O Castelo Animado | Hayao Miyazaki

O Castelo Animado | Hayao Miyazaki

Hoje é um dia especial, pois independentemente das nossas idades, voltamos a ser criança novamente. Por isso que tal relembrarmos de um clássico do ano 2000 do Studio Ghibli?

O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro ou ハウルの動く城 ) é uma animação japonesa de 2004, produzida pelo Studio Ghibli. Roteirizado e dirigido pelo grande mestre Hayao Miyazaki, ganhador do Oscar de melhor animação em “A Viagem de Chihiro”, também é criador do clássico “A Princesa Mononoke”, “Porco Rosso”, “Meu Amigo Totoro” e diversas outras animações criadas por ele. O longa-metragem (se assim posso dizer: clássico-moderno) é uma produção recheada de encantos em suas cores vivas, cenários e detalhes de preenchimento. O castelo animado foi adaptado de um romance fantasia literário da autora britânica, Diana Wynne Jones. 

Imagem retirada do site Studio Ghibli (Personagens) | Reprodução

A história se passa em um universo de magia, onde bruxas, feiticeiros e reinos são figuras comuns na sociedade dos humanos. O enredo apresenta uma jovem tímida chamada Sophie, que toca para frente os negócios de seu falecido pai, uma humilde chapelaria. Em meio a um grande evento em sua cidade, Sophie vai para o centro a fim de se encontrar com sua irmã Lettie que trabalha em uma cafeteria como balconista, na sua ida para o centro se vê perdida e encurralada pela presença de dois soldados presunçosos. Por fim, um cavalheiro misterioso surge ao seu lado, dando a entender que a conhecia. Ao se livrar do inconveniente, o cavalheiro acompanha Sophie e a alerta de que ele está sendo seguido (por criaturas esquisitas), quando os dois se vêem cercados, são arremessados para o alto e com a ajuda da magia caminham sob o ar/telhados até a cafeteira.

Em meio a isto temos a Bruxa da terra abandonada que anda rondando a cidade atrás de algo do seu interesse, e que por sinal descobre através de seus “bodes expiatórios” que uma jovem foi vista ao lado de um feiticeiro naquele entardecer. Indo mais além das montanhas cobertas por nuvens e nevoeiros, podemos encontrar uma vez e outra o grande castelo do Feiticeiro Howl, conhecido por roubar e devorar os corações de moças bonitas.

Ao cair da noite, daquele mesmo dia, Sophie retorna para a chapelaria e acaba sendo surpreendida pela presença de uma dama que surge dentro da loja, sendo esta a bruxa das terras abandonadas. Sophie sem saber quem era caiu sob uma maldição da bruxa, que a fez envelhecer. Desesperada, na manhã do dia seguinte partiu para as montanhas a fim de que encontrar uma forma de se livrar da maldição, na metade de um caminho sem fim, se depara com um espantalho – Senhor Cabeça de Nabo (também amaldiçoado) que a leva até o castelo de Howl. Escondendo sua identidade através da aparência, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, isso a faz se envolver com os demais moradores do castelo. Calcifer (fogo-fátuo), é responsável por conduzir o castelo para outros lugares e longe das tropas inimigas. Além de atender as necessidades de quem está em sua volta, ele é o coração de seu Mestre. Sempre que Howls sai para uma missão, Markl fica responsável por cuidar dos negócios, atendendo as pessoas que sempre buscam pequenos feitiços para o uso pessoal.

Uma Dose de Observação:

Encontraremos um universo surreal e um tantinho diferente do nosso, mas podemos tirar alguns pontos críticos da animação que reflete em nossa sociedade. 

Temos o avanço da industrialização desenfreada, e junto a ela uma grande guerra interminável entre os bruxos, feiticeiros, e máquinas (naves) de combates feito pelo homem, onde sempre estão presentes do início ao fim em um século bem curioso para ser tratado dentro enredo. É bastante notório as técnicas de 2D & 3D utilizadas em torno da animação, visto que ao longo do caminho houveram grandes evoluções em suas técnicas. A animação acaba nos arrebatando de uma forma favorável nas paisagens, a construção das cidades europeias com o toque francês e vitoriano. Hayao teve que viajar até a França para estudar a arquitetura de casas antigas para a construção do universo de castelo animado.

Vou citar aqui algumas curiosidades que merecem destaque. Apresentarei pontos críticos que devem ser mencionados, então poderá haver SPOILERS entre a animação e o livro.

O próprio castelo é cercado por diversos elementos que nos faz lembrar grandes  obras de artes. Um outro ponto é que o próprio castelo vai se moldando diversas vezes, de acordo com o comportamento de Howls e seu estado caótico. Em relação à trilha sonora ficou por parte do compositor Joe Hisaishi que captou totalmente os cenários e as essências que a história entregava, tendo aí um trabalho sonoro incrível e emocionante ao mesmo tempo sinfônico europeu. 

O lado negativo a ser destacado, é que a obra original do mesmo nome, da autora Diana Wynne Jones, teve diversas alterações na construção do longa de Hayao Miyazaki, deixando de lado alguns propósitos dos personagens do livro e os descartando ao escárnio da esperança, pois cada um deles são arduamente lapidados pelas suas escolhas e responsabilidades. No livro (e em uma pequena parte na adaptação), vemos suas verdadeiras personalidades como o comodismo, a ambição e o interesse próprio. Volto a bater na tecla que houve MUITAS mudanças para a animação, privando o verdadeiro desenvolvimento da história, e focando mais nas técnicas. Vale destacar aqui elementos essenciais que complementam a construção de alguns personagens, também foram esquecidos pelo Hayao, como a família de Sophie – seria a base para a construção da personagem, o passado de Howls e o universo que o cerca – deixando um histórico raso demais, e, má colocação (extra) de Suliman que deixa suspenso no ar a sua posição, e os propósitos dela, durante a história. 

Claro que todos os reinos ali estão atrás de Howls, e querem que ele se decida a quem deve aliar-se na grande guerra. Outro ponto mal explicado é o que deu início aquela guerra interminável? De fato a animação é muito incrível pelas suas técnicas, e detalhes vibrantes.

Em questão de bilheteria, o filme angariou mais de 14,5 milhões de dólares só na primeira semana de lançamento no Japão, e em outros países houve também boas recepções positivas. Afinal estamos falando de Hayao Miyazaki.

Essa resenha foi realizada com base da Studio Ghibli e também pelo livro que foi publicado aqui no Brasil, pela Grupo Editorial Record (selo Galera). Espero que tenham gostado, não se esqueça de deixar sua opinião nos comentários.

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Créditos:

Arte de divulgação: | Referência: Studio Ghibli, Selo Record, Walt Disney | Revisão: Kawê Oliveira | Texto: Paulo G. Veloso

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