Transtorno de ansiedade: uma doença que precisa ser tratada

Transtorno de ansiedade: uma doença que precisa ser tratada

Crédito imagem de capa | Imagem original: Anthony in Unsplash

Pensamento retrógrado e discriminação aumentam os números de suicídio no Brasil

No Brasil, é grande o tabu a respeito de doenças mentais como depressão, transtorno de ansiedade, TOC e demais doenças do gênero. Ainda temos a ideia retrógrada de que esse tipo de distúrbio não deve ser levado a sério, “é frescura” e um monte de outros pensamentos discriminatórios, o que leva as pessoas a mascararem, esconderem ou mesmo se negarem a aceitar que precisam de tratamento e buscar ajuda profissional.
O resultado é o que o Brasil anda na contramão do mundo. Enquanto na maioria dos países o suicídio diminuiu com o passar dos anos, por aqui, desde 2009, esse número só tem aumentado, não para de crescer e é exponencial.
Uma pesquisa do Ibope revela que 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, sendo a depressão o principal deles. A cada 46 minutos, uma pessoa tira a própria vida no Brasil. Além disso, cerca de 50% dos brasileiros não sabe o que é depressão. O que dirá outros distúrbios associados.

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Esse é um cenário sombrio, em qual a especulação, informações falsas e juízos de valores acabam prejudicando as pessoas e aumentando a curva de desinformação e, consequentemente, de mortes. Bom, precisamos começar a pensar e agir diferente para ter outros resultados, porque ninguém consegue mudar alguma coisa fazendo tudo da mesma maneira de antes, não é verdade?

O que é transtorno de ansiedade e quais os principais sintomas

O transtorno da ansiedade generalizada (TAG), segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”, persistente e de difícil controle, que perdura, no mínimo, por seis meses e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

Imagem divulgação | Site Drauzio Varella

Sentir ansiedade antes de um grande evento, acontecimento ou situação pontual é normal, sendo uma forma de o corpo se colocar em alerta para enfrentar o desafio que está por vir. A ansiedade passa a ser considerada um transtorno quando perdura por tempo maior que o padrão e acaba acarretando sintomas associados, desde taquicardia à insônia. Nesses casos, a impacta aspectos físicos e mentais, levando a pessoa manifestar esses sintomas como se estivesse tendo um ataque cardíaco, por exemplo. Só que não é ataque cardíaco.
Parece simples, mas não é, porque, assim como as demais doenças mentais que citamos nesta matéria, a maioria das pessoas não sabe o que é, não consegue identificar que é algo que precisa ser tratado de forma específica ou, quando descobre e sabe que precisa de tratamento, evita com medo do que as pessoas vão pensar e que tipo de preconceitos vai sofrer.
Como já citado, dentre os sintomas mais comuns estão:

  • Inquietação;
  • Fadiga;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Tensão muscular.

Além desses sintomas principais, outros podem ser associados ao TAG:

  • Palpitações;
  • Taquicardia;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares.

Dessa forma, os principais sintomas do TAG são físicos, ou seja, sentidos no corpo, como se fossem outras doenças ou manifestação de outros tipos que complicação. É muito comum, inclusive, pessoas que têm TAG acreditarem que estão infartando ou com crises severas de enxaqueca quando, na verdade, o quadro clínico é outro.
O mais importante é saber que o transtorno de ansiedade generalizada, assim como qualquer outra doença, precisa ser tratado da maneira correta, por especialistas, e precisa de acompanhamento até que os sintomas tenham passado e o estado físico e mental esteja controlado. Não é demérito nenhum. O TAG é uma das doenças que mais cresce no mundo atual, por vários motivos e, durante o estado de confinamento e isolamento físico gerado pela covid-19, atingiu os maiores picos já registrados na história.
O que se deve fazer é buscar tratamento adequado. Sem medo, sem culpa, sem a sensação de ser inferior, porque nenhum de nós é, nem por conta disso, nem por nenhum outro motivo.

Diagnóstico e tratamento para transtorno de ansiedade

Não tem jeito. Se você se identificou com mais de um sintoma mencionado neste texto, se já percebeu que se sente ansioso por períodos longos ou bem mais que o padrão, ou se tem alguém no seu círculo familiar ou de convivência que foi diagnosticado ou pode ter TAG, só existe uma saída: DIAGNOSTICAR e, se necessário, TRATAR!

