Azul é a Cor Mais Quente: Um filme sobre descobertas, mas com um lado obscuro

Azul é a Cor Mais Quente: Um filme sobre descobertas, mas com um lado obscuro

Oi, amorecos!

  Hoje, vamos falar de um dos filmes mais controversos sobre representação do relacionamento lésbico do cinema, com uma realidade por trás das câmeras que é nojenta e, infelizmente, recorrente nos cinemas. Preparados? 

  • Sinopse: Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente.
  • Data de Lançamento: Foi lançado no Festival de Cannes, em 23 de maio de 2013, mas chegou ao Brasil em 6 de dezembro, do mesmo ano.
  • Nome original: ‘’La vie d’Adèle’’
  • Duração: 3h7min 
  • Gênero: Drama/Romance

O filme retrata a história da jovem Adèle, que aos 15 se considera plenamente heterossexual. Entretanto, ao conhecer Emma, uma jovem graduanda em artes, de cabelos azuis, uma reviravolta acontece na sua vida. 

Inicialmente, a estudante tem relação com um rapaz, mas se sente insatisfeita e termina. Enquanto isso, continua fantasiando com a mulher de cabelos azulados, até o dia em que as duas se conhecem propriamente, devido à uma situação que aconteceu numa boate lésbica que Adèle resolveu conhecer. 

Após Emma ajudar a mais nova nessa boate, elas se tornam amigas e começam a passar muito tempo juntas. Nesse momento, os questionamentos de Adèle começam a se aprofundar, gerando até mesmo suspeitas em suas colegas de escola.

Entretanto, mesmo com isso, e com o fato de ter uma família conservadora, as duas criam um laço forte. Com a aproximação, elas acabam tendo o primeiro beijo durante um passeio e, após isso, sua primeira vez, as levando a ter uma relação apaixonada. A cena de sexo tem cerca de 7 minutos e é mostrada de forma quase explícita, mas ao mesmo tempo de forma sensível. 

~ ALERTA DE SPOILER ~

A partir disso, as duas passam a ter uma relação, que é muito bem acolhida pela família de Emma, mas escondida dos pais de Adèle, que têm uma visão de que mulheres só podem ser amigas. Por isso, para eles, Emma é apenas a tutora de Filosofia de Adèle. 

O tempo se passa e as duas passam a viver juntas. Emma seguindo sua carreira de pintora e Adèle passa a ser professora em uma escola primária. Entretanto, o relacionamento deixa de ser só flores e as dificuldades passam a aparecer. Adèle não se encaixa com os amigos intelectuais de Emma e está deprimida com sua carreira. Todas essas questões afastam mais as duas, e, em momento de fraqueza, Adèle dorme com um colega. 

Esse é o estopim para a relação das duas, tanto que Emma expulsa ela de sua casa, deixando uma Adèle de coração partido. Mas algum tempo se passa, e dessa vez, Adèle está satisfeita com sua profissão. Contudo, uma tristeza passa a tomar conta dela. Elas se reencontram em um restaurante, e Adèle descobre que Emma está num relacionamento com Lise, uma conhecida de anos atrás. 

Adèle, que ainda é perdidamente apaixonada por Emma, sente-se destruída ao descobrir o relacionamento, mas mantém seus sentimentos para si. Uma fala marcante é a de Emma mostrando como a conexão das duas era forte, embora não exista mais atração mútua, na qual ela diz: ‘’eu tenho uma ternura infinita por você. Eu sempre a amarei. Toda a minha vida toda’’. 

O filme se encerra com Adèle na exposição de Emma, na qual há até uma pintura dela nua da época que as duas namoravam. Elas se cumprimentam e Emma recebe as felicitações de Adèle, mas pouco direciona sua atenção a ela. Esta, por sua vez, conhece um rapaz que se interessa por ela e insiste nela veementemente, porém, sem sucesso. O longa acaba com Adèle em uma busca por um futuro inexato. 

Azul é a Cor mais Quente | :: Spoiler ::

Azul é a Cor Mais Quente, falando do filme em si, é surpreendente. Mostra com sensibilidade questões que exigem devido tratamento, como a descoberta da sua sexualidade, a aceitação do seu próprio eu, a diferença entre as classes sociais, entre outros. A própria cor azul tem um significado importante, visto que aparece não só nos cabelos de Emma, como em outras partes da produção e que simboliza para Adèle, paradoxalmente, o amor e a tristeza, o êxtase e a curiosidade. É válido ressaltar que à medida que a relação das duas esfria, os cabelos de Emma perdem a tonalidade azul e passam a ser um tom mais claro, mais ‘morno’. Foi premiado por unanimidade como o Palma de Ouro do Festival de Cannes 2013. 

~ Bastidores ~

Mas o lado que poucos conhecem dessa obra, é a história obscura dos bastidores, que em cinco meses de filmagem, causaram traumas nas atrizes e na equipe. As acusações que envolvem abuso moral, assédio sexual e alterações de condições de trabalho e salários, são direcionadas ao diretor e co-roteirista do filme, Abdellatif Kechiche. 

Em entrevistas com as próprias atrizes, elas afirmaram que usaram próteses vaginais para gravar a cena de sexo, que durou dez horas consecutivas de filmagem. Adèle revelou ter sofrido durante as gravações, pois chorava devido à dormência e ao sangramento causado pelas próteses. Entretanto, elas não poderiam interromper a cena. Muitas vezes, ele próprio demonstrava como fazer as cenas, apalpando os seios e partes íntimas das atrizes.

Outra cena polêmica é a cena em que Adèle apanha da personagem de Léa. A atriz declarou que a cena foi realmente sofrida, pois a personagem de Léa Seydoux a bateu várias vezes, porém Kechiche insistia que ela continuasse, de forma que fosse violento e humilhante. Elas declararam publicamente que não trabalhariam com ele novamente. Posteriormente, o diretor sofreu novamente acusações de abusos e estupro no set por uma atriz que não quis se identificar.

Esse fato gerou uma das maiores controvérsias do filme: Muitos acreditam que o filme apenas foi feito para satisfazer homens com fetiche em lésbicas e não para realmente representar a causa delas. Outro ponto abordado é o fato de uma relação de mulheres estar sendo retratada na visão de um homem, ainda mais um homem heterossexual. 

Abdellatif se defendeu dizendo que era ‘arte’ e questionou o fato de as atrizes estarem no tapete vermelho felizes e sorridentes, mesmo que fosse parte do contrato. Em entrevista à revista francesa Télérama, ele afirmou que o filme não deveria ter saído, pois havia muitas manchas. Disse ainda que o prêmio em Cannes foi um ‘’breve momento de felicidade’’. E, respondendo às acusações de Léa Seydoux, disse que ela não mediu as consequências de suas palavras. Ele encerrou falando que “as suas declarações são piores que cuspir na sopa, são uma falta de respeito por uma profissão que considero sagrada. Se realmente viveu o que conta, então por que foi a Cannes chorar, agradecer, passar dias experimentando vestidos e joias? Ela é uma atriz profissional ou artista de gala?”.  

E o que vocês pensam sobre isso? Deixem nos comentários e não esqueçam de seguir a BLB nas outras redes sociais. Um beijão, por hoje é isso!

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