Milk Tea Alliance: como um “treta” envolvendo um ator BL consolidou uma aliança pró-democracia.

Milk Tea Alliance: como um “treta” envolvendo um ator BL consolidou uma aliança pró-democracia.

Muitos de vocês que acompanham as notícias dos bastidores do meio BL e gostam de saber sobre a vida dos atores, tretas, fofocas e etc., talvez já ouviram falar  (e se não ouviram, vão saber do que se trata neste texto) da treta envolvendo o ator Bright, intérprete do Sarawat, de “2gether: The Series”; essa polêmica aconteceu em meados de Abril deste ano; mas o que talvez você não saiba é que essa treta resultou numa aliança política sem precedentes envolvendo países e territórios do Leste Asiático, precisamente Tailândia, China, Taiwan e Hong Kong. E a partir daí, teve influência indireta nos protestos pró-democracia que se intensificaram na Tailândia nos últimos meses.

Mapa mostrando parte do Leste Asiático, em vermelho, em destaque, os territórios da Tailândia, Taiwan e Hong Kong que formam juntos a Milk Tea Alliance. Foto: Reprodução

Tudo começou em Abril, quando o ator tailandês, “Bright” Vachirawit Chivaaree, que ficou famoso após protagonizar a série BL  tailandesa “2gether: The series”, como Sarawat, atingindo um sucesso grande tanto na Tailândia, quanto em outros países da região e do mundo, inclusive na China; o ator fez uma publicação no Twitter em que apareciam 4 fotos de 4 diferentes lugares da Ásia; e esses lugares apareciam listados como sendo países, acontece que um desses lugares, à qual o post se referia como sendo países, era Hong Kong; um território semi-autônomo, pertencente à República Popular da China, que no ano passado por mais de 7 meses, desafiou o governo chinês com protestos exigindo mais democracia.

O ator tailandês Bright Vachirawit, se tornou famoso na China após protagonizar a série BL “2gether”, e foi atacado por seus fãs chineses, após publicar um post afirmando que Hong Kong era um país. Foto: reprodução

Fãs chineses do ator não gostaram nada do post e passaram a atacá-lo com postagens nacionalistas enaltecendo o princípio de uma só China, xingando o ator, e até pedindo o boicote da série de TV em que o ator participou, entre outras publicações. O ator então apagou a postagem e pediu desculpas; mas a situação se complicou ainda mais quando esses mesmos “trolls” chineses, que se diziam fãs, acharam uma postagem antiga da namorada dele, em que nesta, ela supostamente se referia a Taiwan, como sendo um país; Taiwan, é tida pela China comunista como sendo uma “província” rebelde, embora seja na prática independente, e a China continental não exerça de fato um domínio sobre esse território, sua independência não é reconhecida internacionalmente.

Voltando à história da treta, os “trolls chineses”, conseguindo para surpresa de muitos superar a barreira do “Firewall Online”, que a China adota, censurando redes sociais como Twitter e Instagram; intensificaram os ataques contra o ator e sua namorada, defendendo os princípios nacionalistas chineses; mas os fãs tailandeses do Bright contra-atacaram bombardeando as redes sociais com memes e postagens pró-Hong Kong, e pró-Taiwan, além de atacarem o governo chinês e seu autoritarismo; os chineses então começaram a fazer memes e postagens atacando a monarquia e o governo tailandeses, para o deleite da maioria dos jovens tailandeses, que naquele momento estavam engajados a meses em protestos de rua e críticas online justamente contra o governo do país e contra a instituição monárquica.

Internautas de Hong Kong e Taiwan vendo suas pautas serem defendidas pelos tailandeses, se juntaram às críticas anti-China e passaram a ajudar os internautas tailandeses em sua cruzada. A partir daí, tendo o conflito se iniciado com um ator de BL, estava formada a Aliança do Chá com Leite. Nos meses seguintes se intensificaram os protestos pró-democracia na Tailândia, e a aliança de solidariedade digital saiu do ciberespaço e passou a invadir as ruas, com os líderes de protesto de Hong Kong e Tailândia apoiando-se e compartilhando táticas de organização.

