Histórico Nazi-Fascista Brasileiro

Histórico Nazi-Fascista Brasileiro

No final do ano passado, um homem utilizando uma suástica em seu braço foi fotografado enquanto estava num restaurante em Unaí, cidade do interior de Minas Gerais. 

A imagem viralizou nas redes sociais e gerou muita polêmica. Para os mais de 209 milhões de habitantes deste país, talvez grande parte tenha ficado intrigado com a existência de cidadãos que ainda partilham desses ideais, já que historicamente, os brasileiros somos frutos da miscigenação. 

O homem que fazia uso do símbolo representante do nazismo é um pecuarista famoso da cidade, parentes alegam que ele possui problemas mentais. Muito embora, um primo seu, por meio das redes sociais, demonstrou seu total repúdio ao comportamento do parente. 

José Eugênio Adjuto, conhecido como Zecão Adjuto, não foi preso, segundo a polícia, o ato não poderia ser classificado como criminoso, uma vez que o indivíduo não fez uso da violência direta e, portanto, não pôde se enquadrar no artigo 20 da Lei n° 7.716, de 1989, que condena de 2 à 5 anos pessoas que fabricam, comercializam ou distribuem símbolos ou ornamentos que utilizem a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo.

Espero que nomes como Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco, Antônio Oliveira Salazar e muitos outros ainda não tenham caído em ostracismo para os brasileiros e também humanidade. Tomando eles como base.

A ascensão de regimes totalitários se deu no período entreguerras, cujo ápice foi a quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. Naquele momento, civis de todo o mundo e, principalmente, do ocidente estavam desacreditados com o que havia acontecido nos EUA. Foi um momento crítico para as democracias liberais ocidentais, pois abriu espaço para que propostas como a “Terceira Via”, por exemplo, surgissem. 

Tal fato iniciou o que mais tarde a humanidade jamais sonhou vislumbrar, o holocausto. 

Vargas e os Anos 30

Talvez alguns estejam se questionando sobre quando o fascismo/nazismo se infiltrou no Brasil. Não pretendo, jamais, fornecer uma resposta absoluta para essa pergunta, mas posso asseverar que foi durante o governo de Getúlio Vargas que tais filosofias ganharam mais espaço no país. 

Um exemplo nítido dessa influência está na figura de Plínio Salgado, idealizador do AIB (Ação Integralista Brasileira), movimento de tendência fascista que floresceu no período constitucional de Getúlio.

Cartaz revolucionário

Aqui é nítido como o povo brasileiro, desde sempre, incorporou os acontecimentos internacionais, sejam eles profícuos ou não. Somente para elucidar, enquanto no nazismo de Hitler os seguidores tinham o costume de colocar as mãos para frente em culto ao líder e proferir a palavra “Führer” (líder em alemão), aqui, os membros do movimento usavam a expressão “Anauê”, que significa “você é meu irmão”, em Tupi. Salvo algumas diferenças, o AIB foi um marco do avanço da extrema-direita cristã, ultranacionalista e conservadora no Brasil. 

Após forjar uma suposta conspiração comunista, Getúlio permaneceu no poder, em 1937, no evento que ficou conhecido como “Plano Cohen”, iniciando a Ditadura do Estado Novo.

Além do recrudescimento da repressão, Vargas demonstrou todo o seu interesse pela ideologia pregada pelo Eixo, na Segunda Guerra Mundial, todavia, uma característica intrínseca a sua personalidade é o fato de que mesmo sendo claro o seu posicionamento, exemplificado pela sua gestão aqui no Brasil, em 1942, após assinar o Acordo de Washington, com os EUA, nós entramos no conflito ao lado dos Aliados para combater justamente as forças do Eixo.

Denominou-se essa articulação como “Política Ambígua”, em que mesmo o líder compactuando com determinados ideais, na prática, assume uma posição diametralmente oposta à inicial. 

Por que o sul é considerado “Fascista”?

