Como é ser LGBTQIA+ na Comunidade Indígena? – Entrevista com Fêtxawewe (Fêtxa)

Como é ser LGBTQIA+ na Comunidade Indígena? – Entrevista com Fêtxawewe (Fêtxa)

Entrevistadoras: Aline – Etnia Baniwa; Vika Gama

Entrevistado: Fêtxawewe (Fêtxa) – Etnias Guajajara e Fulni-ô

Letra comum: Entrevista

Letras em itálico: Comentários da Entrevistadora

Quando ouvimos a história do Kinho ouvimos uma história ‘leve e descontraída’ onde a família o aceita, agora vamos ouvir a história do Fêtxa, onde uma parte de sua família o aceita e outra parte não.

Fêtxa é das etnias Guajajara e Fulni-ô, têm 21 e é filho de uma liderança indígena, o que trouxe para ele muitas coisas para lidar dentro da comunidade, tanto como filho de uma liderança quanto como o filho mais velho homossexual de uma liderança. A história dele é complexa, por isso tentarei sintetizar aqui com cuidado e sem escapar muito ao que ele falou e, tendo ele falado bastante, tentarei não pôr muito da minha opinião e comentários nesta entrevista.

Antes de entrar na entrevista em si, vou comentar um pouco sobre ser filho de uma liderança indígena. Quando nascemos filhos de lideranças indígenas geralmente as pessoas esperam muito de nós, principalmente se você for o filho mais velho, porque tudo o que você faz reflete na imagem do seu pai. Desde que somos pequenos ouvimos histórias sobre nossos pais, nossos avós e todos os nossos ancestrais que foram líderes, então desde que somos muito novos eles nos fazem entender quem somos e nosso papel para com nosso povo, mas principalmente nosso papel para com nossa família. Você está se perguntando se sentimos alguma pressão com isso? Claro que sim, mas entendemos que devemos suportar isso, no fim das contas muita gente depende ou dependerá de nós e eu quis ressaltar esse ponto para que vocês entendam o porque da história do Fêtxa ter sido tão complicada.

Fêtxa é o filho mais velho de seu pai, uma liderança indígena que foi muito respeitada por vários anos até sua morte. Durante a entrevista Fêtxa nos conta na entrevista como foi complicado para ele se assumir para ele mesmo quando mais novo, como ele tinha um grande auto-preconceito consigo mesmo, tudo isso porque havia as complicações de seus status na sociedade em que nasceu. Ele mesmo nos disse que atualmente se identifica como Gay, mas que anda explorando demais orientações como a Pansexual e que no fim das contas ainda está se descobrindo, e isso está ok, não tem nada de errado com isso. Mas voltando para a história dele, ele não se sentia no direito de ser quem era porque não queria manchar a imagem do pai, ele tinha medo de que se ele se assumisse e as pessoas descobrissem elas iriam fazer pouco do pai dele por sua causa e isso para ele deve ter sido insuportável de pensar toda vez que ele lembrava que seu pai era uma liderança altamente respeitada.

Bem, vocês querem saber por que isso mancharia a imagem do pai dele? Puro e simples preconceito dos outros. Eu penso que se um líder está fazendo seu trabalho bem e é reconhecido por seu trabalho a sua sexualidade e principalmente a de alguém de sua família não deveria interferir em nada, no fim das contas cada um está vivendo sua própria vida. Mas as coisas não são bem assim. Um laço sanguíneo é muito bem contado quando se trata de nós, povos indígenas. Se hoje algum primo de terceiro grau meu que nunca vi se envolvesse com o mundo do crime e fosse preso as pessoas mesmo assim iriam falar “o sobrinho daquela liderança lá fez isso”, se um irmão meu hoje se assumisse gay abertamente meu pai o aceitaria de boa, mas mesmo assim as pessoas de fora ainda comentariam “o filho daquele líder lá é assim”. Eu digo que é porque elas não tem nada de melhor para fazer, mas o fato é que isso acontece e dependendo de como eles vêm a liderança e sua família sua estará suja ou limpa. Assim, mesmo que você tenha sido uma boa liderança por mais de quarenta anos um “escândalo” como esse realmente poderia acabar com sua imagem diante do povo. Isso parece ser bem dramático e exagerado, mas infelizmente é a verdade.

