his – um romance da juventude à paternidade

his – um romance da juventude à paternidade

Recentemente a saga “his” chegou ao Meow Fansub, daí eu lembrei que há um tempo tinha visto algo a respeito no Youtube enquanto fazia uma de minhas maratonas de FMV. 

Então, no último fim de semana, tirei um tempinho para assistir, confesso que foi uma sábia decisão, ainda que eu tenha ido dormir de madrugada por dois dias seguidos.

Sendo assim, decidi trazer aqui as minhas impressões sobre a trama.

Cronologicamente, primeiro foi lançada a série, em 2019, que contém cinco episódios de 25 minutos aproximadamente. Em seguida, neste ano, o filme, cuja duração ultrapassa pouco mais que duas horas. Vale lembrar que ambas produções foram dirigidas por Imaizumi Rikiya.

his – I Didn’t Think I Would Fall In Love (2019)

A respeito da minissérie, está no mesmo nível de obras como Seven Days e Takumi-Kun, clássicos do gênero Boys Love japonês, a semelhança não se restringe somente pela temática, já que ambos são romances escolares, mas também pela qualidade. 

Seu enredo é interessante e ímpar, basicamente, o casal protagonista Shun e Nagisa se conhece quando o primeiro, interpretado por Kusakawa Naoya, decide visitar seu pai, que mora numa cidade litorânea, mas seu pai é muito ocupado e por isso não é capaz de dar tanta atenção para o filho, o que faz Shun dar passeios pelo lugar. 

Em um desses passeios, ele encontra Nagisa (Kura Yuki), um garoto atraente e bastante excêntrico que ama surfar. 

A partir daí, as coincidências fazem com que eles se encontrem mais vezes, chegando até mesmo a dormir juntos! E o tempo vai amadurecendo os sentimentos dos rapazes. 

É um romance escolar, então é certa a presença de triângulos amorosos e de personagens bastante inseguras com suas próprias personalidades, além de mostrar como a adolescência é uma fase de descobrimentos.

Infelizmente, não encontrei trailer da série, para compensar, irei deixar um FMV para que você possa conhecer o elenco e o ambiente:

Tem beijos? 

Não há beijo, mas calma, não fique decepcionado, é uma série bem curta, você consegue acompanhá-la completa com pouco mais de uma hora, para os amantes de doramas japoneses, prometo que não irão se decepcionar.

É uma produção doce e suave, você se emociona, passa raiva e torce até o último instante para que o casal protagonista fique junto, ainda que para isso ocorrer seja necessário que outros tenham seus corações partidos. 

his: What is Love? (2020)

À esquerda, “Shun” e à direita “Nagisa” Foto: My Drama List / Acervo

Com intervalo temporal de aproximadamente um ano, o filme, como já mencionei, é longo, porém, tudo o que não foi mostrado na série, agora temos direito a repetição.

Agora já adultos, o longa mostra Shun, agora vivido por Miyazawa Hio, e Nagisa, interpretado por Fujiwara Kisetsu, vivendo suas vidas separados. 

Infelizmente, eles não ficaram juntos no final. O motivo? Nagisa estava inseguro quantos aos seus sentimentos e decide terminar com Shun.

Achei muito esquisito, porque desde jovem, a personagem, em determinado momento, comenta sobre ter tentado se relacionar com meninas, mas tinha consciência de que sempre sentiu atração por meninos, porém persistia para tentar “agradar a sociedade”. 

De coração partido, Shun decide tocar sua vida numa pequena cidade do interior do Japão, autossuficiente, a temperatura de seu banheiro dependia da queima de carvão e seu sustento provinha da pequena horta atrás de sua residência.

Tudo ia bem até que Shun recebe uma visita inesperada. Nagisa está de volta, mas desta vez acompanhado por uma criança chamada Sora, sua filha de seis anos.

Vocês conseguem imaginar o impacto disto? 

O cara gosta do outro desde a sua adolescência, começa um relacionamento, mas essa mesma pessoa que estava loucamente apaixonada por você, te larga para ir surfar na Austrália e agora, depois de mais de seis anos, retorna com uma criança? 

Se você está achando isso muito surreal, não se preocupe, eu também achei.

Mas a partir daí, Nagisa-san, com sua maior cara de pau, começa a explicar para Shun o motivo de ter ido embora e também sobre seu retorno. 

