Refletindo sobre a vida com “To Each His Own”

Refletindo sobre a vida com “To Each His Own”

Olá pessoal, tudo bem com vocês? Bom, hoje trago para vocês uma indicação de filme. Sendo sincero com vocês, pensei que seria um bl, mas felizmente me enganei e tive uma surpresa maravilhosa.

“To Each His Own” é um filme japonês lançado em 2017 que fala sobre muitas coisas, por exemplo, os problemas da vida adulta como as cobranças da vida profissional, além disso, mostra as pressões socioeconômicas, e, talvez, o assunto mais delicado, o suicídio.

É válido lembrar que Setembro é o mês da campanha de prevenção do suicídio, e nós da Boys Love Brasil aderimos ao movimento.

Resumo

A série se passa em torno da vida de Takashi Aoyama, interpretado pelo ator Kudo Asuka, que trabalha no setor de vendas de uma grande empresa. Takashi, assim como todos os seus colegas tem uma intensa rotina de trabalho e, neste ambiente agitado e marcado por bastante cobrança, podemos destacar, além do protagonista, Igarashi, interpretada por Kuroki Haru, uma figura bastante interessante e que, caso você assista ao filme, irá te surpreender.

Ademais, ainda sobre o escritório, outra figura é muito importante para o desenvolvimento da obra, me refiro ao chefe de Aoyama, Mamoru Yamagami, interpretado por Yoshida Kotaru, se o nome não soou familiar, talvez relembre a outras personagens que ele tenha feito na saga “Ossan’s Love”, tanto lá como aqui, Yoshida foi um chefe, todavia com personalidades drasticamente diferentes.

Mamoru Yamagami (Yoshida Kotaru)

Devido à exaustão causada por sua rotina estressante, insultos e cobrança de seu superior, numa certa noite, após sair da empresa, Aoyama vai para casa e, na plataforma da estação, faz um rápido balanço de tudo o que está acontecendo em sua vida, sobre suas frustrações, cobranças e arrependimentos. De repente, quando o seu trem está a caminho, Takashi fecha seus olhos e se inclina em direção ao mesmo.

Neste momento, o protagonista é puxado por um rapaz, e todos voltamos a respirar com alívio. Esse moço, vestido num estilo tropical, com roupas coloridas e chinelos, é o nosso grande herói. Sem dar muitos spoilers, ele se chama Yu Yamamoto e é interpretado pelo ator Fukushi Sota. Sobre esse personagem, tudo o que tenho para dizer é que ele é incrível e possui uma personalidade ímpar.

Daí em diante, a história que parecia ter acabado, só estava começando.

Por que assistir?

Como citei no começo, o dorama aborda questões sobre a vida, principalmente sobre a vida adulta, como as pressões de uma profissão e as cobranças; a visão da “necessidade de construir uma família”; a tentativa de conciliação entre a vida privada e profissional, e a necessidade de conservar a saúde mental.

Imagem: Reprodução

Outro aspecto bastante interessante desse dorama é que, indiretamente, pode se perceber uma crítica suave a cultura japonesa sobre o trabalho excessivo. Não sei se este assunto é familiar para você, mas em animes e outros j-dramas que abordam um ambiente de trabalho (geralmente escritórios) nota-se a presença de personagens totalmente comprometidas com suas obrigações, realizando horas extras, perdendo noites de sono e ficando muitas vezes doentes, mas sempre cumprindo com suas obrigações.  

Ainda que o povo japonês seja conhecido pela sua disciplina e polidez, é nesse mesmo país onde os índices de morte por excesso de trabalho são elevados, dados de uma pesquisa de 2014 do Instituto de Política do Trabalho e Treinamento do Japão mostrou que 22% dos trabalhadores possuem uma jornada de trabalho acima de 49 horas semanais.

Voltando para a obra, é brilhante a abordagem de Yamamoto com o nosso protagonista Takashi, uma vez que aquele conseguiu dissolver os seus pensamentos e mudou toda a sua visão de mundo. Aqui faço um parêntese à importância de um amigo, um simples ouvinte, uma pessoa capaz de disponibilizar o seu tempo para ouvir alguém que passa por problemas, dificuldades como pensamentos suicidas.

