DEW, TEMPORAL DE AMOR EM PANG NOI

DEW, TEMPORAL DE AMOR EM PANG NOI

Olá meus amores, tudo bem com vocês? Espero que sim! Não posso deixar de lembrá-los: fiquem em casa, evitem aglomerações, saiam somente na medida do possível quando necessário, para o seu bem e o bem de todos.

Bem, agora vamos mergulhar no maravilhoso filme “DEW THE MOVIE”. Um bl drama tailandês que conta a história de amor entre dois jovens colegiais que se apaixonam e não podem ficar juntos devido ao preconceito em relação a homossexualidade. Protagonizada pelos atores.

Ohm Pawat (Dew adolescente)

Nont Sadanont (Pob adolescente)

Weir Sukollawat (Pob adulto)

Pahm Darisa Karnpoj (Reencarnação de Dew)

Essa obra pode ser considerada só mais um conteúdo boys love, feito para o entretenimento do público que ama romance entre garotos (do ponto de vista da pessoa que vos escreve), mas é mais uma súplica de liberdade ao amor sem gênero.

Em 1996, na cidade tailandesa de Pang Noi, nasce uma linda história de amor. Ao som das notas musicais de (colocar o nome do cantor), com uma letra que fala de amor, amizade, esperança, verdade, adeus e sinceridade para amar. Com o toque do vento nos cabelos, a melodia da música e o soar da buzina de uma motocicleta, foi a primeira troca de olhares entre DEW e POB.

Um quase acidente aconteceu e logo em seguida, no que seria prestação de socorro, a vítima se torna uma carona. Então, dois jovens alunos que se viram pela primeira vez seguem um caminho sobre uma motocicleta em direção à escola. Um toque da natureza em sua maestria como chuva fez o quase acidente se tornar real, a garupa tentando proteger ambos de se molhar usando um guarda-chuva, atrapalha a visão do motoqueiro fazendo-o desviar da estrada e, a proteção para não se molhar, acabou levando-os para um banho de lama.

No parágrafo anterior notaram algo estranho? Dois desconhecidos em uma motocicleta após terem acabado de se ver, sem ao menos perguntar o nome um do outro. Mesmo encharcados de lama eles chegam ao colégio, depois de uma boa lavada de mangueira vieram as apresentações. Dew deu o primeiro passo, junto a um pedido de desculpas por causar o acidente.

Devidamente apresentados, nasce ali uma amizade, dois caminhos que se cruzaram não por acaso. Depois de se secarem da chuva precisaram de roupas limpas, Dew deu seu uniforme extra de praticar exercícios para Pob e depois encontrou uma vestimenta bem engraçada, estilo desfile de marcha da Independência do país, com direito a dancinha.

No decorrer do filme boa parte do cenário é um colégio de ensino médio, juventude flui no local e é o início de muitas descobertas e tomadas de decisões, esse é o lugar onde muitos sonhos e desejos começam a clarear a visão de futuro. Dew é alegre, espontâneo, falador, vem de família de militares e mora somente com sua mãe, é filho único. Pob, é mais calado, tímido e reservado, de família de classe média rigorosa em relação aos padrões da sociedade.

Na juventude o amor não mede barreiras, sendo como uma flor que brota em meio a uma pedreira, mesmo apertada e oprimida, encontra forças para desabrochar e coletar o orvalho das manhãs para se manter viva. Assim foi desabrochando o amor de Dew e Pob. Sorriam, brincavam e se divertiam, se aventuravam com o brilho da amizade. Corações alimentando a cada dia a paixão que ia além da amizade, eles eram parceiros, companheiros, dividindo gostos, desejos e sonhos. Uma das coisas que Dew desejava era ir embora da cidade, buscar horizontes em outros lugares e, ao se apaixonar por Pob, passou a desejar ir com ele.

Agora, desviando um pouco o foco do romance, vamos a um dos fatos principais deste drama, o preconceito. Disfarçados muitas vezes em modelos de auto-ajuda, o filme mostra como algumas instituições de ensino podem usar casos sérios para oprimir, envergonhar e expor a homossexualidade dos jovens, que em certa idade, ainda nem compreendem o teor do que podem sofrer por não colocar barreiras nem distinções de gênero para amar.

Essa produção mostra um momento em que os educadores usam um assunto muito sério e terrível, o HIV, que há décadas assola o mundo e matou muitos homossexuais por ser sexualmente transmissível e por não ter cura. Um momento onde deviam orientar como se prevenirem, se tornou um ato vergonhoso de opressão a homossexualidade. Disponibilizaram psicólogos e militares para um tratamento e para isso, exigiam que se manifestassem para um apontar de dedos. (Em palavras horrendas, tratamento para pessoas sexualmente anormais) Com a justificativa de ajudar na prevenção do contágio, usam isso como forma de punir, espalhando medo nos estudantes, tratando-os como se fossem mutantes geneticamente modificados, algo lamentável que infelizmente não mudou muito nos tempos atuais. E em meio a essa turbulência e acúmulo de atrocidades, flui o amor entre Pob e Dew.