Contudo, a grande questão do filme, ao meu ver, nem é tanto sobre os conflitos do casal, mas sim outros dois. 

Paternidade homoafetiva

Uma das grandes críticas do filme é sobre as dificuldades legais enfrentadas por um casal homoafetivo no Japão para conseguir cuidar de uma criança.

Vamos relembrar que o país possui uma cultura tradicional e conservadora, que dentre duas características está o impedimento da união entre pessoas do mesmo sexo, fato este que ano passado voltou a ser discutido com força pela comunidade LGBTQ japonesa. 

Ainda que outros “BLs” japoneses como Ossan’s Love e What Did You Eat Yesterday?  já tenham tocado no assunto, as questões paternidade e adoção não haviam sido abordadas. 

Grande parte do filme mostra a luta entre Nagisa e sua ex-mulher, Rena (Matsumoto Wakana), pela guarda de Sora, e claro, em muitas cenas, principalmente entre o pai e sua advogada, é discutido como o fato dele ser gay e possuir um parceiro poderia ser desfavorável para vencer o julgamento.

E só pra relembrar, minha colega Katycia, já mostrou como é a realidade brasileira sobre o assunto. 

Aceitação e Apoio 

Outro ponto que se destaca é sobre a aceitação. 

No filme, é possível acompanhar como ambos lidam com o fato de serem gays e que um deles tem uma filha.

Há um personagem, dentre todos, que também merece ser destacado, o senhor Ogata (Suzuki Keiichi). Ele é um caçador, que na trama é vizinho de Shun e sempre soube que ele e Nagisa nutriam sentimentos um pelo outro, apoiando-os desde sempre. 

Foi inclusive ele quem deu coragem para  Shun assumir tanto a sua sexualidade como seu romance com Nagisa na frente de toda a associação de idosos a qual os meninos frequentavam. 

O interessante é notar que todos, felizmente, aceitaram sem problema algum a união entre os dois. 

Sora

Foto: My Drama List/ Acervo

Precisei dedicar um trecho para exaltar a fofura de Sora-chan, que criança adorável! 

Como toda e qualquer criança, Sora é pura e inocente, então não vê problema em seu pai beijar outro homem que não sua mãe, além disso, numa das cenas chegou a desenhar ela, sua mãe, seu pai e Shun vivendo todos juntos e felizes. 

Por mais crianças como Sora no mundo, puras de coração, aliás, todas elas são, mas infelizmente nem todas elas têm o privilégio de crescerem num ambiente onde seja ensinado sobre diversidade! 

Opinião (Contém Spoiler) 

Eu gostei da série e do filme. Ao meu ver, gostaria de que as duas moças da série (colocar nome) tivessem participação no filme também, mas acho que isso poderia tirar o foco do filme. 

Além disso, fiquei muito chateado pela morte do Sr. Ogata, ele é um exemplo de simplicidade e respeito. Eu espero que o cachorro dele tenha ficado com os meninos!

Outra coisa, eu achei muito interessante a temática do filme, não apenas isso, considero antes de tudo necessária. Por muitos aspectos, trata de temas sensíveis para a sociedade nipônica, como: casamento homoafetivo, adoção, novos tipos de família, mãe solteira, conflitos familiares, entre outros.

Defendo a ideia de que a arte é veículo de mudança social, e eu espero, com sinceridade, que isso seja possível no Japão, país tão avançado em muitos aspectos, mas bastante atrasado em outros. 

Recomenda? 

Sim. His é um drama “BL” particular, a série é mais parecida com um bromance adolescente, enquanto o filme, algo como “HIStory 2: Right or Wrong”, se você gosta de doramas doces e calmos, tenho certeza que irá gostar. 

Como já disse, você pode encontrar a trama completa no site do Meow Fansub legendada em português!

Referências

Sobre adoção por casal homoafetivo japonês: Portal Mie

Sobre adoção (genérica) no Japão: BBC

Sobre casamento homoafetivo no Japão: Estadão

Entrevista com Hio Miyazawa, “Shun” em “his”, o filme: Japan Times (em inglês)

Mídias: My Drama List 

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mônica

parabéns amei sua matéria, ja tinha assistido a série e você me deu a chance de conhecer um pouco mais inclusive do filme


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