Tailândia (Política): Atualização dos Protestos

Tailândia (Política): Atualização dos Protestos

Se você pesquisar quais os assuntos mais comentados do momento pelos tailandeses no Twitter, certamente encontrará três tipos de conteúdo, o primeiro sobre K-Pop, outro sobre algum lakorn (e não é de espantar se for BL) e último sobre política, em específico, sobre os protestos que assolam o país há quase dois meses.

Hoje o nosso encontro será para atualizar você sobre o que aconteceu por lá nas últimas semanas, assim como trazer algumas informações relevantes a respeito do tema.

Novas Pautas

Como já mencionado em outro texto que escrevi fornecendo um panorama geral sobre o contexto das manifestações, além de convidá-los a assistirem ao vídeo que preparamos em parceria com o Aiigo! Doramas, os atores desses protestos são, em sumidade, estudantes tanto do ensino médio como das universidades, por esse motivo, um desses grupos é denominado “Free Youth” (do inglês, “Juventude Livre”).

Mas recentemente quem atuou com maior intensidade foram os alunos do médio, que desde o mês passado vêm pressionando o Ministro da Educação, Nataphol Teepsuwan, por reformas no sistema educacional no que tange a regras e metodologia de ensino.

“A educação tailandesa nos faz marionetes,” diz Supicha “Menu” Chailom, 18. “Nós não somos robôs do sistema, nós somos a juventude e temos o direito de nos expressar.”

Eles reivindicam a liberdade de expressão, o relaxamento das regras de uniforme e comportamento. Em agosto, numa das manifestações, uma estudante subiu num palco e encenou, junto com uma colega, uma das sanções a que são submetidos na escola caso não respeitem as normas quanto ao corte de cabelo, na “demonstração”, grande parte de seu cabelo é cortado.

Além disso, exigem do ministro uma ação eficaz contra o tráfico de drogas, assédio sexual e a intimidação de estudantes no ambiente escolar.

Em resposta à pressão estudantil, o Ministro afirmou que ninguém das escolas encontrou autores de tais atos, porém se acontecer, o culpado terá o direito de se defender. Além disso, prometeu que o ministério irá trabalhar para certificar-se que os 150,000 professores de todo o país compreendam os guias de ensino antes de imporem aos estudantes.

Acontece que os estudantes têm pressa e dentre as reivindicações está a demissão do ministro caso falhe em atendê-las.

Recentemente, numa coletiva de imprensa, o ministro se defendeu, disse para a mídia que o pedido de sua demissão é uma forma de assédio.

“Se todos renunciassem por falharem em cumprir a sua tarefa, todo o funcionário público Ministro da Educação teria que se demitir então”, ele disse.

“Eu quero que eles [os estudantes ativistas] entendam que qualquer trabalho para resolver um problema grande leva tempo.”

Declaração de Prayuth

O Primeiro-Ministro Prayut Chan-ocha disse a um jornalista britânico que está ouvindo as reivindicações dos manifestantes, entretanto, fez um pedido.

“Eu sei todas as suas reivindicações. Apenas uma coisa eu vos imploro: não toquem na questão da monarquia, em respeito a toda a população tailandesa”.

Essa declaração é posterior a outra em que acusou os manifestantes de criarem divisões que podem causar o colapso do país e deixá-lo “engolfado em chamas”, demonstrando todo o seu repúdio ao pedido de reforma do poder real.

Mas será mesmo que ele se lamenta apenas pelo rei e monarquistas?

Primeiro Ministro tailandês Prayuth Cha-ochan. Foto: Kosaku Mimura

Outra informação relevante são os “treinamentos” que o exército vem realizando desde o dia 28 de agosto. Foram espalhados boatos sobre a possibilidade de um novo golpe, porém foram rapidamente desmentidos pelos oficiais do exército que justificaram os recentes “exercícios” como parte do treinamento dos novos recrutas da entidade.

Perseguições

As perseguições políticas, uma das pautas mais fortes dos protestos, continuam, dessa forma, é comum se deparar nos noticiários do país algum ativista sendo levado por guardas para a cadeia.  

Estão lembrados do advogado e ativista dos direitos humanos Anon Nampa, citado em nosso Manifesto BL? Pois bem, no dia 25 do mês passado ele foi preso de novo! Desta vez, acusado de sedição e envolvimento em manifestações políticas que pediam por reformas no poder, no caso a Monarquia.

