Antínoo e Adriano: caso entre Imperador e escravo!

Antínoo e Adriano: caso entre Imperador e escravo!

Sejam todos bem-vindos a mais uma matéria sobre romances na Idade Antiga. 

Nós já conversamos em outro momento sobre algo parecido, falamos de um mito grego bastante conhecido que tenta explicar a cor da flor “Jacinto”. Caso você ainda não tenha lido clique aqui e confira. 

Hoje vamos avançar temporalmente e falaremos sobre Roma Antiga, em específico a respeito da primeira metade do século II d.C. 

Nessa época, o comandante do Império Romano era um homem chamado Adriano. Seu governo ficou conhecido pelas reformas que implantou em Roma e também pelo seu casamento que não deu certo com a Imperatriz Víbia Sabina. 

Busto do Imperador Adriano e da Imperatriz Víbia Sabina. Foto: Reprodução.

Além disso, em vida Adriano sempre demonstrou preferência pelos homens em vez das mulheres, talvez esse seja um dos motivos pelo qual o seu relacionamento não tenha tido tanto sucesso. 

É necessário acrescentar um detalhe: o fato de que não era incomum, pelo menos naquele momento, o envolvimento sexual homoafetivo.

Havia uma crença de origem grega que considerava o relacionamento sexual entre homens mais velhos com jovens menores de idade bastante importante, sobretudo para o mais novo, denominado como “pederastia”, esse tipo de contato era um meio pelo qual os mais jovens muitas vezes iniciavam a sua vida sexual, sendo portanto muito respeitado pela maioria da população.

É por isso que é comum escutar que grandes mestres filósofos e outros sábios da Antiguidade costumavam se deitar com seus aprendizes.

Ademais, é válido lembrar que nas forças armadas das poleis gregas também havia uma “tradição” em que os recrutas se relacionavam sexualmente com seus veteranos, principalmente em Esparta já que a duração do serviço militar consumia praticamente toda a juventude dos meninos, dessa forma o longo período distante do contato feminino ensejava momentos íntimos entre os combatentes a fim de satisfazer suas necessidades pessoais. 

Seja como for, se comparadas com os dias atuais, as antigas civilizações ocidentais eram muito mais “mente aberta” nesse sentido do que a sociedade de hoje, principalmente se pensarmos que na atualidade o uso de violência contra pessoas que fogem do padrão heteronormativo é muito maior.

Mas toda essa introdução apenas serviu para que pudéssemos conversar sobre um romance bastante emblemático durante o início da Era Cristã: o relacionamento entre Adriano, um Imperador Romano, e Antínoo seu escravo e amante. 

Primeiro contato

Escultura de Antínoo, o escravo favorito de Adriano. Foto: Reprodução.

Acredita-se que o primeiro contato entre ambos se deu em 123 d.C. quando o Imperador, durante uma campanha que realizou viajando pelo vasto Império Romano, passou pela antiga cidade de Claudionópolis, na antiga província da Bitína, localizada a noroeste da atual Turquia.

Lá vivia o jovem Antínoo que segundo relatos desde o primeiro contato com o Imperador, despertou o seu interesse. A partir de então Antínoo torna-se seu escravo e é enviado naquele mesmo ano para estudar em Roma, o menino permaneceu por dois anos.

Intimidades e Favoritismos 

Bustos do Imperador Adriano (à direita) e Antínoo (à esquerda). Foto: Reprodução.

Após terminada a sua viagem pelo Império, Adriano foi até Roma e então os encontros com o escravo começaram a se tornar assíduos. Três ano mais tarde, em 128 d.C., Antínoo é nomeado seu escravo favorito, além disso, quando o comandante decide retornar para Grécia, dentre os poucos convidados a regressar junto dele, Antínoo também estava na lista. 

Segundo biógrafos e especialistas sobre o tema, a intimidade desenvolvida entre os dois era grande, ainda que a quantidade de fonte não seja tão promissora. Contudo, pelo o que se sabe, o gosto pela caça era partilhado por ambos, há um relato sobre um evento datado de 130 d.C. sobre uma viagem até a Líbia, localizada ao norte do continente africano, onde eles decidem caçar um leão que estava perturbando a paz daquela região e nessa caçada Adriano teria salvado a vida de Antínoo. 

Arco de Constantino (representação da vitória de Adriano e Antínoo na Líbia). Foto: Reprodução.

Esse ato foi eternizado por meio de uma construção, mais tarde denominada “Arco de Constantino”, localizado em Roma.

