Tudo o que você ainda não sabe sobre a origem do BL (porque não sabia onde pesquisar)

Haruwo Daiteita | Mangá yaoi de Yuuka Nitta

Tudo o que você ainda não sabe sobre a origem do BL (porque não sabia onde pesquisar)

Histórias homoafetivas e homoeróticas são tão antigas quanto a própria humanidade

ILUSTRAÇÃO DA CAPA DIVULGAÇÃO | Manga Haru wo Daite Ita, de Youka Nitta

Vou começar pelo começo, meus caros amigos e amigas. E não, não é Gravitation, não é série/dorama/novel BL, não é Queer as Folk e afins. As primeiras narrativas registradas que contam e abordam relacionamento entre dois homens, seja implícito ou explícito, datam da Grécia Antiga. A mais famosa delas foi escrita por nada mais nada menos que Platão, um dos maiores filósofos da humanidade, autor de textos incríveis como “O Banquete”, no qual tece elogios (e vários pontos de vista) sobre o Amor. Ah… não sei se comentei, mas, para os gregos antigos, o amor mais verdadeiro, puro, intenso, único e precioso era o amor entre dois homens porque, na época, a mulher era somente um mero meio para reprodução, objeto de troca (servas para trabalharem na casa), entre outras funções bem humilhantes para qualquer ser humano. Para se ter noção do papel da mulher nessa sociedade, não lhe era permitido nem mesmo estar no mesmo cômodo que os homens. Pois é. Inacreditável, mas foi, por muito tempo, verdade.

“(…) na ideia de que eu devo amar-te e a nenhum outro, e que Agatão é por ti que deve ser amado, e por nenhum outro. Mas não me escapaste! Ao contrário, esse teu drama de sátiros e de silenos ficou transparente. Pois bem, caro Agatão, que nada mais haja para ele [Alcebíades], e faze que comigo ninguém te indisponha. (…)

Trecho de “O Banquete”, de Platão.

A própria História da Grécia, escrita por Homero nas obras literárias “Ilíada” e “Odisseia”, apresenta o amor homoafetivo como ponto fundamental de virada. Após a morte de seu escudeiro (e amante) Pátroclo, Aquiles é acometido por tamanha dor e ira que decide (finalmente) entrar na guerra de Troia, lutar pela Grécia como o soldado que era, e matar o rei de Troia, Heitor, colocando fim à batalha. Ou seja, é o amor entre dois homens que leva todos os personagens ao encerramento da grande Guerra de Troia, com vitória da Grécia, claro.

“(…) Minha mãe, na verdade essas coisas cumpriu para mim o Olímpio.
Mas que satisfação tenho eu nisso, se morreu o companheiro amado,
Pátroclo, a quem eu honrava acima de todos os outros,
como a mim próprio? (…)”

Trecho de “Ilíada”, Canto XVIII, 79-82

Contudo, não era somente na Grécia Antiga que esse tipo de registro surgiu. Mais ou menos no mesmo período, existem registros no Egito Antigo, Germânia e Territórios Eslavos. Não temos acesso aos textos antigos do oriente, principalmente porque estão, muitas vezes, em idioma original e, se você não lê Tailandês, coreano, japonês, etc., não vai conseguir acesso. Porém, com certeza, esse tipo de história já andava no imaginário das pessoas.

Quando as histórias homoafetivas ganharam nome

Por se tratar do “relacionamento perfeito” e não gerar conflitos, o homoerotismo na Antiguidade Clássica não assume o tom subversivo e até mesmo discriminatório que acontece posteriormente na História.

“Com a Idade Média, a institucionalização do pecado cristão conferiu ao homoerotismo um caráter demoníaco, o que tornou sua abordagem proibida. As obras literárias da época simplesmente baniram o tema. Ambientado em um mosteiro medieval, O Nome da Rosa , de Umberto Eco, é obra datada e caracterizada pelo século 20.”

