Representatividade em Sailor Moon

Representatividade em Sailor Moon

Uma garotinha branca, loira e de olhos claros com seu jeito de menina mimada, super distraída e atrapalhada, uma verdadeira “cabeça de vento”. Essa é Tsukino Usagi (ou Serena Tsukino em algumas dublagens), quando apontamos essas características a protagonista de Sailor Moon não parece ser uma obra que fala de mulheres guerreiras e repleta de representatividade de gênero e orientação sexual. Porém, contrariando todas as iniciais perspectivas, a série de mangá e anime “Sailor Moon” (美少女戦士セーラームーン) escrita e ilustrada por Naoko Takeuchi desde o início dos anos 90 é o retrato da diversidade de maneira singela e doce, sem estereótipos, vulgaridade, podendo ser compreendido por toda faixa etária, sendo interpretado até mesmo como um entendimento do amor independentemente de qualquer outra barreira. 

Sailor Moon' ganhará novo filme em 2020; assista ao 1º teaser ...

Além de ser um grande ícone dos anos 90, popularizou grandiosamente o gênero de Garotas Mágicas (Maho shōjo) e foi reconhecida como uma das grandes obras de animação e mangás já feitos, a trama de Sailor Moon e cia já abordavam assuntos que ainda hoje são vistos como tabu e fazem parte de cada dia da minoria LGBTQIA+, como por exemplo: Mulheres guerreiras que salvam ao invés de serem salvas, atração romântica entre pessoas do mesmo gênero, androginia, pessoas transgêneros etc. 

Chegando às terras tupiniquins por volta de 1996, transmitida pela Rede Manchete, o anime passou por várias emissoras e programas de TV, conquistando fãs de todos os gêneros e idades, disseminando sua mensagem e, claro, arrancando muitas risadas pelas birras de Usagi, que ora estava atrasada para escola, mas logo após, junto de suas amigas se tornavam as fortes e poderosas Sailors que lutavam contra o mal no mundo. E, como na vida real o cotidiano de relações entre essas garotas também era abordado de maneira sensível e natural explorando um vasto leque de maneiras de amar, representando além de mulheres fortes, pessoas que provavelmente naquela época nunca se viram representadas antes, tangendo os aspectos de sexualidade, como o das personagens Michiru e Haruka (Sailor Netuno e Sailor Urano). 

Michiru is so in love with Haruka | SeraMyu Sparkles

Surgindo na terceira temporada de “Sailor Moon S” do anime, ambas lutam por um misterioso objetivo em comum, muitas vezes batendo de frente com a formação de Sailor Moon, mas sem impedir que a trama mostrasse o nuance romântico e completamente apaixonado que existe entre o casal, mesmo que nenhum contato íntimo físico tenha sido exibido. Apesar do relacionamento romântico entre as personagens ser óbvio para o público, as dublagens com intuito de transmitir uma imagem heteronormativa e “tradicional” mudaram a relação do casal para uma versão em que o diálogo as tornem primas, apesar da proximidade romântica óbvia entre elas, deixando muitos espectadores confusos e espantados. 

Contudo, podemos perceber que não só existe representatividade nas temporadas iniciais de Sailor Moon no lado da Lua Cheia, mais também na temporada S onde Netuno e Urano são apresentadas com sua real relação, o lado da Lua Nova dominada pelo enviado do mal que estaria vivendo no corpo de Hotaru (Sailor Saturno), juntamente com a ajuda de seu pai e as bruxas, criam demônios artificiais que se apresentam muitas vezes por um gênero não-binário, sendo raros os casos em que eles se definem ou falam de tal detalhe. 

Eventos estes que são observados na temporada de Sailor Moon Classic e R, ainda dentro desse universo até mesmo os malvados são amplamente diversos e têm sua sexualidade muito bem trabalhada; Vilões como: o casal gay no anime Kunzite e Zoisite.

Steam Workshop::Zoisite and Kunzite SM

Em Sailor Moon Super S, a luta para a libertação de Pégasus, ser este representado de maneira andrógina durante a trama, das mãos de Nehellenia, rainha do Circo Dead Moon, que almeja a dominação do universo com o poder do Cristal Dourado. Assim, as figuras do Trio Amazonas fazem a parte fundamental do início da trama, em especial o olho de Peixes, personagem transgênero (dublado por Marcelo Campos) que ao longo da trama é o único que procura vítimas masculinas para encontrar o cristal dourado. A real história do Trio Amazonas vem de poder mágico de Nehellenia que transformou um Tigre, Corvo e Peixe em seus servos para a busca inicial do temido cristal. Bem como os demônios que vivem nas sombras do Trio e do Quarteto Amazonas que assumem uma segunda parte da trama são identificados em sua maioria como transgêneros. 

Em Sailor Moon Stars, o trio de Sailors Star assim como Sailor Netuno e Sailor Urano, também empoderaram mais uma letra da diversidade. Já que apenas mulheres podem ser Sailors, Seiya, Taiki e Yaten mesmo em corpos masculinos quando chegam a Terra durante suas transformações nas Sailors Stars, conquistam corpos femininos trazendo muita representatividade para a comunidade transexual, *apesar de ter falado explicitamente* sobre o assunto, a autora consegue trazer argumentos necessários em sua obra que valem mais que palavra e ainda possa driblar possíveis imposições intolerantes pela provável falta de argumento do acusador. 

Até mesmo nossa querida protagonista loira dos olhos azuis não se prende em rótulos e aparências quando o quesito é se apaixonar, desenvolvendo um afeto romântico por Seiya e também por Haruka.

Usagi, Seiya, Haruka (#Usagi #Serenity #Sailor Moon #Seiya #Star ...

Sailor Moon pode parecer apelar para mais uma obra de garotas mágicas que foi desenvolvida para entreter as meninas, quando vista por olhos superficiais e desatentos, mas em pleno anos 90, Sailor Moon retratou o que era tabu e o que até hoje é encarado com muito preconceito e discriminação, Naoko Takeuchi passou com tanta gentileza e naturalidade o mundo ideal onde as pessoas não são julgadas por sua sexualidade e nem motivo de curiosidade e espanto pela mesma, mas sim por suas atitudes e índole. 

Por Aiu Park e Vih.
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