Mesmo que pressinta o teor do que pode acontecer, Dew tenta encarar tudo com naturalidade, ele acreditava que podia haver um lugar onde podia viver o amor que sente por Pob. Um lugar longe dos olhares maldosos onde poderia demonstrar carinho e os vestígios de algo mais que amor de amigos. Pob queria muito se entregar ao amor, todavia, tinha medo da opressão familiar e da sociedade, com isso, alimenta o medo que ganha mais forças, bagunçando os sentimentos de ambos.

Os familiares de Pob se mostram bem complicados. Seu pai é do tipo tirano, ditador, homofóbico, um poço de preconceito. Sua mãe é amorosa e gentil e aparenta sofrida, o restante da família aparenta submissão. Pob é o filho mais novo, e o comportamento de sua família explica seu modo oprimido. Na casa de Dew é somente ele e sua mãe. Ela é militar, mas não aparenta um temperamento rigoroso, porém, é distante do filho em áreas sentimentais.

Em dois anos estudando juntos os garotos colecionaram muitas memórias, enquanto estavam a sóis, Pob dava a entender que queria liberar o que sentia, no entanto, se perdia em pensar no que poderia acontecer. Dew, mesmo tendo medo, queria aproveitar cada momento e se empenhava com isso, como prova, traduziu uma música da noite para o dia, em um trabalho escolar, somente para ganhar o prêmio de uma viagem, queria que fossem juntos a outra cidade para uma aventura que viu na TV, salto de bungee jump.

Pob tem uma moto, é ele quem leva Dew a cidade vizinha onde fazem um curso, passam muito tempo juntos estudando. As vezes ele está cansado para pilotar quando Dew o pede para levá-lo a algum lugar para comprar algo para comer. Por esse motivo tenta ensinar seu parceiro, caso ele um dia não pudesse, o outro poderia ir sozinho, mas o que ele não sabia era que esses momentos eram preciosos para o cara ao seu lado e por aparentar não entender, acabaram se desentendendo.

Depois da primeira dr do casal, o mais chateado foi embora. Estavam em uma estrada sem muito movimento de veículos, já estava anoitecendo e o outro ficou sozinho. Perdido em lágrimas no jorrar de sentimentos reprimidos, Dew se aconchegou em uma cabine telefônica que havia no local, e o que vem a seguir? Em questão de instantes Pob estava de volta, pois também carregava um peso reprimindo do que sentia. Ali, cara a cara, olho no olho, se entregaram ao desejo saltitante de dois corpos sedentos em um beijo intenso carregado de emoções. Consumaram o amor se entregando ao calor de corações apaixonados se dando ao prazer.

Um momento maravilhoso se concretizou, Dew e Pob tiveram sua primeira e única noite de amor, pois no dia seguinte o encanto acabou. Viver o amor em segredo era mais cômodo para evitar sofrimento, pretendiam fazer isso, todavia, foram descobertos e novamente o medo ganhou forças para os impedir de serem felizes. Pob se afastou e passou a ignorar seus sentimentos novamente, deixando seu amor ainda mais inseguro, alimentou a esperança do outro e o deixou de lado quando precisava enfrentar a verdade. Pior do que enfrentar os olhares e chacotas dos outros estudantes, para DEW, foi ver que o cara que amava assistia isso em silêncio e ainda o deixar ser acusado de tê-lo obrigado a fazer o que na noite anterior foi feito com consentimento dos dois.

O amor entre eles é muito forte, mesmo estando separados. A vontade de cuidar estava presente, tentavam proteger um ao outro da forma que podiam. A mãe de Dew acreditando nas orientações que a escola disponibilizou, o alistou nos serviços militares com o intuito de mudar o que ele sentia, só que quem foi no lugar foi Pob. Essa foi a forma que ele encontrou de se punir por não ter defendido seu amado das mentiras contadas antes. Sempre que ele voltava do treinamento, havia marcas por todo o corpo e lá estava seu amor, amigo e companheiro o esperando para cuidar e acalentar suas dores. Nesses momentos, o que eles mais queriam era fugir para onde os olhos alheios não os pudessem julgar.

Preparados para o grande final? Esse é um dos dramas que se assiste com o coração apertado, sentindo parte da dor que se vê nas cenas querendo mudar o destino deles na trama e é onde se vê que fora das encenações a realidade é bem parecida.
A família de Pob não o aceita e por não suportar mais a situação, novamente entra em conflito com seu pai. Dessa vez a raiva falou mais alto e o desejo de Dew passou a fazer sentido na cabeça de Pob sobre fugir da cidade, no mesmo momento, ele mandou um bip (uma mensagem) para Dew, chamando-o para fugirem juntos como desejava. Infelizmente o chamado não chegou na hora certa e os papéis se inverteram, antes era Dew que queria muito fugir e até o teria feito, no entanto, sua mãe leu o recado antes que ele o visse e de repente mostrou estar ao lado do filho independentemente de sua escolha sexual, em desespero para que ele não a deixasse, ela implorou para ele ficar.

Isso balançou o coração do filho minutos antes de receber uma ligação de Pob. Novamente os dois ficaram perdidos nas decisões a tomar, Dew ficou na dúvida e Pob achava que não podia esperar, ferido e magoado, acabou indo sozinho com uma despedida de palavras duras e dolorosas.

