GameBoys – Uma Obra de Arte Vinda das Filipinas.

GameBoys – Uma Obra de Arte Vinda das Filipinas.

Se há algum tempo alguém me perguntasse se eu esperava que algum outro país asiático, além de Tailândia e Taiwan, iria entrar de cabeça nas produções de séries BL (quando eu digo entrar de cabeça, estou me referindo a não censurar as obras), com toda a certeza eu responderia que não.

Contudo eu, e creio que todos nós, tivemos uma grata surpresa quando as Filipinas anunciaram GameBoys. Sim! Eu confesso que no início eu não dava nada pela série e sem me fazer de santo confesso ainda que pensei que seria mais do mesmo, só que com uma qualidade piorada, pois ainda não conhecia as produções filipinas, fossem elas BL ou não.

No entanto eu estava errado e admito e me retrato desse erro com Orgulho, afinal GameBoys foi tudo que há tempos eu estava esperando em uma série BL. Teve drama, comédia, romance, intrigas, descobertas, diálogos mega importantes, beijos e abraços. E pasmem, tudo isso trabalhado de maneira responsável e super bem desenvolvida. Mas chega de enrolação e vamos de fato falar dessa obra de arte!

Apostando em um formato não tradicional, a série que foi produzida pela Idea First, começou tímida e com pouca gente apostando no sucesso dela. GameBoys trouxe a proposta de contar como nasce e se desenvolve uma história de amor à distância em meio a uma pandemia.

Estrelada por Kokoy de Santos e Elijah Canlas a web série que conquistou fãs no mundo todo conta a história de amor entre Cairo (Elijah) e Gavreel (Kokoy) e,  apesar de trazer para o grande público uma visão romântica e com final feliz de uma relacionamento a distância, soube mesclar muito bem isso com os dramas da descoberta do primeiro amor e do medo de não aceitação da família, bem com a dor maior de se perder para sempre alguém que se ama.

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A história começa quando Gav, durante uma partida online, se apaixona por Cairo, e decide fazer de tudo para conquistar o boy. E realmente ele fez, pois nos capítulos que seguiram ele cumpriu sua promessa e não mediu esforços para conquistar o jogador. Porém, do outro lado, tornando a tarefa um pouco mais complicada, tínhamos um Cairo ainda em processo de autoaceitação e que se culpava pelo atual estado de saúde do pai, que estava internado com o vírus Covid-19. Para quem, assim como eu, se enganou achando que a história iria ser rasa, teve uma bela de uma surpresa ao se deparar com um enredo que trazia diálogos tão importantes e necessários em séries BL e isso alinhado à atuação impecável de Kokoy e Elijah, que elevou a série a outro patamar. Sendo assim, nas linhas que seguem este texto, eu irei destacar alguns desses diálogos bem como algumas cenas e fatos da série e dos personagens que merecem uma atenção especial.

Em primeiro lugar gostaria de destacar a insegurança do Cairo em relação aos relacionamentos passados de Gavreel, o que é completamente entendível ainda mais depois que ele descobriu que a melhor amiga do Gav era também sua a ex-namorada. Contudo, é certo que o processo de entendimento em relação à Pearl foi bem mais simples para Cai do que o que estava por vir. A bomba que iria explodir abalando a relação dos meninos tinha endereço, um corpo bonito, nome e malícia no olhar e na mente.       

            Terrence, o ex-arrependido que seria capaz de fazer de tudo, até mesmo contar inverdade para reconquistar o amor de Gavreel. Como prometido, foi justamente isso que ele fez e assim como Lúcifer, manipulou, mentiu e plantou a semente da discórdia aumentando ainda mais o medo e a insegurança de Cairo em relação a Gav. Mesmo após todas as artimanhas de Terrence e alguma brigas, Gavreel não desistiu e com a ajuda de Pearl conseguiu reconquistar a confiança do seu amado Baby.