Photo by Anthony on Unsplash

O diagnóstico do TAG é feito por psiquiatra, considerando os sintomas apresentados e o histórico de vida do paciente. É realizada uma avaliação clínica criteriosa que, quando necessário, inclui a realização de alguns exames complementares.
Como os sintomas do TAG são comuns a várias condições clínicas e doenças diferentes, frequentemente os médicos avaliam se o paciente apresenta também sintomas de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), síndrome do pânico ou fobia social, por exemplo. Por que os médicos fazem isso? Porque o paciente que apresenta os sintomas e tem diagnóstico confirmado para essas outras doenças mentais, tem mais chance de ser diagnosticado com TAG, pois um quadro puxa o outro. Só após esses passos e todas as avaliações é possível confirmar ou não o TAG. Então, fique despreocupado porque, hoje em dia, o que mais existe são dados para indicar a necessidade ou não de um tratamento e qual é esse tratamento.
O tratamento mais completo e eficiente para TAG é composto por três elementos fundamentais, e que precisam acontecer ao mesmo tempo: uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos sob orientação médica, somado à terapia comportamental cognitiva e de exercício físico. Isso mesmo! Se você, como eu, adora um sofá e detesta academia, acabou a folga! A serotonina liberada durante a prática de exercícios é FUNDAMENTAL para potencializar o tratamento. Então, bora mexer esse corpinho!

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O primeiro passo é encontrar um psiquiatra em quem você confie para que possa fazer a avaliação, confirmar ou não o diagnóstico e indicar o medicamento mais adequado, caso seja necessário.
Porém, só tomar a medicação não é suficiente. Ela é importantíssima porque age rapidamente para minimizar ou impedir os sintomas, equilibrar o corpo e colocar “ordem na casa”. Mas a medicação trata os sintomas. A raiz do problema, que está gerando todo o impacto físico, é mental e emocional. Por isso, o segundo passo é procurar um psicólogo(a) e fazer acompanhamento.
Gente, isso é muito importante porque a terapia vai atacar a causa e a medicação vai estabilizar o corpo e os sintomas. Um não funciona sem o outro. O exercício físico entra para proporcionar mais disposição, sensação de relaxamento e encurtar o tempo de medicação. Mas é preciso ser praticado pelo menos duas vezes na semana e sem falta!
Uma notícia excelente é que os tratamentos com medicação, geralmente, são por tempo limitado. Ou seja, os médicos planejam uma data de término, que vai depender TOTALMENTE da dedicação e comprometimento do paciente em seguir os dois outros passos e, é claro, do organismo de cada um, porque somos seres diferentes.
Geralmente, o tratamento farmacológico precisa ser mantido por um período de seis a doze meses depois do desaparecimento dos sintomas e deve ser descontinuado em doses decrescentes. E é algo totalmente possível de ser administrado.

No fim do dia, o que fica?

Se você é visto como alguém de “pavio curto”, que anda sempre com os nervos à flor da pele e tem muita dificuldade para relaxar, provavelmente chegou a hora de procurar um médico para avaliar esse estado permanente de tensão e ansiedade.
Se você cobra muito de si mesmo, está sempre envolvido em inúmeras tarefas e pressionado pelos compromissos, tente pôr ordem não somente na sua agenda, mas também na sua rotina de vida, sem esquecer de reservar um tempo para o lazer.
E seja bem-vindo ao mundo moderno, porque, se você se encaixa em algum desses dois perfis, com certeza faz parte de, praticamente, 80% da população mundial. O que não significa que têm TAG. Mas, se tiver, basta tratar. Se não conseguir sozinho, não se envergonhe, peça ajuda.

Referências

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/ansiedade-transtorno-de-ansiedade-generalizada/
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/14/como-diferenciar-a-ansiedade-comum-de-um-transtorno-de-ansiedade.htm
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/07/17/ansiedade-o-que-e-quais-os-tipos-os-sintomas-e-tratamentos-mais-eficazes.htm
https://super.abril.com.br/saude/metade-dos-brasileiros-nao-sabe-o-que-e-a-depressao-revela-ibope/
https://super.abril.com.br/sociedade/sim-o-melhor-e-falar-sobre-suicidio/

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agabriel90

Texto bastante explicativo. Dois anos atrás eu tive uma das minhas mais fortes crises de ansiedade, e fiquei com tanto medo que tive coragem para buscar ajuda. Eu estava com medo, pensei logo que era depressão, minha psicóloga me diagnosticou com trastono de ansiedade. Meu pânico social ficou cada vez maior depois do ensino médio, passei meus anos sabáticos me refugiando nos livros, tancada em casa, até ser obrigada a sair, foi aí que não aguentei e minha cabeça surtou, achando que seria melhor está morta a sair e socializar. Com a ajuda da minha psicóloga eu consegui superar as… Read more »


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