E não foi preso sozinho, junto dele, Panupong Jadnok, amigo e também líder do Free Youth, foram acusados de violar o Artigo 116, que penaliza atos de sedição e desrespeito às medidas de restrições do coronavírus em aglomerações públicas.

À esquerda, o advogado e ativista do direitos humanos, Anon Nampha e, à direita, Panupong Jadnok, um dos líderes do movimento “Free Youth”. Foto: Reprodução

Ambos foram soltos no dia 3 de setembro com o pagamento da fiança. A oposição acredita que a soltura, principalmente do advogado, tenha relação com o temor das autoridades de que Anon possa se tornar um mártir, o que pode acabar elevando a sua popularidade e ao mesmo tempo manchando a reputação do governo.

Também merece destaque o casal Panumas Singprom e Tattep Ruangprapaikitseree – ativistas políticos que foram presos no dia 26 do último mês, mas que dias depois foram soltos.

Formado em farmácia e atualmente cursando Ciências Sociais, Tattep é membro do Free Youth como secretário-geral, e é líder do movimento antigovernamental Free People, além de participar de grupos que visam à libertação. Acredita que a revisão da constituição é a chave para todas as outras reformas. “Para mim, você pode reformar o que quiser se tiver uma constituição justa que seja elaborada pelo povo e permita que as pessoas reformem tudo, inclusive a monarquia.”

Tattep insistiu que ele deve continuar sua luta porque ele quer acabar com a desigualdade e a injustiça prevalecente na sociedade tailandesa. A única maneira de eliminar todos os problemas é criar uma “regra justa”, ou uma emenda ao estatuto nacional para permitir que todos joguem um “jogo justo”, disse.

“Não podemos separar problemas econômicos de problemas políticos porque eles são a mesma coisa”, disse Tattep. “Se tivermos boas políticas que criem um bom bem-estar do estado para todos os tailandeses, finalmente teremos uma boa economia também”, disse ele, lamentando a desigualdade que experimentou quando criança.

Por último, o caso da jovem de 17 anos que foi intimada para depor numa delegacia pelo fato de ter participado dos protestos que ocorreram dia 1 de agosto na província de Ratchaburi.

Foi a primeira vez que as autoridades convocaram menores de idade para deporem. No entanto, é interessante relembrar que a repressão dos estudantes no âmbito escolar pelas autoridades é uma realidade bastante comum.

Manifestantes segurando um cartaz no protesto do dia 1 de agosto na província de Ratchaburi. Foto: Democracy Ratchaburi

A ação provocou indignação dos manifestantes, alegando que a menina não havia feito nada chocante, apenas reivindicava melhorias no sistema de ensino.

Professores que inspiram

Ainda sobre as manifestações do dia 10 de agosto, é preciso falar sobre outras duas figuras que andam servindo de inspiração para os protestantes, embora não possuam ligação alguma com os atuais atos, são eles dois professores contrários ao governo e que vivem fora do país, exilados politicamente.

Pavin Chachavalpongpun. Foto: Reprodução

O primeiro deles é Pavin Chachavalpongpun, diplomata formado e atualmente professor associado na Universidade de Kyoto. Exilado no Japão desde 2012, Pavin ficou conhecido por ser o criador de um grupo no Facebook que contou com mais de 1 milhão de membros.

Denominado “Royalist Marketplace” (do inglês, “Mercado Realista”), o grupo foi criado para difamar a monarquia e os usuários costumavam se reunir para discutir assuntos considerados tabus e ilegais na Tailândia (devido à Lei Lesa Majestade).

Dessa forma, o governo mandou o Facebook retirá-lo do ar. Pouco menos de uma semana após ter sido removido, outro grupo foi criado com um nome semelhante (agora, “The Royalist Marketplace”, do inglês, “O Mercado Realista”) ao primeiro e em pouco tempo reuniu novamente mais de um milhão de pessoas.

Em declaração, o Facebook disse que irá contestar a ordem do governo tailandês.

Somsak Jeamteerasakul. Foto: Reprodução

O segundo é o historiador Somsak Jeamteerasakul que atualmente vive na França. Abertamente contrário à promoção da Monarquia tailandesa, Somsak é totalmente contrário à Lei de Lesa Majestade.

Além disso, no ano passado ele postou em sua conta pessoal do Facebook uma proposta de reforma escrita uma década atrás que foi vista por Panusaya Sithijirawattankul, outra líder importante dos protestos. Ela então decidiu criar um documento inspirado nessas reformas (“10 reivindicações”) e leu em cima de um palco no protesto do dia 10.