Pensaram que já era o fim? Não! Vamos agora para o desfecho dessa história, onde mais uma vez a cultura tailandesa é ressaltada por acreditarem que almas reencarnam para resolverem assuntos ou amores inacabados. Isso tem cheiro de morte, né? Bem, vamos às lágrimas que nos espera ao finalizar mais uma história de amor.

Após a partida com um infeliz adeus como despedida, Pob está de volta na cidade de Pang Noi, décadas se passaram, ele estudou, casou, se tornou professor e irá fazer estágio no mesmo local onde ele estudou quando jovem. Porém, eis a pergunta, onde está Dew? O que aconteceu depois da separação?

De volta à escola, agora como educador, Pob começa a passar suas orientações. De repente, uma aluna chamada Natcha, com apelido de Liu, lhe chamou atenção logo no primeiro dia. Do tipo rebelde e cheia de porquês, lembrava alguém do passado. Com o passar dos dias, situações fazem com que aluna e professor fiquem mais próximos e por muitas vezes, o modo de falar e pensar da jovem eram semelhantes aos de alguém que no passado foi muito especial para ele.

Pob é casado e sua relação com Liu, que também tem namorado, gera comentário indevidos, provoca um certo desconforto, mas não parece ser de grande incômodo, a proximidade com a garota é bem mais profunda e teve incidentes com ela, parecidos aos que viveu com outro alguém.

Natcha (Liu) nunca teve grande interesse pelos estudos até a chegada do novo professor, ela passou a se dedicar e estar presente nas aulas. A proximidade deles passou a ficar mais intensa, os pensamentos e sentimentos começaram a ficar meio confusos e seus relacionamentos também, as lembranças do passado de Pob faziam cada vez mais sentido. Liu sabia coisas sobre ele que só duas pessoas saberiam, uma era ele; a outra Dew, e isso o deixa mais intrigado. Muita coisa aconteceu desde a morte de Dew. Pob se casou e tinha uma esposa maravilhosa, mas o vestígios do passado estiveram sempre presentes em seu coração que não deixava ele estar por inteiro com sua companheira.

Apesar de muita coisa ter mudado em todos os anos que passou, o amor se manteve fiel na esperança de os deuses o mandarem de volta, e mandaram. Agora no corpo de uma bela jovem. Esse amor tão forte atravessou o túnel do tempo para resolver os assuntos inacabados, agora só resta se reconhecerem. Natcha não sabia explicar o porquê de querer estar perto de seu professor, nem o que ele despertava nela, só sabia que havia algo a mais entre eles. Alguns acontecimentos deixavam mais claro que não era coisa do acaso e Pob parecia saber.

Eis que a tão esperada hora chegou, várias mentes em conflito para entender o que estava acontecendo, Liu tinha um namorado, só que seu coração não se abria para amá-lo como devia e isso o deixava magoado. Pob tinha uma esposa, mas seu amor nunca foi dela e agora era a hora de tirar suas dúvidas, partiu em busca de respostas indo ao encontro de Liu. Ao chegar até ela tudo se confirmou, fotos, recortes de jornais e objetos ligados a Dew, nesse exato momento a memória da garota entra nas lembranças de sua alma, vendo ali seu passado e seu amado a quem esperou por anos. Claro que não foi fácil enfrentar um passado e coisas das quais ainda não entendia, mais seu coração e espírito confirmam que Dew, vive dentro dela.

Depois desse mar de emoções virem à tona, as dificuldades do passado se fazem presentes e tudo ficou confuso devido a Pob ser professor e desenvolver um relacionamento com uma aluna, além disso o ciúme do namorado dela ajudou o problema a se agravar, mais uma vez Pob teve que deixar tudo pra trás e ir embora. Contudo, o inesperado aconteceu, no passado ele esperou na estação pela chegada de Dew que, por sofrer um acidente no caminho, não o alcançou e agora a situação se repete, entretanto, com final diferente. Liu partiu em busca de sua felicidade, esperou décadas por esse amor e não deixou que o destino mais uma vez os separassem, teve imprevistos no caminho, mas chegou, se encontraram novamente e não poderiam mais se separar.

Finalmente as almas gêmeas puderam ficar juntas, após anos, fizeram a tão desejada viagem para viver seu amor, e como a água esteve presente em muitos momentos, chegamos ao final feliz em que o casal salta ao mar em um mergulho da paixão. FIM

Bem meus queridos, muitos podem não ter gostado ou não gostar do final, o Felizes Para Sempre não é aquele clichê a qual se está acostumado nos doramas, casados, com filhos etc. Afinal, a produção não retrata somente o amor, ressalta o preconceito e o conservadorismo nos países asiáticos com maior influência chinesa, onde os padrões da sociedade julga vergonhoso ter homossexuais na família, os fazendo abdicar do amor aos parentes, seja pai, mãe, irmão ou filhos.

Então meus amores, espero que tenham gostado, dêem suas opiniões do que acharam, beijos.

Compartilhar esta publicação

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x
Optimized with PageSpeed Ninja