Diferente das outras regiões, o sul sempre teve características que o  distinguiram do restante do país, seja pelo seu clima um pouco mais ameno ou pelo tipo de colonização (povoamento), ou talvez pelo fato de ser a única região do Brasil a obter êxito em se separar do restante do território, durante o período regencial, por exemplo. 

O fato da região sul ser conhecida como “fascista” está na verdade fundamentado na presença de um grande eleitorado mais conservador cujos antepassados são de origem europeia ítalo-germânica em sua maioria. 

Durante muito tempo, foram sendo formadas colônias no Brasil, sobretudo, alemãs, devido ao seu idioma e cultura bastante distantes do brasileiro. Dessa maneira, esses estrangeiros preferiram o isolamento ao intercâmbio cultural, formando quistos raciais, denominados comunidades teuto-brasileiras.

Nesse momento, a propaganda nazista foi maximizada e tinha como alvo essa população imigrante alemã estabelecida na região, que já tinha, há tempos, entrado em contato com a ideologia pangermanista, que pregava a ideia de irmandade entre os povos germânicos dentro e fora da Alemanha.

A infiltração das ideias nazistas foi feita pela embaixada alemã, situada no Rio de Janeiro, e pelos consulados do Sul, por meio de organismos fundados pelo NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), direta ou indiretamente nas instituições educativas e também na imprensa teuto-brasileiras. Sempre havendo oposição, como o caso do jornal curitibense Der Kompass, que mesmo partilhando do ideal de unidade étnica, nunca vinculou nenhuma propaganda nazista.

Ainda que Vargas tenha ignorado a existência do AIB e grupos nazistas, após o Golpe de 37, considerava a presença desses levantes uma ameaça ao seu poder, promovendo a perseguição e também a extinção de qualquer atividade política de estrangeiros no Brasil. Isso se deve, sobretudo, ao seu caráter ufanista, que rejeitava qualquer influência externa dentro do Brasil. 

Guerra Fria e Pós 2ª GM

Pulando algumas décadas, muita coisa aconteceu, os Aliados vencem a guerra, o Eixo teve uma derrota catastrófica, Vargas se suicidou e o governo subsequente foi marcado por avanços e retrocessos.

Os anos 60 foram difíceis, a Guerra Fria estava em seu auge, EUA e URSS disputavam áreas de influência, o mundo estava inseguro e temendo um terceiro conflito global. Os países da América Latina temiam que o restante de seus vizinhos seguissem o modelo de Cuba, com a recente Revolução Comunista (1959) e a Crise dos Mísseis (1962), por meio de uma sucessão de golpes de Estado a exemplo do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e Bolívia, tais federações tinham o intuito de impedir um eventual movimento revolucionário de esquerda, promovendo, dessa forma, a Operação Condor.

Aqui no Brasil, o golpe militar de 64 marcou o começo de um período permeado de instabilidade não somente política, mas também econômica no país. Com a sucessão cada vez mais rápida de líderes autoritários que cerceavam as liberdades individuais dos brasileiros, estava cada vez mais claro, por meio de atos institucionais, o quão caótico estava o país.

No meio da polarização política, como citado, o Cone Sul estava dominado por regimes ditatoriais, reprimindo não só movimentos de esquerda, mas também sufocando a democracia e a liberdade de expressão. Exemplos disso foram as perseguições e mortes de opositores à Ditadura Militar Brasileira, que acabou em 1985, por meio da eleição indireta de José Sarney, mas somente após a promulgação da atual Constituição que os brasileiros puderam gozar de plena democracia.

Células Nazistas no Brasil

O homem que apareceu no início do artigo revela um fato que talvez alguns brasileiros, dos quais eu estava incluso, desconhecem: a presença de células nazistas ativas no Brasil. Uma pesquisa realizada por Adriana Abreu Magalhães Dias, antropóloga da Unicamp, denuncia a existência de mais de 300 células nazistas nas cinco regiões do país. 