Durante a entrevista eu comento que também sou filha de uma liderança indígena, então entendo parte da pressão que ele está sofrendo, por que não digo que entendo por completo? Primeiro porque sou mulher, isso por si só já traz complicações diferentes para nossas vidas como filhos de liderança, e segundo porque não sou LGBT, ou pelo menos ainda nao me identifiquei assim, o que mais entender menos ainda sua pressão, mas mesmo assim “estamos no mesmo barco”. Eu sei as exigências que foram feitas e imagem que exigiram dele, então compreendo que deve ter sido muito complicado.

Desde muito novo Fêtxa não se identificava com aquilo que impuseram para ele do que deveria ser um homem padrão e se sentia diferente dos demais, o que acabou causando sobre si um olhar diferente das pessoas de ambas as suas comunidades, que começaram a tratá-lo diferente. Quando ele tinha quatorze anos ele realmente começou a procurar mais sobre sua auto descoberta para saber quem ele era e o que ele queria. Quando ele conheceu a comunidade LGBTQIA+ ele ainda assim não falou muito sobre o assunto e até mesmo agora nao fala muito sobre sua sexualidade, mas os motivos do passado e presente são diferente. Fêtxa fala bastante sobre a causa da demarcação das terras indígenas e saúde indígena em sua palestras, mas procurava sempre se resguardar e não comentar muito abertamente sobre sua sexualidade pois tinha um pouco de medo que as pessoas parassem de o levar a sério quando descobrirem sua orientação sexual, isso, de novo, devido o seu status e devido a como as pessoas ao seu redor iriam o encarar. No fim das contas, infelizmente, ainda não falam muito sobre o indígenas LGBT. Depois ele finalmente se entendeu como gay ele começou a pesquisar mais sobre a comunidade LGBT e os indígenas LGBT, então começou a falar mais sobre o assunto.

Se seria mais fácil para ele se assumir caso ele não fosse filho de uma liderança? Bem, não, ao menos não dá para afirmar, no fim das contas sempre existem os pais que aceitam ou não os filhos e tem uma sociedade julgadora do lado de fora de casa, infelizmente.

Se é normal falar sobre indígena LGBT na comunidade e se tem uma desculpa nas nossas crenças para haver homofobia? Alguns anos atrás não falavam muito sobre os indígenas LGBT, mas atualmente está tendo uma abertura maior para falar sobre o assunto e ter esse espaço. Além disso, tem um contexto diferente para o indígena LGBT que está na cidade e para o que está na comunidade, não dá para ir de um lugar ao outro e levar o mesmo contexto da mesma forma, porque são vivências diferentes. Desde que respeitemos os anciões e o que nos é ensinado teremos uma convivência boa. Quanto à segunda pergunta, bem, sempre existiram gays e lésbicas no meio dos povos indígenas, mas depois da invasão dos colonos houve uma grande imposição religiosa sobre nós e isso distorceu muito as coisas, tanto que chegou um tempo em uma das minha comunidades, a Guajajara, que se alguém se assumisse gay ou lésbica eles eram mortos. Eles trouxessem muito desse preconceito com eles nesse genocídio que eles trouxeram, então eu acredito que as religiões de fora interferiram muito na nossa visão do que era errado. Agora, falando de agora, atualmente, tem uma moça trans na comunidade Fulni-ô e lá eles têm muito certo o que é ser homem e o que é ser mulher, do que é binário, então as tarefas são distribuídas de acordo com o sexo nos rituais. Ela fez a redesignação sexual e hoje em dia ela não é aceita nem no meio masculino e nem no feminino (se referindo aos rituais), então quando tem nossos rituais ela não participa, ela só olha, então não faz parte desse nosso momento religioso dos Fulni-ô’s, ela fica de longe, só olhando, então esse ainda é um processo de aceitação para o meu povo, das pessoas T. No caso dos Guajajara a redesignação seria mais complicada, por causa da Festa do Moqueado[1], e na Festa do Moqueado só as mulheres[2] participam, então a pessoa que fez a transição de gênero não pode participar. 

