Shilpa, a primeira personagem transsexual na Índia

Shilpa, a primeira personagem transsexual na Índia

Oiii! Olha eu aqui de novo com mais uma matéria especial para o Mês do Orgulho, mas já quero avisar que o filme que escolhi hoje não é o que geralmente é indicado na BLB ou em sites de conteúdo LGBTQ+ ou do nosso amado boys love. O filme que escolhi é um filme indiano, sei que muitos podem não estar acostumados com o estilo dos filmes indianos, mas espero que vocês possam dar uma oportunidade para o cinema desse país. 

Eu não sou aquela apaixonada por filmes e séries da Índia, mas já gostei de vários e mesmo que o jeito deles de contar uma história seja diferente não significa que não vale a pena assistir. Depois que vi o filme Super Deluxe tive uma sensação de pesar, mas também tive meu coração aquecido, pois ele tocou em vários temas que são considerados tabus no país. 

Sei que o preconceito existe em vários lugares, mas a Índia é um daqueles países conservadores e religiosos, para vocês terem uma ideia a homossexualidade era crime até 2018. Então você ver um filme indiano que tenha um personagem transexual pode ser considerado um marco histórico.

“Super Deluxe nos dá quatro histórias e os protagonistas de cada uma dessas histórias são testados em suas crenças das maneiras mais estranhas. Para o casal Vembu e Mukil, a situação em que eles entram é um teste para o relacionamento conjugal. É uma prova de amor de Shilpa, uma mulher trans que voltou para sua família. Para Arputham, que sobreviveu ao tsunami e encontrou um novo Deus, e Leela, uma ex-estrela pornô que está tentando desesperadamente salvar seu filho ferido, Soori, é um teste de sua crença em Deus e humanidade respectivamente. E há também três rapazes que enfrentam um teste literal de bravura.”

Não vou entrar em detalhe sobre todas as histórias, mesmo que seria interessante me aprofundar mais, já que todos os temas são importantes. Essa matéria será uma resenha do filme, mas apenas da personagem transexual Shilpa. Antes de conseguir realizar seu sonho de ser mulher, ele foi obrigada a se casar.

Como já tinha comentado, a Índia é um país religioso, por isso ela (Shilpa) acreditava que tinha passado seus pecados para seu filho. Foi por esse motivo que ela resolveu abandonar sua família e viver como “pecadora”. Depois de sete anos ela, consegue fazer a transição e resolve voltar para sua família.

Durante o sumiço do marido, Jyothi passava por várias humilhações, mas continuava firme pelo filho Raasu Kutti. Fugindo um pouco do foco, quero dizer que fiquei apaixonada pelo ator mirim (não consegui descobrir o nome dele), ele realmente conseguiu transmitir o sentimento de uma criança ansiosa para conhecer o pai.

Tudo que Raasu queria era mostrar o seu pai para seus colegas pararem de chamá-lo de filho de proveta. E a empolgação dele ao ver seu pai foi contagiante para mim, infelizmente não foi o mesmo para os familiares de Shilpa que ficaram olhando torto e se sentiram humilhados pela volta dessa “coisa”.

E não pasmem quando perceberem que era mais aceitável ela aparecer com outra família do que ser ela mesma. Mas isso não abalou Raasu e ele se arrumou todo para levar o pai para a escola. Mas como a gente sabe bem a vida não é fácil durante o trajeto, que deveria levar poucos minutos, mas acabou sendo uma verdadeira tortura para Shilpa.

Ela apanhou, foi presa, humilhada, proibida de entrar na escola do filho, e se não bastasse, foi abusada apenas por ser uma mulher trans. E quando estava a ponto de desmoronar e desistir de tudo fugindo novamente, Raasun aparece e mostra pra ela que não importa se ela “for homem ou mulher, o que importa é que eles têm que ficar juntos como uma família”.

Depois de ver esse “tapa na cara” de uma criança de sete anos para uma sociedade, eu simplesmente desmoronei e chorei. Foi um alívio para mim, porque durante todo o filme eu fiquei preocupada que o coração do Raasu ficasse escurecido com a maldade das pessoas. Mas mesmo tão jovem ele mostrou como nós adultos vivemos à mercê da própria ignorância      

Minha análise final é que se você abandonar todos os preconceitos com certeza vai enxergar a profundidade da crítica que Super Deluxe faz.

                                                                                           Bye, Bye da Kitty!! E fiquem com esse sorriso maravilhoso…

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Vitória

Aos poucos a Índia evolui.


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