Trecho de matéria da Cult | Sendas do homoerotismo na literatura ocidental
Capa do Livro “O Nome da Rosa”, Record (talvez por ser a edição impressa seja tão caro, opinião pessoal)

Somente no Renascimento, quando o homem voltou a olhar para dentro de si mesmo e retomou os valores clássicos, que o homoerotismo passou a ser tratado com tolerância, mas com uma diferença da Antiguidade: em vez de ser o amor puro e perfeito, a relação entre dois homens, agora, é relacionada à luxúria, necessidades da carne, ao mundano, por vezes até mesmo ao pornográfico. Ainda assim, vemos obras tratando do tema abertamente, com narrativas fortes e nada românticas. O nome disso? Literatura erótica. A primeira obra homoerótica que trata o tema de forma explícita e que funde as linhas do intelectual clássico e o pornográfico renascentista foi escrita por Marquês de Sade, entre 1740 e 1820. Sade vai além e aborda todo o tipo de relacionamento homoafetivo, homoerótico, alcançando um nível de tensão inédito até aquele momento. Definitivamente, marcou uma época e a história da literatura para sempre. Suas obras são classificadas como eróticas e, por meio do erotismo, as críticas e reflexões sociais, políticas e econômicas se construíam. Fascinante, não? O nome disso? Literatura erótica.

Salo, os 120 dias em Sodoma | Filme Italiano de 1975, inspirado na obra-prima de Marques de Sade

Depois do Marquês de Sade, deu-se início a uma série de eventos, autores memoráveis e obras sensacionais que mesclavam o erotismo, falavam da homossexualidade de forma inteligente, sardônica, sagaz. Não conseguiria continuar traçando essa linha do tempo até o século 20 sem perder de vista o nosso assunto original, então, felizmente, encontrei essa matéria da Cult, excelente revista que entra em detalhes de autores, obras e suas características quase até os dias atuais. Está sedento por saber mais e ler essas obras incríveis? Clica no link! Tenho certeza de que você vai adorar.

Para finalizar esse tour pela história do homoerotismo, sabe como as pessoas chamavam todas essas obras, que deram origem, inclusive a filmes e inspiraram séries? Literatura erótica! Pois é, gente. Acho que essa mania criativa de ficar dando vários nomes e jargões para a mesma coisa é um hábito recente das pessoas. Bom, vamos nessa que, agora, vem o Oriente.

Yaoi: como essa cultura começou

Como já comentei nesta mesma matéria, desde a Antiguidade, seja no mundo ocidental ou oriental, a mulher ocupava um lugar secundário na estrutura social, sendo destinada, basicamente, à reprodução e à servidão. Claro que havia exceções, principalmente entre os povos bárbaros, a exemplo dos vikings, em que as mulheres guerreiras estavam em mais igualdade com os homens. Um artigo da Universidade Keio fala sobre a posição das mulheres e a sexualidade feminina, construída a partir da heterossexualidade. Segundo o estudo, as pessoas (em geral) que pensavam de forma diferente, questionavam a posição superior dos homens em relação às mulheres ou que tinham inclinações sexuais diferentes das determinadas como “corretas”, eram marginalizadas pela sociedade. Alguma coisa te parece familiar?

Porém, no fim dos anos 1960 ao início dos anos 1990, surgiu uma corrente de pensamento que questionava duramente se feminino e masculino eram, de fato, opostos; se a concepção da sexualidade em sua essência era binária (um ou outro); se a sexualidade era um conceito fixo ou algo fluído, com muitas nuances, cores e faces. Este cenário de reflexão e crítica, somado à repressão feminina, deu voz às mulheres, que ousaram criar um cenário diferente para a sexualidade, muito mais plural e autêntico. A heterossexualidade e a homossexualidade não eram mais posicionadas somente como estados opostos do desejo humano, mas, às vezes, como fronteiras que se sobrepõem. Essa resposta homossocial se deu, a princípio, por meio da literatura (livros, mangás, contos), do ponto de vista feminino sobre a homossexualidade masculina.

