Addicted Heroin: um amor que incomoda

Addicted Heroin: um amor que incomoda

Sejam todos bem vindos a mais uma resenha aqui na BLB. Hoje trazemos para vocês uma das série mais conhecidas pelo fandom, e que devido ao seu sucesso estrondoso num país intolerante e mente fechada, teve um desfecho bastante melancólico, estou me referindo ao web drama chinês Addicted Heroin.

É muito provável que os veteranos conheçam essa obra, aliás, Addicted é “BL Obrigatório” para qualquer pessoa que se diz membro do fandom. Como gosto é subjetivo, com essa série não poderia ser diferente, por isso há quem a odeie, mas há também quem a ame (meu caso). No entanto, o objetivo de escrever sobre essa obra “antiga” é justamente convidar quem está chegando agora e que ainda não teve a oportunidade para tirar suas próprias conclusões. 

Ficha Técnica

Roteirista: Chai Ji Dan

Diretor: Ding Wei

País: China

Episódios: 15

Exibido: Jan 29, 2016 – Fev 29, 2016

Duração: 20 min.

Classificação do Conteúdo: 18+ (Censurando)

Sinopse 

Desde jovem, Bai Luo Yin vive com seu pai descuidado, Bai Han Qi e sua avó. Quando ele completou 16 anos, sua mãe biológica Jiang Yuan está se casando novamente e seu parceiro é o oficial de alto escalão do partido, Gu Wei Ting. Por causa da morte de sua mãe, o filho de Gu Wei Ting, Gu Hai, tem guardado um profundo ressentimento por seu pai. Devido à mão aleatória do destino, os dois irmãos com antecedentes emocionais extremamente conflitantes foram colocados na mesma classe. Com o tempo, eles lentamente desenvolveram um tipo diferente de sentimento. 

Da esquerda para a direita, You Qi (Lin Feng Song), Bai Luo Yin (Timmy Xu), Yang Meng (Chen Wen) e Gu Hai (Jhony Huang). Imagem: Reprodução.

Impressões do Autor

Para quem encara Addicted desprevenido, sem ler sinopse ou escutar a opinião de terceiros, posso adiantar que se trata de uma experiência maravilhosa. Logo nos primeiros momento da série conhecemos a humilde casa de Bai Luo Yin (Timmy Xu), que vive com seu pai, Bai Han Qi (Song Tao), e sua avó. Mesmo passando por perrengues, desde o primeiro contato com a personagem, pode-se notar que Luo Yin é uma pessoa com forte personalidade, além de ser inteligente e perspicaz, conforme o desenrolar da série, iremos perceber como essas características serão essenciais para que ele vença os obstáculos da vida. 

Do outro lado, conhecemos o “palácio” onde habita um “príncipe” chamado Gu Hai (Johny Huang), que inserido num clichê ao qual já estamos acostumados, e que se mostra bem mais evidente em c-dramas, ele é o personagem rico da história. Aproveitando este ensejo, é interessante notar como os doramas boys love chineses (o qual Addicted não é uma exceção) gostam de utilizar o plot “amor interclasse”, embutindo também outros estereótipos os quais não convém descrever aqui, porém não podemos deixar de mencioná-los como a passividade do garoto mais pobre, um toque de relacionamento abusivo e também o equívoco de construir uma imagem padronizada da figura do ativo como o mais másculo, enquanto que o passivo é a figura mais “afeminada” da relação, ainda que aqui em específico, haja controvérsias. 

Gu Hai mora com seu pai, um militar do alto escalão do Partido Chinês, Gu Wei Ting (Wang Dong), mas após a morte de sua mãe, cujas razões na série não são discutidas, ele passa a odiar e a culpar seu pai pelo ocorrido, além de reprovar e espantar todas as mulheres com quem ele tenta se relacionar, alegando que a posição de sua mãe na família jamais poderá ser substituída. Não querendo ser indiscreto, mas se trata de outro “clássico” das obras asiáticas, em que o filho rico se sente solitário ou por que perdeu os pais ou não tem tanta atenção como “gostaria”. Independente da situação, Gu Hai para suprir sua carência afetiva e fugir do clima tenso de sua casa, passa a ter uma vida de regalias em festas – ainda que ele afirme ser fiel a sua namorada, a Jin Lu Lu (Lou Qing), curtindo com os amigos e não ligando para os estudos. 

Ah, uma informação importante. A mãe de Bai Luo Yin ainda é viva, ela deixou o seu marido porque ele era pobre, e desejando ascensão financeira e social, inicia um relacionamento com o pai de Gu Hai, mas engana-se quem pensou que essa grande coincidência será o elo que os unirá, muito pelo contrário, durante quase toda a série (se não estou enganado até o penúltimo capítulo), ambos não terão ciência de que são, em tese, “meio-irmãos”, e é talvez essa característica que torna a série tão especial, porque devido a outros fatores que logo mencionarei, eles se tornarão tão próximos, que no momento em que o grau de parentesco for revelado, haverá, sim, um impacto, mas não tão grande como poderia ser. 

Mas por qual motivo duas pessoas de realidades distintas se conhecem? 

A química entre os atores é inegável. Imagem: Reprodução.

