos Rohingyas e a segunda região mais pobre do país, deixando mais de 140 mortos, vilarejos e edificações destruídos e um saldo de mais de 100 mil muçulmanos desabrigados. 

Em 2017, o auge (ou talvez ainda não) das perseguições foi alcançado. Insatisfeitos com a postura conivente do governo diante da precária situação que se encontram os Rohingyas, o grupo militante Exército de Salvação Rohingya de Arakan atacou forças de segurança birmanesas, o que gerou uma contraofensiva desproporcional e covarde dos militares contra vilarejos da minoria muçulmana no país.

O resultado? Uma assustadora diáspora desse grupo para regiões vizinhas, principalmente, Bangladesh, Índia, Nepal e Malásia, além do verdadeiro genocídio e atos violentos para aqueles não conseguem fugir. 

Hoje, análises de satélites nos permitem vislumbrar os esforços irrisórios do governo para que esse grupo retorne para seu local de origem, mais de 700 mil Rohingyas deixaram o estado de Rakhine e, muitos não querem voltar até serem reconhecidos como cidadãos pelo país, já que esse reconhecimento daria a eles um processo de repatriação mais seguro.

Ainda que a comunidade internacional e a entidades comunitárias como a ONU classifiquem a atitude do governo de Mianmar como “genocida” e uma “clássica tentativa de limpeza étnica”, o país nega todas as acusações.

Um adendo sobre o comportamento do governo diante dessa situação é a prisão de dois jornalistas da agência de notícias Reuters em dezembro de 2017 quando estes faziam uma reportagem sobre o envolvimento do Estado na morte e perseguição de Rohingyas, para governo, eles infringiram a Lei de Segredos Oficiais e foram condenados a sete anos de prisão. Mas, após uma anistia internacional, os dois homens foram soltos depois de mais de 500 dias encarcerados.

Os dois repórteres receberam, em maio deste ano, o Prêmio Pulitzer de reportagem. Segundo o administrador do Pulitzer, Dana Canedy, a dupla foi incluída na elite dos vencedores “por expor com habilidade as unidades militares e os aldeões budistas responsáveis ​​pela expulsão sistemática e assassinato de muçulmanos rohingya de Mianmar. Uma cobertura corajosa que colocou os repórteres na prisão”.

Budismo Radical

É inegável que são os monges budistas os responsáveis por insuflar os militares a agirem violentamente contra as minorias, sobretudo, a muçulmana. Dessa maneira, a imagem estereotipada do budismo pacifista é reduzida a pó e se abre inúmeros questionamentos sobre intolerância religiosa e preconceito, por exemplo. 

O radicalismo budista é pouco usual no ocidente, todavia em regiões como o Sudeste Asiático, a realidade é completamente diferente. É visível a pluralidade étnico-religiosa nessa região, fator motriz de conflitos muitas vezes catastróficos, como o caso de Mianmar. Mas, assim como o Cristianismo e o Islamismo, o Budismo não poderia ser diferente, já que é um religião.

Um conhecido exemplo que posso citar é a figura do monge Shin Wirathu, que se autointitula “Bin Laden Birmanês”. Shin prega contra o islã e sintetiza a ascensão do extremismo budista na região, com discursos de ódio que pregam a “pureza racial”. Tal movimento ganha força em países como o Mianmar (de maioria budista) e o Sri Lanka, além de polarizar as demais nações.

“Eu me orgulho de ser chamado de budista radical!”

Shin Wirathu para um jornalista. 

Opinião

Não podia deixar de abraçar essa causa, a expulsão dos Rohingyas do seu país de origem (ainda que eles tenham sido levados em grande quantidade para lá durante o período colonial). O descaso da mídia nacional sobre essa evidente limpeza étnica é lastimável, da mesma forma que venezuelanos passam fome e são obrigados a deixarem o seu país de origem e que refugiados do norte da África morrem tentando se infiltrar na Europa, esse povo também precisa de ajuda.

Não estou desmerecendo nenhuma crise humanitária contemporânea, mas sim questionando o porquê dessa indiferença. Eu não me espantaria, por exemplo, se você, leitor, não soubesse dessa fuga em massa de muçulmanos de um país para o outro, aliás, como eu iria saber se não pesquisasse. Percebo, a cada dia, quão injusta é a mídia, mas quem sou eu para mobilizá-la, certo? 

Será que as potências (além da pequena sanção norte americana ao governo de Mianmar) irão se mobilizar igual fizeram com os ataques a Igrejas católicas, no começo do ano passado, no Sri Lanka? As celebridades ou atividades de redes sociais irão se mobilizar? Haverá um futura #PrayForRohingyas? Leitor, deixo essa com você.

Ademais, outra questão que me deixou surpreso foi o radicalismo, não sei vocês, mas a imagem que tenho do budismo, dos monges são de pessoas zens, calmas e pacifistas… Na verdade, os próprios doramas lakorn me passam essa impressão que, infelizmente, parece não ser totalmente verdadeira. Eu literalmente esqueci que assim como toda e qualquer religião, sempre existem segmentos radicais… Mas, a ponta de pregar uma “pureza racial”? Não sei.. senti um cheiro similar a 1945… 

Aliás, ninguém mais se recorda, né? Chega a ser assustador e, ao mesmo tempo, interessante como um fato tão recente, se pensarmos na História da humanidade, como o Nazismo está ou já entrou em ostracismo para muitos, uma característica intrínseca da minha geração. Mas, leitor, tenho convicção de que você jamais esqueceria um evento histórico desses, certo? Eu realmente espero que o buraco lá não seja mais embaixo, o que seria de nós se descobrirmos que neste exato momento existem campos de concentração na Ásia? Acho que por hoje está bom.

Chegamos ao fim de mais uma matéria sobre a Ásia, eu espero que tenham gostado e, o mais importante, entendido o que se passa no Mianmar. Um grande beijo e aquele abraço!

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