Entendendo as Manifestações em Hong Kong

Entendendo as Manifestações em Hong Kong

Iniciados em março de 2019, os protestos pró-democracia revelam a resposta dos moradores de Hong Kong sobre a recente lei que prevê o envio de suspeitos à China Continental para serem julgados. Esse projeto de lei de extradição foi apresentado pelo governo local e obteve apoio integral de Pequim. Caso aprovado, as regalias adquiridas pela ilha em 1997 seriam fatalmente atenuadas e o poder de influência continental intensificado. 

Antecedentes

Hong Kong possui uma história complexa e conflituosa, foi e ainda é alvo de interesse de potências globais tais como EUA, China e Reino Unido. Geograficamente, a região pertence a terras chinesas, está localizada na parte meridional do país. Em 1842, final da Primeira Guerra do Ópio, conflito travado entre China e Inglaterra, a região foi entregue para o domínio britânico, permanecendo por mais de um século até 1984, ano em que foi assinado um acordo entre os dois países a fim de devolver o território para o regime de origem, o chinês, não obstante, foi somente em 1997 que a ilha deixou de ser colônia britânica. 

Mesmo retornado ao governo materno, foi implantado em Hong Kong um regime político intrínseco denominado “um país, dois sistemas”, o qual fornece autonomia exclusiva a essa região por 50 anos, isto é, com prazo até 2047. Entre os privilégios concedidos, destacam-se: a possibilidade de possuir um modelo político e estruturas econômicas próprio, salvo as exceções nas áreas de defesa e relações exteriores que permaneceriam sob o comando chinês. 

Uma observação contundente a respeito da região é que durante as décadas de 70 e 80, auge da Guerra Fria, conflito mundial entre EUA e Ex-URSS, Hong Kong tornou-se um dos quatro Tigres Asiáticos, uma liga econômica e politicamente estratégica criada para tentar conter o avanço das ideias socialistas na região, ou seja, Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan, por meio de maciços investimentos japoneses e norte-americanos nas economias desses países, possibilitou a inflação de conflitos geopolíticos na região, todavia foram decisivos para o grande crescimento financeiro desses países.

O que torna possível afirmar, por exemplo, que Hong Kong é a grande vitrine capitalista chinesa, ou seja, uma região que atrai estrangeiros, investimentos e claro, o interesse dos próprios chineses, além da contestação do atual regime do país (China), considerado uma ditadura unipartidária cujo partido hegemônico é o Comunista, marcado pela censura, repressão e manipulação de dados, sem contar com a corrupção. 

Guarda-chuvas: Símbolos de resistência 

Outras peculiaridades sobre essas manifestações em Hong Kong são: a estratificação do setores envolvidos, sejam os que repudiam a Lei de Extradição ou aqueles que vislumbraram nesse movimento a oportunidade de reivindicar melhorias no país, de qualquer forma, há no meio dessa grande onda de insatisfações a presença de mulheres, idosos, cadeirantes, ricos, pobres, crianças e, sobretudo, de jovens, o segmento que definitivamente mais se destaca, todos utilizando camisas pretas, um símbolo nacional de descontentamento com as recentes ações da executiva-chefe, Carrie Lam, duramente criticada pela população, que inclusive pede seu renunciamento.

Além das camisas escuras, os envolvidos marcham com máscaras e guarda-chuvas com intuito de minimizar os efeitos do gás lacrimogêneo utilizados pelos policiais. 

Para entender melhor a história dos guarda-chuvas é preciso voltar para 2014, ano marcado em Hong Kong pelo “Movimento dos Guarda-Chuvas”, manifestação pró-democracia. Foi um movimento também de grande agitação social que mobilizou mais de 100.000 pessoas e reivindicava eleições diretas para chefe executivo local, diferente do modelo tradicional elencado em 97, em que a eleição é feita a partir de uma lista de candidatos indicados por Pequim.

Somente no final da manifestação, que durou aproximadamente 80 dias, é que houve confronto entre manifestantes e policiais, onde estes usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta e, para se defender, aqueles seguravam guarda-chuvas amarelos.

Há 5 anos eram utilizados guarda-chuvas amarelos, hoje não há preferência de cores, pois o apenas o ato de abrir um guarda chuva numa passeata para defender-se da repressão policial já se tornou, em Hong Kong, um símbolo da luta pela democracia. É válido lembrar que todas as ações realizadas pelos cidadãos da pequena ilha até o momento sempre foram pacíficas, uma vez ou outra, como o citado anteriormente, há um embate com as tropas policiais.

1º de Julho – Comemoração do 22º Aniversário

Um marco dessas manifestações foi uma ação surpreendente que aconteceu nesta última segunda (01), dia em que se comemorou o 22º aniversário da retomada de posse de Hong Kong pela China, alguns manifestantes invadiram o Parlamento, sede legislativa local, destruindo vidraças e pichando as paredes do local, a polícia apenas agiu 3 horas após o início dos ataques. A ala pacífica e também proeminente do movimento criticou duramente a invasão do prédio, além de parlamentares que apoiam a marcha. Pequim aproveitou o motim para realizar críticas ao movimento e também fazer rechaçar os comentários realizados pelo governo britânico que pediam a ela que respeitasse o acordo de 97 e contribuísse para a democracia nacional. 

Ao meu ver, a invasão do Parlamento até pode sim ter gerado certo pânico nos políticos e pressionado Carrie Lam na decisão de continuar ou não as tramitações da Lei, ou então na possibilidade de renúncia ao cargo de executiva-chefe, porém quando alguns setores de um movimento tão bem organizado, que contou com uma grande parcela da sociedade (aproximadamente 28%), pacífico e duradouro (estamos falando de um mês corrido) começam a depredar órgãos públicos a fim de chamar atenção do Estado, tende a perder, de certa maneira, a credibilidade, além de correr o risco de desviar dos seus objetivos originais, nesse caso, impedir a aprovação da Lei de Extradição. 

Seja lá como for, é apenas a minha opinião, ficaria muito feliz e satisfeito se você, leitor, contribuísse com a sua, vamos lá, o que acha? Virou “balbúrdia” ou não virou? 

**matéria originalmente publicada em abril de 2019, adaptada.

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