Naquela época, as obras publicadas tinham como premissa a heterossexualidade. Os personagens masculinos apresentados dentro da obra ou eram apresentados como heterossexuais ou não havia nenhuma referência particular à sua sexualidade. O gênero conhecido como YAOI é uma resposta a esse cenário social e floresceu na cultura de quadrinhos. O nome é um acrônimo da frase “YAma nashi, Ochi nashi, Imi nashi” (“sem clímax, sem piada, sem significado”). Em outras palavras, yaoi é deliberadamente a narração de histórias que são removidas do contexto original, sem a obrigação de ter um pano de fundo concreto (realidade) e assume a posição de não ter nenhuma obrigação com as regras sociais vigentes nem com consequências temporais e espaciais. Dessa forma, oferece um ponto de vista que difere dos valores do que é considerado a maioria. As preferências homossexuais masculinas criadas por mulheres, para mulheres, aparecem em obras de ficção (romances e mangás) e, atualmente, em vez de ser o prazer secreto de um grupo de entusiastas de nicho, o gênero se tornou um fenômeno, dentro e fora do Japão.

Apesar de o yaoi só ter sido reconhecido como gênero literário no fim da década de 1980, as primeiras histórias desse estilo podem ser rastreadas a partir da década de 1960. Veja a lista das principais:

  • 1960 | “Mari Mori A Lover’s Forest” e “The Bed of Dead Leaves”
  • 1970 | O Coração de Thomas [Toma no Shinzo], de Moto Hagio, e O Poema do Vento e das Árvores [Kaze to ki no uta], de Keiko Takemiya
  • 1978 | Foi criada revista Comic JUN (mais tarde chamada de JUNE), especializada em shōnen-ai e obras homossexuais masculinas
  • 1980 | “Captain Tsubasa”, de Yoichi Takahashi, primeiro mangá oficialmente yaoi, publicado na Shōnen JUMP.
Divulgação | Ilustração do mang yaoi “Kaze to ki no uta” de Takemiya Keiko

Aí já era, pessoal! O yaoi ganhou o Japão e conquistou o mundo. Hoje, apesar de ser nostálgico e trazer muito carinho para quem acompanha essas histórias desde sempre, o termo caiu em desuso, tanto no Japão (lá, no final da década de 1990) quanto além das fronteiras, a partir de 2005.

YAOI e BL: tem diferença mesmo?

Até a década de 1980, o yaoi permaneceu um subgênero de nicho até 2006, quando o mercado começou a faturar cerca de 12 bilhões de ienes por ano. A primeira tradução oficial do mangá “Boy’s Love” foi nos Estados Unidos, em 2003. Desde então, a popularidade do gênero cresceu entre as mulheres e meninas americanas. Gradativamente, o termo BL passou a tomar o lugar do original yaoi, em razão do título do primeiro mangá que ganhou fronteiras internacionais.

Diversas teorias sobre a diferença dos termos Shōnen-ai, Yaoi e BL circulam pela internet. Obviamente, as pessoas são livres para classificar, categorizar e organizar seus conceitos. Porém, a verdade é que não existe nenhuma informação oficial, cientificamente comprovada e apoiada em estudos que diferenciem esses termos. Realmente, nenhuma! A mais recente que vi foi a seguinte:

  • Shōnen-ai = amor mais inocente / relacionamento puro.
  • Yaoi = obras mais explícitas, sem enredo e com foco maior em sexo.
  • BL (Boys Love) = histórias de relacionamento homoafetivo, com foco no sentimento (e com uma dose de sexo, claro).

Bom… Lamento informar que isso não é verdade. Se você ler mangás ou assistir animes yaoi das décadas de 1980-90, como “Ai no Kusabi”, “Kizuna” e Banana Fish”, terá oportunidade de conhecer histórias fortíssimas, bem estruturadas e onde o sexo é apenas consequência! Ou seja, esse tipo de tentativa de categorização, para mim, parece com algumas saídas que vemos em nossa Língua Portuguesa, como “pobrema é da vida, problema é de matemática”. Errado, gente! A palavra “pobrema” não existe! Vamos parar com isso, certo?

