Hong Kong: Houve Progresso?

Hong Kong: Houve Progresso?

Dando continuidade aos protestos que assolam o arquipélago localizado a sudoeste do exímio dragão asiático, as manifestações em Hong Kong ultrapassam quatro meses de duração. Caso você ainda não tenha lido a primeira parte sobre esse assunto, clique aqui

Desde a última matéria publicada no site sobre Hong Kong, as motivações e os resultados dos protestos já tomaram outras proporções. O que parecia ser um simples ato contra a tentativa do governo de arrefecer as intrínsecas liberdades da ilha, concebidas em 1997, agora segue um caminho mais radical, mas tudo em prol da “democracia”. 

Após a chefe do executivo, Carrie Lam, afirmar que o seu projeto de lei foi um fracasso, os cidadãos não se sentiram satisfeitos, pelo contrário, além de impedirem o andamento da legislação que permitiria que presos políticos em Hong Kong pudessem ser extraditados para Pequim, também exigem a saída de Lam.

De lá pra cá, diversos segmentos mobilizaram-se a favor desses pedidos, como mães e idosos, porém o setor social com maior destaque é, sobretudo, a juventude. Segundo o secretário-chefe da Administração, Matthew Cheung, dos 2.379 detidos pela polícia desde o início das manifestações, em junho, 750 tinham menos de 18 anos e 104 menos de 16. Isso representa, aproximadamente, um terço de todos os que já foram presos até o momento. 

Nova Primavera Árabe 

Deixando os holofotes ainda sobre os jovens, percebe-se, cada vez mais, o uso da tecnologia como forma de evocar encontros e despistar as autoridades, com uso de smartphones e aplicativos de localização. Esse fenômeno permite a comparação entre essa onda de manifestações com outras realizadas em 2010, marcadas pela sucessiva eclosão de motins civis a fim de derrubar governos autoritários no Oriente Médio.

A intersecção entre os dois casos se dá pelo fato de contarem, ambas, com a participação expressiva de jovens engajados na luta pela democracia a qualquer custo e pelo uso das tecnologias, por exemplo a internet, como veículo de disseminação das ideias e marcação de reuniões e atos políticos. Seria possível, quiçá, afirmar que há 9 anos os manifestantes tivessem mais vantagens do que os de agora, uma vez que as autoridades da época não utilizavam os recursos tecnológicos a seu favor, como acontece com o governo chinês, por exemplo.

Censura e China

Além do próprio governo da ilha, quem estrebucha com essa sucessão de revoltas que já duram meses é a China. Não é somente política e diplomaticamente que Pequim se sente ameaçada, uma vez que tais atos representam uma rebelião contra a grande potência asiática e imperialista, mas também economicamente, pois embora a pequena ilha represente apenas cerca de 3% do PIB de todo o país, ela torna-se estratégica para o gigante vermelho, já que serve de vitrine capitalista para a concessão de acordos com outras nações e também possui, em seu território, variadas redes de fundos de investimentos chineses, o que inviabiliza qualquer tipo de separatismo ou ação autoritária direta.

Mas então a China decidiu permanecer estática? Não. Fora o prejuízo financeiro, tudo o que o grande dragão não quer no momento é que essa onda de rebelião se espalhe para o restante de sua extensão, para isso vem realizando uma série de medidas consideradas “normais” para os cidadãos continentais, porém totalmente irracionais e autoritárias para qualquer membro de um regime democrático.

Alguns exemplos de seus mecanismos de contenção mais recentes são: o cancelamento das transmissões de jogos da pré-temporada da NBA, além da remoção de inúmeros patrocínios à liga após um executivo do Houston Rockets tuitar apoio aos manifestantes de Hong Kong. A NBA se recusou a se retratar e alegou ser direito de liberdade do executivo expressar a sua opinião.

O caso da Apple foi um pouco diferente, a empresa norte-americana que possui um quinto de seu mercado consumidor localizado na China, além de grande parte de seus produtos fabricados pela mão de obra chinesa barata, foi notificada recentemente pelo governo chinês devido a presença de aplicativos que rastreiam a atividade policial, fator que auxiliaria os manifestantes e, portanto, representa uma ameaça a integridade do governo local, segundo o mesmo. Em resumo, a empresa retirou os aplicativos do ar na ilha, alegando estar cumpindo as “leis locais”.

Violência

O que não se pode negar no meio de toda essa movimentação é o agravamento da violência no país, ainda que não seja insuflada pelas lideranças, mas sim por alas radicais das passeatas. Exemplos disso estão em todos os telejornais: a depredação de patrimônios públicos, a pichação, invasões a meios de transporte com a utilização de coquetéis molotov, entre outros. 

Esse comportamento poderá, dependendo das proporções que atingir, corromper com os princípios iniciais do movimento, isto é, a luta pela manutenção da liberdade. Caso a incidência de comportamentos violentos continue crescendo, ficará cada vez mais difícil defender a população, uma vez que esse aumento apenas fornece mais argumento para que o governo local, manipulado por Pequim, aprove medidas consideradas antidemocráticas com o intuito de conter o caos interno.

Exemplo disso é o sancionamento de uma lei que proíbe o uso de máscaras pelos manifestantes, salvo os casos de indivíduos portadores de quaisquer enfermidades respiratórias. Essa medida faz parte do pacote de “leis emergenciais”, criadas durante a Era Colonial, que permitem às autoridades adotarem qualquer regulamento com intuito de manter a ordem interna, como censura midiática e toques de recolher.  

Houve, claro, mais manifestações, mas até quando irão ocorrer tais protestos? Quais são, hoje, os verdadeiros objetivos das passeatas, sendo que, aparentemente, não existe mais um consenso entre as próprias lideranças e o restante dos grupos?  Deixe a sua opinião nos comentários.

**matéria originalmente publicada em agosto de 2019, adaptada.

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