“O fato das discussões públicas sobre a Monarquia terem crescido é por causa deles”, disse.

A polêmica realeza

Certamente não poderia deixar de falar sobre o rei, que como já falei em outra ocasião, é uma pessoa no mínimo exótica.

No dia 28 de agosto, ele libertou uma de suas concubinas que havia sido presa em outubro do ano passado, Sineenat Wongvajirapakdi, como foi renomeada, ex-enfermeira e também piloto de avião, além disso, era guarda-costas do rei, mas após casar-se com o mesmo, foi promovida a major-general do exército e tornou-se oficialmente a primeira concubina tailandesa.

Acontece que por alguma dissidência entre os dois, em outubro do ano passado ela foi presa acusada de traição e por cobiçar a posição da Rainha Suthida, sendo portanto destituída de todos os seus títulos reais e militares.

Contudo, nove meses depois, o rei voltou atrás na sua decisão e decidiu libertá-la.

Segundo a revista alemã “Bild”, horas após a sua libertação, a amante havia embarcado num avião em direção à Munique, Alemanha, e levada imediatamente ao Grand Hotel Sonnenbichl, local onde há um andar exclusivo para a comitiva do monarca.

Para efeito de curiosidade, há relatos de que nesse andar existe uma “sala do prazer” e que se assemelha com uma seita. Resumindo, o rei da Tailândia possui um verdadeiro harém na Alemanha.

Incidente no Cinema

Mensagem pedindo para que o público se levante perante o Hino Real nos cinemas.

Uma cena um tanto inusitada ocorreu em um cinema da Tailândia nesta semana.

Os relatos são de uma testemunha que afirmou em sua conta pessoa do Facebook ter visto um monarquista radical ter jogado água em um casal que se recusou a levantar durante o Hino Real.

Acontece que é comum no país a reprodução do Hino Real antes do início do filme, e na teoria, todos os telespectadores devem se levantar e reverenciar o rei.

De acordo com várias postagens publicadas pelo usuário Bundit Tunsuchart, o incidente ocorreu durante a exibição de “Mulan” da Disney na segunda-feira (07) à noite em um cinema dentro do CentralFestival Chiangmai.

“Enquanto o hino era tocado, o tio de repente jogou água de um copo nos dois jovens que estavam sentados”, disse Bundit. “Minha namorada levou um pequeno golpe [água]. Eu podia ouvir o homem zombando dos jovens porque eles não se levantaram.”

Bundit disse que o homem exigiu uma explicação do motivo pelo qual eles se recusaram a se levantar antes que uma mulher, sua acompanhante, o levasse para fora do local.

 “Aqueles que não se levantaram, se vocês tiverem algum problema, sigam-me”, disse o homem. Bundit não respondeu às mensagens de inquérito na data da publicação.

Ao contrário da crença popular, a recusa em se levantar diante o Hino Real não é uma acusação punível sob nenhuma lei – revogado em 2010 – embora alguns espectadores ainda possam registrar queixas de difamação real contra os indivíduos.

Contestações dentro do Parlamento

O conhecido senador Kamnoon Sidhisamarn afirmou que a Seção 272 da atual constituição tailandesa, que obriga 250 senadores escolhidos a dedo pelo Conselho Nacional para a Paz e a Ordem (NCPO) a votarem junto com os outros parlamentares na eleição do primeiro ministro, deve ser revida porque é antidemocrático.

Estão lembrados do “senado biônico” que mencionamos no vídeo?

Para ele, há pontos positivos, porém “Depois de pesar os prós e os contras, posso agora dizer sem hesitação que as medidas provisórias citando a necessidade de reformar o país não são mais válidas. Para ser preciso, a seção 272 deveria ser deixada de fora da constituição”, acrescentou.

Senador Kamnoon Sidhisamarn. Foto: Reprodução

Sobre as medidas provisórias a que faz menção, afirmou que não apenas ele, mas outros parlamentares já defenderam a seção 272 alegando ser necessário durante o período de transição atingir duas metas nos primeiros cinco anos – manter a paz e a ordem do país e instituir reformas.

“Mas até agora as duas metas não foram alcançadas, especialmente a reforma da polícia. Com relação a esse assunto, podemos dizer que, lamentavelmente, esse governo falhou”, disse Kamnoon.