Existe um ditado que fala “quando a desgraça chega, ela vem de caçamba” e para Cairo esse ditado nunca fez tanto sentido, pois no meio de todo esse turbilhão de mudanças em sua vida, ele recebe a notícia de que o pai dele havia falecido. Nesse momento, a culpa veio com tudo fazendo ele se isolar e ignorar o mundo, mas acontece que Gav estava lá, para mesmo de longe dar forças ao seu babyboy e não deixar que a culpa corroesse ele.

 Talvez, aliás, com certeza a morte do pai foi um choque extremamente grande para o garoto, porém analisando pelo lado bom, se é que existe um lado bom na perda de alguém que amamos, isso aproximou ainda mais Cairo e Gavreel e contribuiu para que Cai realmente entendesse e aceitasse seus sentimentos em relação ao Gav. Foi dessas percepções em diante que tivemos um desenvolvimento ainda melhor do personagem que compartilhava o mesmo nome que a capital do Egito. Com isso fomos agraciados com uma serie de demonstrações positivas sobre como devem ser as relações entre mãe e filho. Como devem ser as relações de aceitação entre família e parentes LGBTQIA+.

A primeira dessas cenas ocorre quando Cairo finalmente decide contar para sua mãe que é gay, a mãe dele, emocionada, tem uma das reações mais lindas que eu já vi.

“Eu estou triste meu filho, não pelo fato de você gostar de garotos, mas porque eu errei. Eu errei em não ter deixado você confortável o suficiente para saber que poderia falar comigo e com o seu pai sobre qualquer assunto e que nós somos sua família e iriamos continuar te amando”

Assim como Cairo e a mãe dele estavam chorando nessa cena, quem vos escreve também estava aos prantos.

Cabe destacar aqui também o momento em que Cai e Gav tiveram uma briga e Cairo saiu de casa e ficou bêbado, sua mãe ligou para ele e ao perceber o estado do filho, ao invés de brigar e apontar o dedo, ela conversou com ele sobre relacionamento à distancia e ainda falou que quando há realmente amor, isso não é empecilho e ainda comparou o relacionamento do filho com o relacionamento dela e do marido, tratando tudo na maior naturalidade assim como tem que ser. Para encerrar, a parte da relação de Cai com sua mãe eu trago aqui um destaque para o ultimo episódio quando ela realente percebe a tristeza do filho com tudo que está acontecendo e dá a ele mais uma semana na cidade para se resolver com o amado. Gosto sempre de destacar essas relações com a família porque quando se trata de séries BL’s, salvo raras exceções, elas são inexistentes.



Saindo um pouco da vida dos protagonistas e passando para o elenco de apoio, nós temos a Pearl, ex-namorada de Gav que sem sombra alguma de dúvidas foi uma personagem de suma importância na trama e contribuiu para que tudo terminasse com um final feliz. E mesmo fazendo parte do elenco de apoio, ela teve tanto destaque que irá ganhar um GL só dela com estreia prevista para o mês de outubro de 2020.

Por fim, temos o suposto vilão, Terrence, que é um personagem muito complexo e de uma enorme profundidade para estereotiparmos ele apenas como vilão. Minha esperança é que durante a segunda temporada de GameBoys, que inclusive já foi confirmada, se desenvolva mais o personagem dele, pois como a gente viu ele não é uma má pessoa.

De volta para os queridinhos Cai e Grav, nós tivemos um Gavreel justo e paciente, tal como era Jesus, que soube esperar o tempo de Cairo para que as coisas acontecessem como deviriam ser. Tivemos também um episodio especial 13.5 já nos mostrando um pouco mais sobre a solidão de Terrence. Será que foi um aperitivo sobre o que estava por vir na segunda temporada?

Sem mais delongas, GameBoys foi uma obra de arte vinda de um país que eu nem imaginaria que logo de cara iria nos apresentar algo com tanta qualidade e de forma totalmente responsável e educativa. GameBoys cumpriu majestosamente seu papel de entreter e fez isso com qualidade e maestria, de forma responsável sempre levando em conta de que ali eles estavam contando uma história que representa uma comunidade que ainda em muitos lugares é vista como escória da sociedade. GameBoys divertiu, emocionou e educou a todos de uma forma inexplicável. Obrigado The IdeaFirst!  

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