Vivendo a 120 BPM

Vivendo a 120 BPM

Hoje vamos falar sobre um filme (120 Batimentos por Minuto – BPM) francês de teor político-social acerca da atuação do grupo ativista Act Up durante a epidemia de AIDS na França durante a década de 90.

A Act Up é uma entidade que nasceu nos Estados Unidos na década de 80, período em que o vírus HIV começou a se espalhar pelo mundo. A organização surgiu com o intuito de desmitificar alguns equívocos e teorias absurdas criadas pelo senso comum, além de amparar e reivindicar os cuidados necessários às vítimas da nova enfermidade, maioria composta por homossexuais. 

Em resposta ao grupo original de Nova Iorque, em 1989, é fundada a Act Up de Paris, que apresentava as mesmas intenções sociais da primeira, a instituição, pois, serviu de referência para o combate à propagação do vírus na Europa. Além disso, o grupo auxiliou no combate ao preconceito contra soropositivos e também contra a homofobia.

O filme traz à tona alguns dos mecanismos de atuação do grupo ativista francês, numa época em que pouco se debatia sobre o tema em qualquer âmbito social, muito menos sobre a prevenção. Entre protestos, cartazes e bexigas com sangue falso, é uma obra que fala sobre amor, cuidado e resiliência. 

Em diversas cenas conseguimos sentir as dores e conflitos das personagens, passando pelas suas incertezas e medos. Somos transportados para os debates quentes das sessões noturnas na sede da Act Up, onde a cada aprovação, estalos são ouvidos – mecanismo inclusive bastante interessante e eficaz. 

Invasões a laboratórios, violência policial, não resistência e detenção na delegacia são cenas bem comuns, e tudo isso para obterem visibilidade e mobilização das mídias sobre o que estava acontecendo. A grande luta dos protagonistas era para pressionar a aceleração do processo de desenvolvimento de medicamentos retrovirais para retardar a morte de portadores do vírus. Sendo pioneiros, perderam muitos companheiros durante a luta.

Mas cada perda significava mais um motivo para continuar a reivindicação dos que vivem e também daqueles que se foram nesta batalha tão amarga e injusta, marcada pelo preconceito e pela violência. É definitivamente uma obra necessária, pois põe em pauta uma doença que surgiu há décadas, matou muitos e hoje, ainda que se tenha desenvolvido muitos medicamentos para o tratamento, o movimento parece estar perdendo força no que se refere à importância de evitar a proliferação da doença. 

Uma das questões que o filme levanta é a necessidade da educação sexual nas escolas, independente de orientação sexual ou credo religioso. O melhor método de erradicar é se prevenindo, para se prevenir é preciso conhecer. Ou seja, é elementar instruir jovens e não somente eles, mas todos a usar preservativos durante as relações sexuais.

A trama conta com um casal homoafetivo, Sean e Nathan, que também fazem parte da Act Up e um deles é vítima do vírus. As cenas são típicas de um relacionamento gay, no entanto pelo fato de um deles portar HIV, questões acerca da maneira como um aidético passa a viver e a encarar a vida e relações ao seu redor são retratados de maneira muito intensa.

A cena que mais me marcou foi durante um protesto em que Sean está no hospital e Nathan, depois de ir visitá-lo, ouve barulhos na rua e se junta ao restante do grupo. Em um determinado momento, todos estão deitados no chão com cartazes e cruzes por toda a parte, até que um deles discursa ao som de Smalltown Boy, do Bronsky Beat, é uma cena que mexe demais com a gente.

O discurso: 

“Vivemos com a AIDS como se fosse uma guerra, uma guerra invisível aos olhos dos outros enquanto nossos amigos morrem. Não queremos morrer. Em todas as guerras existem equipe. A AIDS tem as suas. Aqueles a favor de que a epidemia é uma benção, pois ela mata os viados, os drogados, as prostitutas, os presidiários na indiferença geral. Aqueles que aproveitam a oportunidade para realçar os reflexos de ódio e discriminação. É contra eles que lutamos desde 1989, estando presentes e sem descanso em todas as frentes. Juntos, podemos unir nossas forças para resistir à essa epidemia, e aos dramas pessoais e aos problemas sociais que ela provoca. Juntos, podemos construir uma comunidade capaz de se organizar e adaptar perante a doença uma atitude positiva e combativa. Em nome da Act Up Paris, afirmo que a AIDS é um desafio. Vocês podem enfrentá-lo conosco. Juntem-se a nós.”

É um filme com um desfecho triste, mas graças ao engajamento dessas pessoas, hoje podemos contar com uma ampla difusão de conhecimento e técnicas para o tratamento precoce da AIDS. Além de que, hoje se sabe que os heterossexuais são os mais afetados, o que não é uma notícia necessariamente positiva, mas de certa forma diminui o peso e estigma que sempre sondou a comunidade LGBT. 

Misturando realidade com ficção, Robin Campillo, autor do filme, afirmou ter se emocionado bastante ao escrever o roteiro do filme, reunindo memórias de quando atuava nos atos de rua do grupo com a ficção, desenvolvendo uma perspectiva sobre o momento que viveu, afastando-se da possibilidade de construir um drama histórico. 120 Batimentos por Minuto foi vencedor do Grande Prêmio do Júri Festival de Cannes de 2017.

Você pode assistir 120 BPM legendado gratuitamente no Youtube, basta clicar aqui

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