Segundo Kamnoon, a constituição deveria ser emendada seção por seção, para isso seria plausível a criação de um comitê de redação da constituição (CDC) para reescrever todo o regulamento, salvo os dois primeiros capítulos sobre as disposições gerais e o rei. Contudo, temia que alguns pontos positivos da constituição ficassem de fora. Além disso, levaria muito tempo para o CDC terminar seu trabalho.

Porém, independentemente se a constituição fosse emendada seção por seção pelo parlamento, ou reescrita pelo CDC como proposto por parlamentares apoiadores do governo quanto da oposição, ele votaria a favor da abolição da Seção 272, disse.

Turbulências no K-Pop

Também na última semana, os kpoppers tailandeses subiram algumas tags no Twitter com nomes de artistas tailandeses que são bastante conhecidos na Coreia e também internacionalmente. O motivo? A reivindicação de um posicionamento claro e aberto dessas entidades sobre as manifestações.

É difícil e ao mesmo tempo fácil compreender o silencio dos artistas. Talvez o medo das sanções ao se manifestarem (não só para eles, como também para os familiares), a impossibilidade diante de contratos com as empresas ou até mesmo a falta de vontade.

Seja como for, figuras como Bambam do Got7, Sorn do CLC, Minnie do (G)I-dle e recentemente a Lisa do Blackpink estão na mira nos fãs tailandeses que aguardam um posicionamento diante das atrocidades que a pátria-mãe está cometendo contra seus semelhantes.

Apenas para relembrar, muitos dos atores de BL tailandeses logo no começo dos protestos manifestaram-se a favor das manifestações em suas contas pessoais como Twitter e também Instagram, seja por meio de textos de própria autoria ou compartilhamento de correntes pelos stories.

19 de Setembro: O Retorno do Poder ao Povo

Por último, as previsões. Nesta semana, as lideranças do principal grupo ativista pró-democracia composto por figuras como Panusaya, Panupong e Parit participaram de uma coletiva de imprensa em que revelaram os detalhes sobre o grande protesto que ocorrerá no dia 19 deste mês.

Foi decidido que o encontro será na Universidade Thammasat, local historicamente conhecido por sediar muitos protestos estudantis, inclusive pela a democracia.

Segundo Penguim (apelido de Parit), o encontro ocorrerá no Campus Tha Prachan, localizado na região oeste da capital Bangcoc, no sábado às 14h e, no dia seguinte, às 08h, haverá uma marcha de aproximadamente 3 km até a Casa do Governo (escritório do primeiro ministro).

Em nota, a Universidade Thammasat repudiou a possibilidade de haver aglomeração em um de seus campus conforme dito pelas lideranças, porém, em sua conta pessoal no Facebook, Parit disse que não houve alterações.

Na conferência, ele afirmou que caso houvesse uma super lotação no campus, havia um “plano B”, a ocupação do Sanam Luang, local onde são realizadas algumas solenidades reais, cuja presença de civis não autorizados é vetada legalmente.

As lideranças estão otimistas e esperam uma adesão de aproximadamente 50 a 70 mil manifestantes, há quem aguarde até mesmo 100 mil.

Uma curiosidade, a data escolhida é a mesma em que ocorreu o Golpe de 2006, que destituiu Thaksin Shinawatra, então presidente na época, do poder. Esse é um dos motivos pelo ato se chamar “19 de Setembro: O Retorno do Poder ao Povo”.

Lembrete

Apenas para relembrá-los, a campanha pela democracia na Tailândia realizada por nós em parceria com o Aiigo! Doramas ainda não acabou. Dessa forma, iremos continuar a produzir conteúdo sobre as manifestações, mantendo vocês sempre informados. Para isso, continue acompanhando nossas redes sociais.

Além disso, se você ainda não viu o vídeo que fizemos explicando toda a trajetória política da Tailândia dos últimos 20 anos, clique aqui e confira.

Referências

Sobre a pauta estudantil: Bangkok Post

Sobre o dia 19 de setembro: Benar News, The Thaiger, Bangkok Post

Sobre a última prisão de Anon: Channel News Asia, BBC e Prachatai

Sobre Pavin (e o grupo “Mercado Realista”) e Somsak: Tvi24, SCMP, The Wire

Sobre as polêmicas do rei: Extra Globo, Prachatai

Sobre Tattep: Khaosod English, Asia Nikkei

Sobre as “10 reivindicações” de Panusaya: MSN

Sobre os rumores de um golpe: Khaosod English

Sobre o incidente no cinema: Khaosod English

Sobre o senador contrário à seção 272: Bangkok Post

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