Mas parece que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar 

Representação de Antínoo como um deus egípcio. Foto: Reprodução.

Ainda durante a expedição pela África, quando a comitiva de Adriano estava indo em direção ao Egito, decidiram parar na cidade de Hermópolis e, segundo testemunhas, Antínoo caiu no rio Nilo e morreu afogado, coincidentemente no mesmo dia em que se costumavam ser celebrados festivais em homenagem ao deus egípcio Osíris. 

Porém a causa da morte do escravo até hoje é polêmica e por isso discutida entre os especialistas. De fato o motivo mais plausível para o falecimento de Antínoo é afogamento, mas há quem defenda a ideia de que possa não ter sido apenas um acidente, mas sim um assassinato, já que o relacionamento que possuía com o Imperador não era aprovado por todos, principalmente pelo fato de o Imperador já possuir 54 anos de idade e o escravo ter completado a maioridade nessa época (acredita-se que Antínoo morrera com 18 ou 19 anos – a imprecisão deriva da incerteza sobre seu ano de nascimento).

Os mais supersticiosos acreditam que Antínoo não foi morto ou caiu por acidente, mas devido ao seu amor e devoção ao Imperador, e por vontade própria, tenha se jogado no rio em sacrifício por Adriano, uma vez que este se encontrava mal de saúde. 

O amor imortalizado 

Vila Adriana, Itália, uma das construções realizadas pelo Imperador Adriano em memória a Antínoo. Foto: Reprodução.

Independente da causa da morte, o que se verifica é o inconformismo do Imperador diante da morte de seu escravo favorito.

Dessa forma, em memória ao seu grande amor, Adriano prestou diversas homenagens durante seus anos restantes de vida. Dentre elas ordenou a construção de diversas estátuas do rapaz, que foram espalhadas por todo o Império Romano e, muitos anos depois, durante o Renascimento do XV e XVI a figura de Antínoo, com a sua beleza e formosura, foi resgatada devido ao seu ideal de beleza e perfeição defendido pelos escultores renascentistas.

Além disso, Antínoo foi a primeira pessoas fora da linhagem imperial que foi deificado, ou seja, foi elevado à categoria de um deus. Ademais, no local em que morreu foi erguida a cidade de Antinópolis e por fim, inúmeros templos e outras construções solenes foram erguidas com o dinheiro do Estado, para que a figura mais importante do Imperador fosse imortalizada pelos romanos.  

O projeto empreendido pelo Imperador parece ter sido um sucesso, porque a história do amor entre ambos é lembrada por artistas contemporâneos, como por exemplo o poeta português Fernando Pessoa que, no início do século XIX, escreveu um poema, originalmente em inglês, citando o assunto:

“Morto jazia o mancebo

Em sua nudez completa, no baixo leito,

Ante os olhos de Adriano, cujo sofrimento algo terrível lhe era.”

Referências

Poema completo de pessoa: As Ideias no Tempo

Artigos de opinião sobre o assunto: GreeceInsiders, História de Roma, Aventuras na História e Liszt

Se você gostou dessa matéria, por favor, não deixe de curtir e expor a sua opinião. A sua interação é muito importante para a manutenção do site. Além disso, não se esqueça de seguir as nossas plataformas digitais, por lá, você tem acesso a todo o conteúdo produzido pela página como notícias, capítulos de novels, trailers, reviews e tudo mais.

A Boys Love Brasil agora tem uma loja! Lá, você pode encontrar acessórios como camisetas, canecas e almofadas do seu dorama, banda de k-pop ou anime preferidos. Se você ainda não conferiu, acesse clicando aqui.

Além disso, a BLB agora também possui uma editora! Se você tem interesse ou conhece escritores que produzam histórias, sobretudo LGBTQ e que gostariam de publicá-las online. Entre em contato conosco. Para acessar o site, clique.

Para acessar o site das Novels Boys Love, clique aqui.

Para acessar o nosso canal do Youtube, clique aqui.

Para nos seguir no Instagram, procure por: @boyslovebrasill ou clique aqui.

Para nos seguir no Facebook, procure por: Boys Love Brasil ou clique aqui.

Para nos seguir no Twitter, procure por: @bloversbrasil ou clique aqui.

Para nos seguir no Telegram, procure por: Boys Love Brasil ou clique aqui.

Compartilhar esta publicação

Comente e deixe a gente Feliz

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x
%d blogueiros gostam disto:
Optimized with PageSpeed Ninja