Os estados com maiores concentrações são: o sul e o sudeste, sendo São Paulo o que possui maior número de entidades. Apesar de apresentarem subdivisões, as “filiais” apresentam um vínculo em comum, a disseminação do ódio contra minorias. Para Adriana, os ataques são realizados contra negros, pessoas com deficiência e população LGBT. 

Tais grupos não se limitam apenas a locais físicos, a presença de fóruns virtuais também é marcante. É curioso como o assunto é pouco discutido nas mídias, exceto casos como o pecuarista em Unaí, isso porque ele estava num local público, utilizando abertamente o símbolo em seu braço. Será que o fato da extrema-direita ter crescido nos últimos tempos aqui no Brasil tem alguma relação com o crescimento de grupos preconceituosos no país?

Marchas Neonazistas

Gosto de imaginar a história da humanidade como um pêndulo que transita ora para direita ora para a esquerda, já que em determinados períodos da evolução é proeminente a presença de governos de esquerda ou direita. 

Limitando esse movimento pendular para países como EUA, Europa e Brasil, pode-se notar a ascensão da extrema direita nos últimos anos, marcada por suas características mais conservadoras e que em muitos casos apresentam como embasamento posturas xenófobas, discursos ultranacionalistas, tendo o preconceito e a perseguição ou descaso a grupos minoritários como bandeira. 

Nesse contexto, surgem as marchas neonazistas que tentam resgatar o que foi o mundo na Segunda Grande Guerra. Esses movimentos são compostos pela presença eminente de homens brancos de classe média, que por algum motivo, sentem a necessidade de exaltar valores como a masculinidade e exporem o quão oprimidos se sentem vivendo em uma sociedade globalizada e estratificada. 

A saber, em 2017, o mundo vislumbrou o aparecimento de marchas desse estilo em países como EUA e Alemanha e, ano passado, países do leste europeu, como a Polônia, também vivenciaram experiências do tipo. Salvo a Alemanha, devido a presença de Angela Merkel, nos outros dois países, os líderes nem ao mesmo se posicionaram. 

Opinião

Antes de tentar me enquadrar em algum viés político, gostaria que o leitor refletisse sobre a intensa polarização política no Brasil. Não sei, mas às vezes considero maçante o arquétipo construído para os indivíduos que ao defender uma determinada causa são enquadrados numa determinada bolha política.

Principalmente na atualidade, tudo o que é discutido ou defendido é, instantaneamente, ligado à esquerda ou à direita. É interessante como, por exemplo, de alguns tempos para cá, uma grande parte da sociedade brasileira tem se interessado cada vez mais por política, sobretudo após as últimas eleições, lava-jato e prisões de grande figuras públicas. 

Fico feliz por viver numa era em que muitos concidadãos estão preocupados em exercer sua plena cidadania por meio de manifestações, do voto e liberdade de expressão, contudo, esse progresso está vinculado àquela polarização estúpida e que muitas vezes gera discursos de ódio, brigas e outras discussões que não agregam em nada, a não ser disseminação da violência entre o povo brasileiro.

Expressar uma opinião ou então querer se eximir sobre qualquer assunto que envolva política, hoje, está cada vez mais difícil. 

Não pude presenciar os árduos Anos de Chumbo e fico satisfeito por isso, já que a minha ínfima presença neste mundo não teve e nem anseia ter qualquer tipo de experiência como a que meus antepassados tiveram. 

No início do texto, o intuito deste artigo era mostrar o histórico nazi-fascista brasileiro, mas talvez tenha estendido por demais a proposta original. No fundo, fico mais uma vez feliz e frustrado. Feliz por entender um pouco mais sobre a história da humanidade, mas frustrado por conhecer indivíduos que tentam adaptar ideologias opressivas do século passado para a atualidade lastimavelmente.

Para finalizar, espero que casos como a do nazista de Unaí não se repitam e que as células que pregam tal ideologia sejam exterminadas. É uma utopia, eu sei, ainda mais vivendo num Brasil governado por figuras polêmicas que me entristecem pelo retrocesso que estão causando. Alguém disse que dias melhores virão, estou otimista por isso. 

Fontes

CPDOC

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