Divulgação | Cena de Banana Fish

O que aconteceu é que o termo yaoi caiu em desuso por hábito de fala. Vocês devem saber que nosso idioma (como todos os idiomas do mundo) está em constante evolução. Pois bem, o anácrono “yaoi” já não representava mais as histórias homoafetivas, que passaram, gradativamente, a ser chamadas de BLs. O conteúdo das histórias é diferente? Claro! A descrição, cenários, problemas, contexto de 1980 não são os mesmos de hoje, mais de quarenta anos depois. Contudo, essa mudança não tem relação com a forma que a gente chama as histórias homoafetivas e, sim, com a evolução das pessoas e as conquistas da comunidade LGBTQIA+. O que eu quero dizer com isso? O mudo mudou, pessoal! A forma como escrevemos, falamos, compramos, dormimos, comemos também mudou! Assim, a forma como contamos histórias, obviamente, está acompanhando essas mudanças, tanto sociais quanto globais. E, neste cenário, o Shōnen-ai e yaoi de antes é o BL de hoje. Não há diferença de características do gênero literário! Continuam sendo histórias homoafetivas, de amor de meninos, escritas por meninas para meninas, como é desde o começo. Apesar de não ser uma regra, a maior parte da produção ainda é dirigida por mulheres, tendo como público outras mulheres.

Divulgação | Ten Count

Independentemente de qual termo você prefere ao se referir aos fenômenos de BL, e se você prefere mangás, romances ou jogos, uma coisa é certa: isso não muda em nada que amamos essas histórias e vamos continuar acompanhando a trajetória de personagens incríveis, torcendo para que o amor deles se torne real e deixe o mundo mais leve, livre, colorido, certo?

E a Tailândia nessa história toda, minha gente?

O fenômeno BL na Tailândia é relativamente recente, tendo explodido e ganhado o mundo de verdade a partir de 2014. Antes de as novels e as séries tailandesas ganharem espaço, podemos citar o filme “Beijing Gushi” (História de Pequim) como pioneiro do gênero na Ásia , o primeiro romance gay chinês de 1996. As produções chinesas são incríveis e, embora o país tenha muita censura na produção de conteúdo para a televisão, o mesmo não acontece com os livros. Hoje, o BL está em plena ascensão e pode evoluir para a nova grande exportação de entretenimento do país.

Na Tailândia, a indústria está pegando fogo! Com a quarentena imposta pela Covid-19 e o lockdown no país, milhares de fãs assistiram “2gether: the series”, hoje, o mais popular drama BL da Tailândia. Desde então, outros BLs começaram a ser produzidos, quase instantaneamente, como 2gether: The Series. Como muitos dramas de Boys Love, 2gether é baseada em um romance de mesmo nome.
E, se você não sabe, “dorama” não é uma categorização extra. Significa “drama”, ou seja, em nosso contexto, é simplesmente uma história de tensão emocional, como aponta o dicionário.

Divulgação | 2gether: The Series

Ao longo das 13 semanas de sua exibição, a hashtag # 2gethertheSeries superou as tendências globais no Twitter e desencadeou milhões de conversas virtuais sobre a série em vários idiomas, do tailandês ao inglês. A série ficou tão popular, que seus atores principais, Vachirawit “Bright” Cheva-aree e Metawin “Win” Opas-iamkajorn, conquistaram mais de um milhão de seguidores no Instagram de todo o mundo em apenas algumas semanas. A série se tornou o fenômeno global que ninguém esperava.
Mas o sucesso do BL não se refere somente à questão da pandemia. As narrativas sobre dois garotos em um relacionamento amoroso, que eram praticamente subtramas antes da série Love Sick, de 2014, passaram a ser o ponto focal de muitas histórias, séries, livros, representando uma virada significativa para o gênero.

