Saindo do armário à força

Saindo do armário à força

Quero começar esta matéria com uma pergunta: por que é tão comum em doramas, principalmente do gênero Boys Love, o famoso Exposed do casal nas redes sociais?

Para tentar responder essa questão, usarei como base alguns doramas recentes.

Antes, vamos conversar um pouco sobre a internet.

Bem, não é novidade para ninguém que todos os dias somos bombardeados com uma gama variada de informações, desde memes a “cancelamentos”, principalmente neste momento tão delicado para todo mundo, em que as pessoas passaram a estar conectadas à internet por mais tempo.

Acontece que tanto na realidade quanto na ficção, sempre existiram pessoas de má índole que tentam se aproveitar das novas tecnologias para o mal.

Hoje, mais do que nunca, um simples smartphone se tornou um arma e, de acordo com a inclinação de seu usuário, ela pode ser utilizada para o bem ou não.

O fato é que cada vez mais tem sido mostrado em obras BL o valor simbólico das demonstrações de afeto online como método para corroborar o envolvimento amoroso de um casal, mas deixemos essa discussão para outro momento. Nesta matéria, quero dar voz a uma característica que cada vez mais tem tomado conta de parte considerável de obras de romance, em específico, do gênero Boys Love, o “sair do armário” à força.

Há, de fato, muitos fatores para que pessoas LGBT optem por omitir sua sexualidade ou não demonstrar afeto em público que vão desde a não aceitação por parte dos próprios familiares ao medo da repressão e violência, visto que, por exemplo, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo.

Seja como for, os dramas asiáticos que tratam de romances gays estão trazendo à tona essa questão em que basicamente alguém, irritado por algum motivo qualquer com um dos integrantes do casal (ou contra o casal), decide, por livre arbítrio, expor essa pessoa, o que não só se caracteriza como uma invasão à privacidade do indivíduo, como também o coloca numa situação constrangedora e humilhante para com todos seus conhecidos e também desconhecidos e desavisados da internet.

A situação é humilhante não pelo fato dele ser membro da comunidade, mas sim pela forma como foi falado para as outras pessoas.

Isso me fez pensar sobre duas coisas: a primeira, sobre o por que esse plot (que muitas vezes provém da novel) ter se tornado tão frequente e sobre a falta de empatia das pessoas, representada não só na ficção, mas também na realidade.

Será a humanidade tão tóxica a ponto de ser preferível rir e zombar do outro a não compartilhar e tentar impedir que isso se propague?

O que eu quero chamar atenção é para a normalização de enredos do tipo, salvo exceções em que por algum motivo a direção enfoque na procura pelo responsável dessa exposição ou que o autor ‘se conscientize’ do que fez, o restante trata isso de forma inerente ao encaminhamento do relacionamento do casal.

Ou seja, se o exposed ou qualquer boato espalhado não tivesse ocorrido, os rapazes jamais teriam capacidade de se aproximarem, tornarem-se mais íntimos etc.

O problema reside no fato da gente, enquanto telespectador, aceitar esse tipo de abordagem e tratar como normal.

É uma abordagem um tanto curiosa, ainda mais se pensarmos em plots passados (BLs de 2016/17), mas como já disse anteriormente, o que está ocorrendo, ao meu ver, é tentativa da reprodução mais fiel da realidade, ainda que com nuances.

Tenho dúvidas da probabilidade de duas pessoas que se conhecem ou então que namoram escondido (sejam elas LGBT) e, de repente, são fotografadas, filmadas e em seguida são expostas na internet.

Bom, conhecendo o mundo, e fazendo um recorte para cá, o que pode ocorrer? Dentre as hipóteses, o casal pode ser humilhado virtualmente (ainda que o número de simpatizantes com o mundo LGBT tenha crescido na internet), caso andem em público sem companhia, haverá um chance alta de serem violentados e, em casa, dependendo da opinião dos parentes, reprimidos ou expulsos de casa.

Exemplos desse tipo de abordagem são: o drama vietnamita “Love Stage”, ainda que com menor intensidade, “Gameboys” e “The Judgment” que são, ao meu ver, mais fidedignos à realidade de quem é vítima da exposição online.

Imagem: Reprodução

A conclusão a que se chega após uma breve reflexão é: mais uma vez se ratifica que BLs não representam a realidade (não fica tudo bem com as pessoas expostas) e está ocorrendo um movimento nesse segmento em que se tenta adaptar e representar cada vez mais como a internet e seus usuários agem em situações desse tipo, isto é, em vez de coibir a difusão desse material, percebe-se a perpetuação de uma postura conivente por parte dos internautas.

Não é necessário que você ou algum conhecido seu seja exposto na internet para que haja consciência sobre o assunto. Reflita!

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Camila Vani

Ótima matéria! ‘Exposeds’ são bem frequentes em doramas, e nem consigo imaginar o quanto deve ser doído, grata por ter retratado uma questão tão importante.


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