Direitos dos gays na Tailândia: da tolerância à aceitação

Direitos dos gays na Tailândia: da tolerância à aceitação

A produção de dramas BL na Tailândia tem ganhado cada vez mais escala e representatividade. O impacto disso na sociedade é um cenário mais aberto à diversidade do que há alguns anos, quando falar sobre o tema era tabu mesmo dentro das famílias menos tradicionais.
Mas a verdade é que, como estrangeiros que somos, tudo o que sabemos sobre os gays que vivem na moderna Bangkok é que a vida é fácil e divertida. Será essa a realidade?
Para falar um pouco sobre esse tema, lemos uma entrevista do Utain Boonarana, autor de “My Ride I Love You”. Isso aí! Boonarana faz parte do 1% de autores masculinos que escrevem dramas BL na Tailândia. Ninguém melhor do que ele para falar sobre os direitos LGBTQIA+ no país, não é mesmo?

Divulgação: Série BL “My Ride I Love You


DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS NA TAILÂNDIA
Segundo o autor, em termos gerais, a diversão de Bangkok não é diferente de outras cidades grandes. Mas, o que realmente preocupa a comunidade LGBTQIA+ é questão da igualdade, especialmente em termos legais
Para ele, a igualdade da comunidade está sofrendo regressão na maior parte dos países do mundo e, somente na América Latina tem progredido. Na Tailândia, o progresso estacionou porque há somente a tolerância, não a aceitação.
Como exemplo dessa estagnação, Boonarana cita o período que antecedeu as eleições gerais, quando o governo tailandês prometeu liberar as leis para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A população LGBTQIA+ ficou feliz com a notícia, seria um avanço mais do que esperado e merecido. No entanto, quando a lei foi realmente anunciada, não concedia direitos iguais para o casamento homoafetivo em comparação ao casamento entre homens e mulheres.
Por outro lado, o autor declara que o projeto de lei ainda está em processo de elaboração, ou seja, precisa ser aprimorado. Ainda que seja promulgado depois da data prometida ou leve um pouco mais de tempo, ele confia no povo tailandês e no fato de que, um dia, os direitos serão iguais para todos, de fato.
Quando esse momento chegar, finalmente a sociedade tailandesa terá passado da tolerância para a aceitação. A população LGBTQIA+ não somente terá uma vida “divertida” em Bangkok, mas também uma vida mais estável e justa.

E NO BRASIL? COMO É QUE FICA?
No Brasil, a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo se tornou realidade em maio de 2011, e representa uma grande vitória na luta a favor da igualdade social.

Divulgação

Talvez você se pergunte por que o casamento homoafetivo é tão importante? Porque ele garante direitos importantíssimos sobre bens, direitos e deveres aos cônjuges. Entretanto, não é o suficiente para garantir a aceitação. Assim como na Tailândia, a discriminação da comunidade LGBTQIA+ segue forte, ou seja, a forma de pensar das pessoas continua atrasada em relação às decisões do Estado. As leis que garantem direitos perdem sentido perante as pessoas homofóbicas que esvaziam essa conquista com atos discriminatórios e até mesmo agressivos.
Em 2/4/2013, a criminalização da homofobia pela Secretaria de Direitos Humanos foi mais um passo enorme e uma vitória para a comunidade LGBTQIA+: a partir dessa data, discriminar, agredir física ou verbalmente qualquer homossexual passou a ser crime no Brasil.

Divulgação

A maior luta no momento, tanto para tailandeses, quanto para brasileiros e provavelmente para qualquer outra pessoa no mundo é despertar o pensamento igualitário, quando não fará mais diferença alguma ser hetero, gay, trans… Porque seremos todos iguais.
As leis nos apoiam e precisamos continuar lutando para mantê-las, aprimorá-las, melhorá-las. Mas o nosso desafio é mudar a mentalidade do mundo e isso começa por nós mesmos: por um mundo mais justo e igualitário.

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