([1] a Festa do Moqueado* é um ritual que as meninas de alguns povos indígenas passam para se tornar mulher. Depois de passar alguns dias separadas em um grupo de meninas aprendendo várias coisas que as ajudaram em suas vidas futuras após suas primeiras menstruações todos organização a Festa do Moqueado para celebrar a passagem das meninas para a fase adulta, então no fim da festividade a moça já será considerada mulher diante de seu povo. Antes da festa em si acontecer as meninas passam por vários ensinamentos e rituais, mas não tem como descrever pelo o que exatamente elas passam, porque cada povo que faz o ritual o faz de forma diferente, mas uma semelhança clara entre todas é que após esse período haverá a Festa e todos comerão moqueado juntos. Alguns povos não comem moqueado no fim do ritual da menina moça, mas fazem um banquete no fim do ritual, então cada povo realmente faz essa passagem de forma diferente. Moqueado* é um assado que é preparado somente com a fumaça do fogo, algo semelhante a defumação, mas que fica assando por dias a fio na fumaça, algumas pessoas moqueam seus alimentos por três ou sete dias e outras até mesmo moqueam por semanas pois isso faz a carne durar mais tempo)

([2] Como dito anteriormente, a Festa do Moqueado é para comemorar a passagem das meninas para a fase adulta, então só quem as acompanha e arruma durante a festividade são as mulheres que já passaram pelo mesmo ritual quando meninas. Se uma menina não passa pelo ritual durante sua vida ela nunca é considera uma mulher adulta aos olhos de seu povo, logo ela não pode casar e nem ter filhos, porque ainda é vista como criança e crianças não podem participar do ritual e nem da arrumação das meninas que está passando por isso pela primeira vez)

Então o caso desta mulher trans é que ela não pode participar da Festa do Moqueado, porque ela nunca menstruou antes e nunca passou pelo ritual, logo ela não é reconhecida como mulher. Então tem todas essas controvérsias, porque por mais que ela tenha feito a transição, por ela não ter menstruado e não ter passado pelo ritual ela não pode se pintar como as mulheres e participar da festa. Hoje em dia ela é aceita como ela é e eles aceitam sua decisão de ter feito a transição, mas ela não faz parte dos nossos ritos religiosos.

Quanto a essa exclusão da mulher trans dos rituais, isso é facilmente explicado. Os homens têm seus rituais e suas festividades assim como as mulheres têm suas festas e rituais. No caso dos homens quando eles chegam a certa idade eles passam por um ritual e depois são considerados homens pelo seu povo, independente da sexualidade que você tiver, por você ter passado pelo ritual você pode participar das festividades, mas é diferente para ela que decidiu fazer a transição cirúrgica. Os homens e as mulheres já aceitaram e vivem normalmente com ela, mas ela fez a transição, então não pode mais participar das festividades e rituais masculinos, ela também não pode participar das festividades e rituais femininos porque ela nunca menstruou, logo ela não teve seus primeiros ritos como mulher e nem fez sua festa do moqueado, o que impossibilita a elas de a reconhecerem como mulher para participar dos ritos. Fora os ritos ela é aceita pela comunidade, mas quando esses tempos chegam ela é apenas uma criança, uma menina, pois nunca menstruou para poder fazer a Festa e se tornar mulher, logo ela não pode participar dos outros rituais.

Os casos de homofobia são menores, maiores ou iguais ao da sociedade não-indígena? Bem, nós não tínhamos os números e nem os dados, então apenas pudemos afirmar que infelizmente há casos de homofobia sem nas comunidades e assim como tem casos de morte na cidade, também tem nas comunidades, mas Fêtxa acredita que não seja superior ao da cidade, mas varia muito de etnia para etnia e de aldeia para aldeia. Ele acredita que é bem pior quando saímos da comunidade para cidade quando somos indígenas LGBT, pois sofrerão mais fora da comunidade. Existe a homofobia, exclusão, chacota e piada com eles da mesma forma que tem aqui fora, na cidade, mas não tem como saber se é ou não maior na comunidade ou na cidade.

