Transfóbicos e onde habitam, polêmicas de JK Rowling

Transfóbicos e onde habitam, polêmicas de JK Rowling

Olá, meus bombons de licor, tudo bem com vocês?
Hoje nós vamos falar da JK Rowling e dos seus casos relacionados á transfobia, e todos os demais assuntos que sucederam após as declarações polêmicas da autora da saga de livros mundialmente famosa “Harry Potter”!

Desde dezembro de 2019, o nome da autora vem ficando diversas vezes em evidência nos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro e mundial, após uma série de ‘cancelamentos virtuais’ por ser acusada de transfobia, ela gerou um verdadeiro levante de opiniões e declarações dos atores e companhias que giram em torno de suas obras e fãs da saga.

Mas adendo, antes de ver as declarações, vamos relembrar ou descobrir, afinal o que é transfobia?

Transfobia é uma forma de preconceito contra pessoas transexuais/transgênero, que pode se traduzir em atos de violência física, moral ou psicológica. A transfobia é uma forma de aversão às pessoas trans e se manifesta em diferentes ações de preconceito, sejam explícitos ou velados. Esse preconceito deriva da não-aceitação da manifestação individual dessas pessoas. Atualmente, o brasil é um país extremamente violento contra pessoas com sexualidades ou identidade de gênero distintas da heterossexualidade.

Somos um dos países que mais mata a população trans no mundo. Em 2019, foram 132 assassinatos, de acordo com levantamento da Transgender Europe.

Toda a história iniciou-se com um comentário de J.K. Rowling sobre uma matéria que tinha no seu título a expressão “pessoas que menstruam”. A autora criticou o uso deste termo, dando a entender que mulheres cis já seria suficiente para explicar a quem o texto estava se referindo. Porém, a matéria tinha como objetivo ser inclusiva, se direcionando também a homens trans que nasceram com o sexo biológico feminino e, por isso, também menstruam.

O que seria uma pessoa cisgênero (cis)? São pessoa que nasceram com determinado sexo biológico e se identificam com ele.

A partir de então, J.K. começou a justificar sua posição, que não se pode negar o sexo biológico, porque ele seria determinante para a sua experiência. Como uma usuária assídua no twitter, ela começou a tentar explicar seu ponto de vista através de tweets.

“Se sexo não é real, não existe atração entre pessoas do mesmo sexo. Se sexo não é real, a realidade vivida por mulheres ao redor do mundo é apagada. Conheço e amo pessoas trans, mas apagar o conceito de sexo remove a habilidade de muitos discutirem suas vidas de forma significativa. Não é ódio dizer a verdade”.

“A ideia de que mulheres como eu, que têm empatia por pessoas trans há décadas e sentem afinidade por elas, porque são vulneráveis do mesmo modo como as mulheres – isto é, à violência masculina – ‘odeiam’ pessoas trans porque pensam que sexo é real e vivem as consequências disso é um absurdo”.

“Respeito o direito de todas as pessoas trans de viverem da maneira que lhes pareça autêntica e mais confortável. Protestaria com vocês se vocês fossem discriminados por serem trans. Ao mesmo tempo, minha vida foi moldada pelo fato de eu ser mulher. Não acredito que seja odioso dizer isso”.

O que JK, em suma, diz nestes tweets é que a identidade de gênero das pessoas — isto é, se a pessoa se identifica como homem, mulher ou não-binária — é definida exclusivamente pelo sexo biológico. Essa ideia, portanto, não reconheceria a existência da população trans, nem qualquer pessoa que não fosse cisgênero — pessoas que se identificam com seu sexo biológico — como as não-binárias, já que estas são justamente pessoas que não se identificam com seu sexo biológico.

Infelizmente, esta visão de Rowling é um dos argumentos usados para a ofensa, discriminação e até violência física direcionada à população transsexual. Seu posicionamento, independente da intenção, é bem problemático.

Após estas declarações de JK Rowling, muitos fãs e até atores que fizeram parte da saga, se apresentaram com opiniões contrárias a da autora, e em muitos posts nas redes sociais chegaram a negar que ela seria a autora da saga.

Alguns dias depois, após ver a tamanho movimentação que suas falas geraram, a JK postou um artigo em seu blog oficial tentando mais uma vez explicar seu ponto de vista. Ela disse que já pesquisa a anos sobre sexo e identidade de gênero, mas que apenas se manifestou publicamente sobre o assunto após a demissão da especialista tributária Maya Forstater do Centro de Desenvolvimento Global. A razão para o desligamento foram tweets de Forstater em que ela afirmava que as pessoas não podem alterar seu sexo biológico, uma visão que Rowling já disse apoiar.

Rowling listou os motivos pelos quais se sente preocupada com o ativismo trans e acha necessário se posicionar, dentre eles a liberdade de expressão e o aumento do interesse de jovens mulheres em transicionar. Para ela, essa vontade dos jovens de passar por cirurgias e terapias com hormônios envolve um sentimento de inadequação, algo como famílias que não aceitam a homossexualidade e, portanto, a transição seria a única maneira delas serem aceitas pelos pais. Como se os grupos trans servissem de encorajamento para estes casos.