Dessa maneira, faço um apelo para você, leitor, caso esteja passando por uma situação complicada, um período conturbado, não hesite! Fale com um amigo, um parente, qualquer pessoa que tenha confiança e saiba que irá escutá-lo sem julgamentos, às vezes, uma conversa simples tira um enorme peso da consciência e nos faz muito melhor.

Da mesma forma, se você conhece alguém que esteja passando por algum sufoco, não deixe de apoiá-lo. Disponibilize-se! Caso note um comportamento diferente, anormal, apático, pergunte, mostre interesse. Talvez um simples “está tudo bem?” pode fazer toda a diferença, pois uma pessoa que está se sentindo sozinha, abandonada, ao ser questionada sobre o seu humor, dissolverá tais pensamentos e se sentirá notada. Pode parecer bobo, mas acredite, não é.

Um último motivo que me faz indicar esse dorama é o fato da obra salientar a importância da esperança. Não me recordo claramente da frase pronunciada, mas é algo parecido como: “E se algum dia tiver vontade de desistir, desista disso [de desistir], devemos ter esperança e caso não consiga encontrá-la, faça-a, crie sua própria esperança”.

Desabafo

Não é novidade para você, leitor, que ninguém é feliz 24h por dia. É perfeitamente normal acordar e se sentir mal, digo, não estar satisfeito com o seu corpo, o seu emprego ou suas notas, por exemplo. Ter um dia ruim também está incluso, aquele longo dia em que tudo vai de mal a pior.

Mas, se essa apatia persistir, isto é, se todos os dias, ao acordar, você sentir as mesmas coisas, os mesmos sentimentos de insatisfação e tudo mais, amigo, eu tenho uma sugestão, mude!

Basta mudar, sair do lugar e, quando perceber que não está conseguindo fazer algo sozinho, peça auxílio, não tente fazer tudo sozinho, é contraindicado, faz mal!

Um método eficaz para afastar pensamentos negativos é dar valor ao que temos ou àquilo que deveríamos agradecer, não é conformismo, mas sim praticar o seguinte exercício mental: puxa vida, eu estou aqui triste, por isso, aquilo e tudo mais, já tive vontade de morrer hoje, não paro de reclamar sobre esse problema… Mas, nossa, que coisa! Neste exato momento, há pessoas lutando brutalmente contra aparelhos num hospital para sobreviver! Será que esse meu problema é… tão grave assim? E se eu enxergasse isso com outro olhar? Se eu pedisse ajuda, desabafasse com alguém?

Uma coisa que eu gostaria de esclarecer é que não devemos banalizar a dor de ninguém, pelo contrário, devemos respeitar toda e qualquer manifestação de sofrimento. O que eu quis dizer com o último parágrafo é que, muitas vezes, reclamamos e ficamos tristes por motivos pequenos e sempre que tivermos esse tipo de comportamento, podemos pensar sobre outros indivíduos que estão, muitas vezes, em situações muito piores, mas que estão satisfeitos por estarem vivos, ainda que bombardeados de dificuldades.  

Pode ser que eu tenha desviado e muito o objetivo inicial do texto, mas senti a necessidade de escrever tais palavras.

Sinceramente, eu espero que você, leitor, veja “To Each His Own” e tire suas próprias conclusões, tentei dar o mínimo de spoilers sobre a obra, porque realmente é muito boa e toca assuntos sensíveis e atuais.

Imagem: Reprodução

O filme encontra-se disponível e legendado no Youtube pelo canal do P’Tieris.

Setembro Amarelo

É preciso relembrá-los que estamos no mês amarelo, período da campanha de prevenção ao suicídio. Dessa forma, durante todo o mês, a Boys Love Brasil, além de nossa habitual programação, traremos também conteúdos relacionados à causa, engajando e demonstrando todo o nosso apoio à preservação da vida.

Caso sinta necessidade ou conheça alguém que precise, contate o Centro de Valorização da Vida (CCV), uma instituição que auxilia pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, atuando na prevenção ao suicídio. Para conversar com um dos colaboradores, ligue para 188 ou acesse o site. Não se preocupe, o atendimento é 100% gratuito e funciona 24h por dia.

Referências

Matérias sobre o filme: Japan Times e SCMP (em inglês)

Sobre trabalhos excessivos e horas extras no Japão: BBC e Vice

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