Existia/existem punições ou cura gay nas suas comunidades indígenas? Casos de punição ou coisas desse nível eu não ouvi, mas tem casos e relatos de antigamente nas comunidade da minha mãe. Lá eles apanhavam porque eram vistos como doentes, eram humilhadas e eu fiquei sabendo de um caso, mas não sei se é real, provavelmente é, que minha mãe me contou de quando ela era criança, onde enfiaram um pedaço de madeira no ânus de um cara. Algumas pessoas eram expulsas de casa e até mesmo da comunidade.

Antigamente, na juventude dos meus avós e do meu pai, as pessoas da comunidade dos meus pai  que eram vistas como homosexuais tinham duas escolhas, ou elas se casavam com a primeira pessoa que seus pais arranjaram e isso era visto como uma ‘coisa da juventude’ ou ele ficava solteiro para sempre e era visto apenas como um tio ou tia estéril, então nunca se casava. Em alguns casos, comunidade do meu pai, nos tempos dos meus avós, quando descobriam que alguém era homossexual as pessoas as marcavam para morrer, então seus pais juntavam tudo o que tinham e davam para seus filhos fugirem para cidade, geralmente para capital, para ele poder viver, mas nunca ouvi falar de torturas feitas por causa da pessoa ser LGBT.

Fêtxa não se assumiu, ele foi retirado do armário pelo seu irmão, duas vezes, e depois de sua mãe agir de forma exagerada ela o aceitou logo em seguida e prontamente ficou ao seu lado para o defender de qualquer coisa que surgisse. A mãe dele sabia, mas o pai não ele morreu sem saber, ou pelos nunca ouvir da boca do filho, qual era sua orientação sexual.

O momento mais triste e difícil, assim como o mais feliz de Fêtxa aconteceram todos no mesmo dia. No dia que seu pai morreu ele teve que ver e ouvir sua família apontar o dedo para ele e o acusar de ter matado o pai de desgosto por ser gay. Durante o cortejo fúnebre a família dele não quis que ele ficasse perto do caixão, nem mesmo na hora de o enterrar, mas uma tia dele, sua segunda mão, o puxou para perto de onde o caixão estava sendo enterrado e lhe disse que ele deveria estar ali sim porque ele era o filho homem mais velho do pai dele. Ele tinha quinze anos na época. A relação da família dele com ele estava muito ruim e sua avó proibiu o próprio irmão mais novo dele de andar com ele pois ele estava “doente”, até seus primos foram proibidos de falar com ele. Ele pegou suas malas e estava em choque, sem conseguir chorar, porque tinham tirado dele a chance de viver um luto, e ele mesmo se sentiu culpado por muito tempo pela morte do pai. O momento mais feliz dele foi no dia do enterro, pois sua tia, sua segunda mãe, foi a única que saiu de casa e foi o levar para casa dela, ficou com ele e chorou com ele, dizendo que ela ia lutar por ele da mesma forma que a mãe dele lutou por ele. Outro momento muito feliz para ele foi na faculdade, quando ele e seus amigos fizeram um chaleng na net e ele apareceu pela primeira vez caracterizado com seus adornos indígenas enquanto segurava uma bandeirinha LGBT, foi quando ele percebeu que estava quebrando suas barreiras e seus medos, por isso ele estava muito feliz.

Ele já deixou de fazer coisas com ser indígena LGBT, coisas como dar palestras.

No passado ele não acreditava que as pessoas um dia fossem aceitar os LGBTQIA+, mas hoje em dia ele pensa diferente. Principalmente em relação aos povos indígenas, ele acredita que podemos viver com respeito, no sentido de cada um respeitar um ao outro, e que se continuarmos levantando essas pautas nas comunidades vai ser muito bom se essa bandera sair da comunidade para a cidade, e não o contrário como se isso fosse algo imposto a nós. Quando conseguimos mudar pelo menos a mentalidade de dez pessoas quando aos LGBT, nós já estamos fazendo muito, pois essas outras pessoas também mudarão a mentalidade de outras pessoas. Então ele acredita que um dia nós vamos conseguir viver como quem somos de forma livre.