O pensamento da autora é autamente retrógrado e, se me permitem o termo, burro. Após mais esta declaração da autora, diversos artistas que já trabalharam ou iriam trabalhar com a autora deram suas respostas e/ou posicionamentos quanto as falas da escritora.

Confiram algumas declarações de artistas que saíram em defesa da comunidade trans e contra as atitudes de JK Rowling.

— Daniel Radcliffe

Nosso eterno Harry Potter publicou um texto na Trevor Project, uma organização sem fins lucrativos que trabalha na prevenção do suicídio da juventude LGBTQ+.

“Mulheres trans são mulheres. Qualquer afirmação que diga o contrário apaga a identidade e a dignidade da população trans e vai contra todos os conselhos dados por associações de profissionais de saúde, que sabem muito mais sobre o assunto do que eu ou a Jo. De acordo com o Trevor Project, 78% da juventude trans e não-binária é vítima de discriminação por sua identidade de gênero. É evidente que precisamos fazer mais para apoiar as pessoas trans e não-binárias, não invalidar suas identidades e causar mais dano”.

— Emma Watson

A atriz publicou um texto em seu Twitter oficial onde disse: Pessoas trans são quem dizem ser e merecem viver suas vidas sem serem constantemente questionadas ou terem que ouvir que elas não são quem dizem ser”.

“Quero que meus seguidores trans saibam que eu e muitas outras pessoas ao redor do mundo vemos, respeitamos e amamos vocês”.

— Rupert Grint

O ator soltou uma nota também em apoio a comunidade trans.

“Me posiciono firmemente ao lado da comunidade trans e compartilho dos sentimentos de muitos dos meus pares. Todos deveríamos ter o direito de viver com amor e sem julgamento”.

— Eddie Redmayne

O ator que interpretou Newt Scamander em “Animais Fantásticos”, também se posicionou. Importante destacar que o mesmo foi indicado ao Oscar por interpretar uma mulher trans no filme “A Garota Dinamarquesa”.

“O respeito pelas pessoas trans continua um imperativo na nossa cultura, e através dos anos eu busquei me educar na questão constantemente. É um processo contínuo. Como alguém que trabalhou tanto com J.K. Rowling quanto com membros da comunidade trans, eu queria deixar absolutamente clara minha posição. Eu discordo dos comentários de JK. Mulheres trans são mulheres, homens trans são homens e identidades não-binárias são válidas. Eu nunca falaria em nome da comunidade, mas eu sei que meus amigos e colegas trans estão cansados deste questionamento constante sobre suas identidades, que muito frequentemente levam à violência e abuso. Eles simplesmente querem viver suas vidas em paz e é hora deles poderem fazer isso”.

O último dia 13 (13/07/2020) foi marcado por um protesto, ainda sem autoria.

Uma homenagem à escritora JK Rowling, feita pela cidade de Edimburgo, amanheceu coberta de tinta vermelha e com uma bandeira do orgulho transsexual ao lado. — Temos uma matéria que fala sobre a história e significado de algumas bandeiras da comunidade LGBTQIA+, confiram!

Esta homenagem é uma espécie de Calçada da Fama, com palmas das mãos de Rowling marcadas em ouro.

Uma pessoa que estava presente no protesto, mas não quis se identificar, afirmou que a tinta pode representar “o sangue nas mãos dela” pelos comentários recentes da autora.

JK Rowling recentemente comparou o acesso de jovens trans a hormônios e ao sistema de saúde, a terapia reorientação de pessoas homossexuais, a chamada “cura gay”. Temos uma matéria em nosso site que fala sobre esse tema, não deixem de conferir!

Todo o mal-estar gerado pelas declarações da autora e por sua reputação que agora estão “manchadas”, alguns fãs e portais trazem à tona uma discussão recorrente, como separar a obra do seu autor?

Como qualquer pessoa, todos estamos propensos a erros, consequências positivas e negativas podem vir do apego a um determinado artista ou obra. Mas neste quesito, é importante lembrar da fala de Daniel Radcliffe, protagonista dos filmes de “Harry Potter”.

“Se você encontrou algo nessas histórias que ressoou em você e o ajudou em algum momento da sua vida, isso é entre você e o livro. Isso é sagrado. Na minha opinião, ninguém pode interferir nisso”. Afirmou o ator.

E, vocês meu bombons, qual sua opinião sobre o tema aqui trazido? Comentem aqui!

Bom, meus amores, por hoje é só, não esqueçam de seguir a BLB em todas as redes sociais, beijos e até a próxima!

  • Todos as traduções que contém nesta matéria foram retirados do site “Omelete”.

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A. GABRIEL

Eu sei bem separar a obra do autor, sei que na obra sempre vai ter algo do mesmo, mas não é ele em todo. Quanto ao assunto, eu só espero que os fans da obra não se deixem levar pela opinião da autora, apenas por sua grande influência. Espero que nosso futuro seja livre de pessoas que dão opinião sobre a vida dos outros, que todos sejam livres para ser quem quiserem ser. É isso.


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