Divulgação | Love Sick: The Series

Love Sick foi, provavelmente, a primeira vez na história do entretenimento tailandês que dois meninos com inclinações homossexuais foram apresentados no enredo principal.
Depois de tudo o que contei, acho que você já percebeu que o Thai Boys Love é uma apropriação local do termo yaoi que, como já falamos antes, é o gênero literário de ficção homoerótica japonesa, com foco em narrativas românticas entre meninos. Tradicionalmente, o yaoi é criado, consumido e preferido pelas mulheres. Essa subcultura japonesa chegou à Tailândia há uma década, na forma de romances. A comunidade de leitores do Boys Love floresceu muito antes de a cultura chegar à telinha.
“Tudo começou underground, antes de vir à tona, por volta de 2011 a 2012. O gênero se intensificou e floresceu por volta de 2014-2015”, diz o Dr. Utain Boonorana, médico que também é autor de ficção LGBTQI+, conhecido por seus pseudônimos, Patrick Rangsimant e Mor Tood (“Homo Doctor” em tailandês). Os romances BLs que escreveu incluem My Ride, I Love You, que foi traduzido para o inglês e está prestes a se tornar um drama de TV.

Divulgação | Exemplos de títulos e autores BLs da Deep

Observando o crescimento da literatura BL, a editora Sataporn Books, com décadas de existência, entrou no movimento em 2018 e lançou uma nova marca chamada Deep. Até agora, Deep publicou cerca de 70 títulos Bls, com 20 deles sendo produzidos para séries de televisão. Ao que parece, a indústria do “amor de meninos” cresceu e tende a crescer ainda mais, porque mais produtores, incluindo os principais canais, estão ampliando projetos de transformar esses livros em séries de televisão. A Deep também está vendendo os direitos de seus romances para editoras internacionais em Taiwan, Japão e Coreia. Espero que chegue logo aqui! Mal posso esperar para ler em um idioma ocidental.

Resumo da ópera

Depois dessa viagem histórica pela mente humana e a necessidade de descrever um amor que vai contra a polarização de homem – mulher; certo – errado; bom – mau; algumas questões ficaram muito mais claras para mim (e espero que para vocês também):

  • As histórias BL (ou Shōnen-ai, Yaoi, Contos homoeróticos, ou o que você quiser chamar) têm um papel fundamental na sociedade, de revelar o que realmente importa no encontro de duas almas: o amor, que não é, e nunca será, definido por gênero.
  • Essas histórias nascem do imaginário das pessoas e descrevem contextos reais da vida cotidiana, aumentando as chances de todas as pessoas entenderem que não há nada de ruim em amar alguém, seja quem for essa outra pessoa.
  • Qualquer termo que a gente utilize, seja ele literário, da cultura japonesa, subcultura tailandesa ou chinesa, tradução norte-americana ou adaptação latina será SEMPRE muito menor que que essas histórias significam em termos sociais, políticos e culturais.

Então, o meu recado final é: vamos deixar de mimimi, galera! Vamos parara de querer colocar a manifestação cultural em caixas e rótulos. Vamos nos conectar para contar e ouvir boas histórias, nos unir para amenizar a dureza do contexto em que vivemos e parar com essa pequenez de tentar classificar as nossas obras queridas por termos menores do que elas são. Afinal, em nossa realidade, não deveria haver espaço para julgar, categorizar ou rotular as coisas, certo?

Referências

http://oleniski.blogspot.com/2017/04/iliada-xvi-obstinacao-de-aquiles-e.html
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-47142009000300009
https://www.coladaweb.com/historia/roma-e-grecia-antiga
https://www.researchgate.net/publication/332625211_A_philotes_de_Aquiles_e_Patroclo_na_Iliada
https://revistacult.uol.com.br/home/sendas-do-homoerotismo/
http://www.posclassicas.letras.ufrj.br/images/Publicacoes/Homoerotismo_2.ed..pdf
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/historia/o-nome-rosa-breve-analise.htm
https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/850833-conheca-obras-literarias-de-marques-de-sade.shtml
https://www.futurelearn.com/courses/intro-to-japanese-subculture/0/steps/23574
http://www.wcwonline.org/Women-s-Review-of-Books-May/June-2006/Yaoi-101-Girls-Love-Boys-Love
https://yattatachi.com/history-of-boys-love
https://www.japanpowered.com/anime-articles/a-brief-history-of-yaoi
https://www.timeout.com/bangkok/lgbtq/thai-boys-love-culture

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