Dê um conselho para quem sofre preconceito por ser indígena LGBT. O conselho que ele dá para os outros é o mesmo que ele dá para si mesmo, “transforme sua dor e tudo pelo o que passou em força”, ele diz isso pois hoje ele entende que se não tivesse sido forte no passado ele talvez não estivesse aqui hoje. Vai doer, você vai sofrer, mas dá para pegar essa dor e a pôr em si e a transformar em algo que o leve para frente. Sentir a dor é necessário para ficar mais forte e se você estiver com algum problema procure ajuda com alguém que o apoie.

Fêtxa não conhecia nosso projeto antes de eu entrar em contato com ele, mas ele já tinha visto alguma coisa do conteúdo BL e ele acredita que coisas como essas e o nosso projeto podem ajudar as pessoas, pois quando o fazemos de coração aberto nós chegamos ao coração das pessoas.

E quanto a agora podermos doar sangue sendo LGBT, o que você acha? Eu acho que foi uma luta necessária, pois tinha muito sangue que podia salvar vidas que estava “parado”, ao mesmo tempo eu não estou surpreso pelo nosso país ter essa proibição e só ter aprovado a doação sem as restrições de antes agora.

Sobre o duplo preconceito que os indígenas sofrem quando são LGBT, o que você acha sobre isso? Eu acho que isso é verdade, esse duplo preconceito. É muito louco quando chegamos na cidade e dizemos que somos indígenas, porque sofremos preconceito, então quando dizemos que somos indígenas e LGBT a reação e o preconceito delas é surreal. E também tem alguns indígenas que não querem discutir essa pauta porque não acham relevante, mas é relevante sim. Quando chegamos na cidade nós temos um grande choque cultural e é um grande incômodo falar sobre isso porque a reação das pessoas é muito surreal, então elas perguntam se isso existe mesmo, de que povos somos e se nosso povo permite. O povo da cidade consegue ser tão tóxico, eles conseguem se intoxicar e ainda destruir nossa sanidade mental.

Agora questões indígenas quanto ao preconceito vivido na cidade quando somos crianças na escola. Nós dois, quando fomos estudar na cidade, fomos os únicos indígenas de nossas turmas até o ensino médio, e como um peixe fora da água considerado burro e sem capacidade, nós tivemos que provar para os outros que nós podiamos sim aprender tudo que os outros também aprendiam e tivemos que nos destacar para nos sentir menos discriminados. Foi apenas no ensino médio que finalmente encontramos outros indígenas estudando conosco, isso não é surpreendente quando pensamos em qual país estamos morando? Foi incrível. Mesmo assim ainda sofremos preconceito. Agora na faculdade tivemos finalmente nosso lugar e pudemos falar, nos sentimos bem mesmo quando ainda recebemos olhares diferentes e palavras difíceis, porque na universidade tem mais indígenas para sermos amigos, mais pessoas que entendem pelo o que passamos.

Se nós ensinarmos os não-indígenas nossa língua para evitar que ela morresse? Nós realmente consideramos nossa língua uma exclusividade e amamos falar ela, é nosso orgulho, mas a maioria dos jovens de hoje não fala mais a própria língua e isso é triste. Antes de ensinar um não-indígena é preferível ensinar os do nosso povo que não falam a língua, mesmo assim eu não me oponho a ensinar os não-indígenas pelo menos as línguas gerais, o Tupí e o Nheengatu, pois assim a comunicação seria mais fácil, Fêtxa, no entanto, não pensa como eu, ele acha que a língua é uma coisa exclusiva e sagrada por causa do fundo religioso de algumas palavras sem tradução para o português, mas ele não nega que ensinaria coisas básicas para a pessoa sobreviver, algo como pedir água e comprimentos. No fim das contas esse é um assunto complicado e não depende de somente duas pessoas de dois povos diferente, isso depende do povo em geral concordar ou não em ensinar.

Terra sem pecado, documentário sobre indígenas LGBT.

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Comentários (1)

  • Avatar
    a.gabriel Resposta

    Muito emocionante a entrevista, mesmo não me identificando eu dou todo meu apoio. ?????? Muito guerreiro.

    02/06/2020 at 15:22
  • Avatar
    Vitória Resposta

    Essa entrevista foi maravilhosa.

    02/07/2020 at 00:27

Comente e deixe a gente Feliz


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