Autoimolação: mais do que um ato protestante

Autoimolação: mais do que um ato protestante

Olá para você que nos acompanha aqui na BLB. Hoje não irei falar sobre BL, mas adianto que o tema que irei tratar é bastante interessante, principalmente se você ainda não tiver ouvido falar.

Vamos então conversar sobre autoimolação, isto é, o ato de martirizar-se, infligindo um castigo físico em seu próprio corpo como forma de protesto, usando como exemplo o caso do monge vietnamita Thich Quang Duc, em 1963.

Porém, antes de chegar até esse caso, é necessário contextualizar seu período histórico.

Vamos relembrar que desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1945) até o início da década de 1990, o mundo viveu um conflito indireto entre duas potências globais: EUA de uma lado; URSS de outro. O que ficou conhecido como Guerra Fria. 

No meio desse embate, os países do leste asiático sentiram à flor da pele os efeitos da “indireta” batalha entre o mundo capitalista e o mundo socialista. 

No que tange ao Vietnã, é interessante recordar que o país foi colônia francesa até meados da década de 1950, conquistando sua independência somente em 1954 por meio do Tratado de Genebra  que formalizou o fim da Guerra da Indochina,  conflito travado entre a região que hoje compreende Laos, Camboja e Vietnã contra o domínio francês, liderada por Ho Chi Minh, simpatizante dos ideais socialistas, mas que necessitou do apoio norte-americano, chinês e aliados para obter êxito na expulsão dos colonizadores franceses. 

Mapa da Indochina, com Vietnã em destaque

O fim da Guerra da Indochina, dentre seus efeitos, acarretou o surgimento de dois países com lideranças ideológicas diametralmente opostas. Surge ao norte, um governo ligado aos ideais socialistas, sustentado pela URSS e liderado por Ho Chi Minh; e ao sul, sob chefia de Bao Dai, um regime atrelado aos moldes capitalistas, apoiado pelos EUA. São os vietnãs do norte e sul, respectivamente. 

Avançando temporalmente, os Estados Unidos, devido ao temor do avanço comunista na região do Sudeste Asiático, intervém na região sul, apoiando a ditadura de Ngo Dinh Diem (sucessor de Bao em 1955), financiando e enviando soldados norte americanos após o início da guerra, em meados da década. 

Aqui está a relação que preciso com o monge do começo do início matéria. 

Vamos então recapitular. O Vietnã foi colônia francesa até meados do século XX, em seguida, devido a bipolarização global, teve seu território dividido entre capitalistas e comunistas, mas, há uma questão que até agora não foi discutida: a religião. 

O Vietnã, assim como muitos países do Leste Oriental, é proeminentemente budista, contudo tanto seus antigos colonizadores, quanto Dinh Diem eram pró-católicos, impondo, dessa forma, o Catolicismo como “religião oficial” do país, perseguindo monges e fechando templos, atitude esta que se mostra completamente incongruente com a realidade do país (composto por maioria budista). 

Fotografia na versão colorida / Imagem: Reprodução

Nesse contexto, aparece o monge Thich Quang Duc, que num ato de protesto religioso e com auxílio de outros companheiros de religião, decide, em 1963, na capital do Vietnã do Sul, Saigon, sacrificar-se contra a postura do governo da época, marcado pela intolerância a outras manifestações religiosas.

Duc foi banhado por gasolina enquanto segurava em suas mãos algumas preces, em seguida, acende um fósforo e ateia fogo em seu próprio corpo, permanecendo calado e imóvel até morrer carbonizado, segundo relatos de testemunhas que presenciaram a cena. 

O ato ocorreu numa praça pública e contou com, não só a presença de vários monges, como também jornalistas. Entre eles, destaco dois que ficaram famosos, são eles: Malcolm Browne, fotógrafo ganhador do prêmio Pulitzer, e David Halberstam, vencedor do prêmio de melhor reportagem do ano.

Malcolm W. Brown ao lado de sua fotografia premiada em 1963 / Imagem: Reprodução

Eles foram os repórteres que registraram a cena que hoje causa diversas reações ao redor do planeta, desde espanto a admiração. 

Entretanto, espanta-se quem acredite que o ato de imolar-se seja inerente à religião. 

Esse tipo de protesto está presente em outros planos que não o religioso, assim como se constata em outros lugares do mundo. Apenas para exemplificar, cito aqui o emblemático caso do vendedor ambulante que pôs fogo em seu próprio corpo num ato de desespero após ter a sua mercadoria confiscada pela polícia em 2011, na Tunísia, país do norte da África. 

Sua atitude provocou uma onda de outros protestos e motins em países vizinhos e também no Oriente Médio, iniciando o que ficou conhecido como “Primavera Árabe”. Além dele, em 2019, na Tchecoslováquia, 50 anos após o massacre que ficou conhecido como “Primavera de Praga”, um jovem tenta repetir um ato que ocorreu naquela época em que outro homem se autoimola ao protestar contra a política agressiva e genocida da Ex-URSS no país. 

Enfim, como podemos observar, a atitude está ligada não somente com a religião, mas também com a política. Além disso, não deixou de existir no século vigente. Se você pesquisar sobre “Imolação” tanto no Google quanto no YouTube, irão aparecer diversas notícias e vídeos de pessoas que praticaram-na em prol de alguma reivindicação.

Aqui no Brasil já ocorreu? 

Em uma pesquisa online, constatei que, segundo um artigo do Jornal Correio Braziliense, já houve atos de autoimolação em território nacional, porém teve pouca repercussão pela mídia. Teria motivo implícito para tal “descaso”, além da aparente surpresa? 

Todavia, a grande pergunta que faço é a seguinte: martirizar-se seria o melhor método de reivindicar algo? Gostaria de ouvir a sua opinião também a respeito da possibilidade da autoimolação se popularizar no Ocidente. É factível? 

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