Eclipse e Legislação Coreana sobre Estupro

Eclipse e Legislação Coreana sobre Estupro

Oi gente, tudo bem? Minha intenção com essa matéria é de compartilhar com vocês, leitores da nossa comunidade, como foi a minha experiência com um filme coreano e o quão chocado eu fiquei com algumas pesquisas que fiz após o ter assistido. 

O filme a que me refiro se chama “Eclipse” e quando eu li a sinopse dele no fansub não levei tão a sério… “Este filme vai trazer suores frios como tensão que nunca termina”. Fala sério? Eu já tinha visto tanta coisa no mundo BL que eu, um modesto Fudanshi, ignorei e segui meu caminho com o “Play”. A ideia não era dar spoilers sobre o filme, mas o assunto de hoje é como o filme me fez questionar certos comportamentos da Coreia do Sul, então eu vou ter que fazer associações no decorrer do texto com o filme.

Basicamente, a história transcorre em torno de um jovem estudante do ensino médio chamado Yoon Jae que se muda para uma nova escola e conhece um rapaz (também estudante) chamado Se Joon. A mãe do protagonista adoece e é hospitalizada e seu filho vendo tal situação decide procurar um emprego para que consiga comprar os medicamentos para sua mãe.

Certo dia, o jovem descobre que o seu mais recente amigo é um garoto de programa e, então pergunta se é possível que ele, Yoon, também se torne um. No fim das contas, o protagonista torna-se um “acompanhante noturno”, mas mal sabia ele que o seu novo emprego não era tão convencional, mas sim, algo muito inovador e vil. 

Resumindo para vocês, Se Joon  e Yoon Jae recebiam por cada cliente (mulher) que conseguiam embebedar e, no fim da noite, transportar até um terceiro cliente poder abusar da vítima. SIM, eu fiquei chocado. Bem, recuperando o fôlego desse chute no estômago, o filme, acima de tudo, é um BL suave que não é transformado em Bromance, NA MINHA OPINIÃO, porque no final acontece algo que choca e que deixa claro que é um BL etc. (Não tem morte… dos protagonistas…) 

Tá, voltando para a segunda parte desta matéria, eu fiz algumas pesquisas sobre como é o índice de estupro e assédio na Coreia, se realmente casos como esse são comuns etc. Eis então algumas curiosidades e informações para você que é tão apaixonado pela Coreia, seja pelos doramas ou pelo mundo incrível da música.

Puxando no Google algumas informações sobre a história e casos de estupro e prostituição no país, eu encontrei coisas que talvez nem choque aqueles que já conhecem um pouco mais aprofundado sobre a cultura asiática no geral e, sendo franco, nós do ocidente não estamos muito atrás não.

Denunciar estupro na Coreia do Sul pode ser crime 

Uma das reportagens que encontrei tinha esse título e, a princípio não entendi muito bem, porém após ler toda a matéria e checar a veracidade dos fatos que por sinal, em quatro sites diferentes constavam exatamente os mesmos dados, me dei conta de que o assunto é sério. De forma enxuta, o artigo mostra como funciona o sistema judicial sul coreano para os “supostos” casos de crimes sexuais, exemplificando com um caso de uma mulher que deu uma entrevista à AFP, uma agência de notícias francesa, e que preferiu se manter em sigilo e sob o apelido de “D”.

Na entrevista, ela conta que foi a uma delegacia denunciar que fora estuprada, mas que o seu agressor a contra-atacou com uma série de ameaças e acusações de difamação. O problema mora aqui, pois na Coreia do Sul, existem leis pungentes para crimes de difamação e que por exemplo, mesmo que eu vá até uma delegacia dizendo a verdade sobre um crime, porém se o meu agressor conseguir reunir um conjunto de provas falsas e me acusar por estar manchando a sua reputação e imagem, eu posso ser preso.

Dando continuidade, o agressor de D foi condenado a dois anos de prisão e as acusações dele foram arquivadas, isso me lembrar da gente, mas enfim. Então, o artigo comenta sobre o sistema judicial do país ser falho. O que mais me chamou atenção foi o finalzinho da matéria, olhem só: 

Em 2016, foram arquivadas 55% das denúncias de agressão sexual, muito mais que nos casos de assassinato (22%) e roubo (26%), segundo o Instituto da Justiça. E se o caso chega ao tribunal, a vítima deve demonstrar que opôs resistência porque o estupro é definido como o resultado “da violência ou da intimidação” e não da ausência de consentimento.

No passado, vários julgamentos por estupro foram rejeitados porque as vítimas “não resistiram o suficiente”.

Vocês têm noção da situação que uma vítima desse tipo de crime tem que passar para obter justiça? Sendo que claro, não há dinheiro que pague um ato hediondo desses. Bom, eu dei mais uma pesquisada e talvez há uma nova esperança para o país com o atual Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, ex advogado especialista em direitos humanos, no que diz respeito a atual legislação do país, para que possa ser maximizada e que crimes como esse sejam atenuados e claro, a cultura patriarcal do país deixe de tratar o estupro como um tabu, intimidando as vítimas e as impedindo de denunciarem. 

**matéria originalmente publicada em novembro de 2018, adaptada.

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