Caso você ainda não esteja por dentro da atual situação política na Tailândia, nós da Boys Love Brasil já fizemos matérias sobre o fato, clique aqui, aqui, aqui, e aqui para ler em ordem cronológica as matérias já feitas.

Caso você já saiba do contexto das manifestações na Tailândia, ou se inteirou agora lendo as matérias nos links acima; seguiremos falando sobre a “Milk Tea Alliance”, e sua relação com os protestos pró-democracia na Tailândia.

Os organizadores dos protestos pró-democracia da Tailândia foram inspirados pelos movimentos pró-democracia de Hong Kong, que desafiaram o governo chinês com mais de 7 meses de protestos seguidos no ano passado. Ambos os movimentos se apoiam e também contam com o apoio de ativistas de Taiwan, a província “rebelde” da China que rompeu com o governo continental depois da Guerra Civil Chinesa que instalou a República Comunista na China continental; a geração mais jovem de taiwaneses teme uma invasão chinesa, ou a própria influência chinesa sobre o território.

Ativistas pró-democracia de Hong Kong, da Tailândia e de Taiwan formaram a Aliança do Chá com Leite, em inglês, “Milk Tea Alliance”, em referência à bebida popular em ambos os lugares, mas que não é popular na China; após se unirem na “treta online” envolvendo o ator Bright; e agora passaram a  compartilhar táticas de defesas e estratégias durante os protestos, além de serem contrários ao imperialismo chinês sobre a região.

Ilustração representando a bebida Chá com Leite, e cada uma com a bandeira de um país da Aliança. Foto: Reprodução.

Várias táticas adotadas nos protestos pró-democracia na Tailândia se assemelham a táticas já usadas nos protestos pró-democracia em Hong Kong; o uso de guarda-chuvas, máscaras de gás e capacetes, utilizados para se defenderem da repressão policial, como por exemplo no dia 16 de outubro, quando manifestantes foram atingidos por bombas de gás lacrimogêneo, canhões d’água e por uma substância química chamada azul de metileno.

Repressão policial conta um protesto pacífico que ocorreu no dia 16 de Outubro, na Tailândia. Foto: Reprodução

Quando quase todos os importantes líderes dos protestos foram presos, os manifestantes se inspiraram na experiência vivida em Hong Kong para dar continuação aos protestos, gritos de “somos todos líderes” foram ecoados durante as manifestações, e esse mesmo discurso invadiu as redes sociais e virou tendência no Twitter, a estratégia deu certo e houve atos políticos  ainda maiores do que quando haviam líderes para organizar os protestos; como no território chinês, manifestantes colocam seus próximos atos em votação em plataformas de mídia social como o Facebook e o Telegram, aplicativos mais usados pelos manifestantes, esse último chegou a ser bloqueado no país, outro método usado pelos manifestantes é o uso de sinais manuais diferentes, usados para determinadas situações, além do método do uso do “telefone sem fio”, usando essa metodologia em que é possível passar uma informação de um extremo ao outro da multidão em poucos minutos.

Embora ambos os protestos tenham se iniciado com reclamações inteiramente locais: enquanto os manifestantes de Hong Kong pediam a renúncia da líder de Governo Carrie Lam, exigiram o sufrágio universal e protestaram contra a crescente influência de Pequim nos assuntos da região semi-autônoma, já na Tailândia pedem a renúncia do primeiro-ministro golpista Prayuth Chan-ocha, e reformas na poderosa e intocável Monarquia do país, algo sem precedentes, um desafio contra a poderosa instituição protegida de críticas por rígidas leis. Porém os ativistas dos dois lugares viram suas lutas por mais democracia, com muitos valores compartilhados e passaram a se apoiar.

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