A mãe de Bai, depois de muita insistência, consegue convencer o seu filho a estudar num colégio mais qualificado, de modo que as chances deles conseguir entrar numa boa universidade sejam maiores. Ao mesmo tempo, Gu Hai decide mudar de escola, além do mais, devido aos atritos com seu pai, também anseia sair de sua casa e morar sozinho, dessa forma, juntando o útil ao agradável, ele consegue uma transferência para uma escola “ao seu nível” e nesse lugar ele acaba conhecendo Bai Luo Yin.

Preciso confessar que escrever sobre essa série é muito nostálgico e ao mesmo tempo impactante para mim, porque foi o meu primeiro BL, e lembro como se fosse ontem a minha reação ao encontrar essa obra na internet, eu fiquei encantado, não é atoa que vi toda a temporada numa única noite. 

Progressão

No começo, como quase todas as obras escolares, as personagens principais se odeiam por algum motivo, neste caso é por que os dois meninos tem mundos, perspectivas, formações completamente diferentes, o que torna os atritos irremediáveis. Mas é nesse contexto que gradualmente a tensão que existe entre eles vai se modificando, ao passo que um novo olhar é lançado de um para o outro, o que é completamente maravilhoso: ver como eles vão se aproximando, vão se tornando cada vez mais íntimos até chegar num determinado momento que não terá mais como fugir ou negar esses sentimentos.

Além disso, não poderia deixar de citar as outras duas personagens secundárias, o Yang Meng (Chen Wen) e o You Qi (Lin Feng Song), ambos também de personalidades intrínsecas, mas bastante interessantes, é preciso relatar que na série o relacionamento deles infelizmente não é desenvolvido, na verdade para quem não lê a novel, nem mesmo desconfia de que eles serão um casal.

Imagem: Reprodução.

Outro detalhe, não menos importante, são os mecanismos utilizados pela direção da série, que provavelmente não dispunha de tantos recursos à época, para aproximar os personagens principais, gosto de mencionar a questão da cama. Talvez isso possa ser considerado um spoiler, mas me desculpe, é inevitável! Acho super interessante a forma como uma pessoa totalmente desinibida (vulgarmente conhecida como “cara de pau”) como o Gu Hai consegue conquistar espaço não só na vida do próprio Luo Yin, mas também de sua família. A maneira como ele se oferece para jantar, usar o chuveiro e até mesmo dormir na casa do amigo é sensacional, garanto que se você assistir, dará muita risada. 

Cena Abusiva 

Imagem: Reprodução

Addicted faz parte de um geração de doramas chineses (produzidos na China Continental) que possui em determinadas cenas um conteúdo abusivo, tóxico, enfim, momentos que não devem ser normatizados nunca. Pode parecer que não, mas é muito duro para mim ter que admitir isso. Lembro que nas primeiras vezes que o assisti, eu interpretei a cena a que faço menção como uma simples atitude de ciúmes, algo normal. Porém, ao ler mais a respeito, conversar com amigos, assistir outras obras, eu entendi que aquilo não era normal, mas sim um problema que deveria ser combatido.

No entanto, o que eu não acho certo, mas daí é um aspecto completamente subjetivo, o fato das pessoas que leram a Novel usarem argumentos dela para atacarem a série, ainda que esta seja uma adaptação daquela. Há também quem considere a obra como um todo tóxica, ao meu ver é exagero, mas não posso deixar de reconhecer que talvez o meu apego sentimental à série e aos atores me impeça de ter uma interpretação parecida.

Independentemente da opinião de terceiros, penso que Addicted Heroin é uma série básica para qualquer pessoa que seja membro do fandom BL.

Censura

Os amores da minha vida! Imagem: Reprodução.

Tive dúvidas sobre colocar ou não esse tópico, mas acredito ser necessário e justifico: naquela madrugada, quando eu acabei a série, fui, claro, pesquisar pela continuação esperançoso de encontrar alguma coisa sobre “Addicted Heroin 2”, porém as únicas informações que encontrei foram dois artigos de jornais que infelizmente não traziam boas notícias. 

Acontece que devido ao sucesso estrondoso da Web Série, apenas para elucidar, em menos de 24 horas de lançamento, mais de 10 milhões de pessoas assistiram e, pelo fato da série tratar de questões “sensíveis” para a sociedade chinesa como relacionamento homoafetivo e “insinuação de incesto” foi banida do país pelos órgãos de censura. Ademais, os atores não podem ser fotografados juntos por um período determinado. 

Então, pelo fato de eu ter sofrido com essa informação, acho justo repassá-la aos leitores que ainda não assistiram, mas que pretendem um dia. Lembro de como foi bastante impactante e, claro, até hoje não superei e nutro uma falsa esperança de que um dia a China não será mais esse monstro e os meus meninos poderão um dia se reencontrar publicamente.

Bom. Era isso o que eu tinha para compartilhar com vocês! Espero que tenham gostado, espero que deem uma oportunidade para a série, e se já assistiram, por favor, diga nos comentários o que achou. Vou deixar aqui um FMV bem legal da série (o meu preferido do casal) apenas como “aquecimento” para os que desejam conferir ou estão em dúvida:

Eu amo essa música, a letra e a interpretação são lindas!

Artigos sobre a censura da série: El País e OGlobo

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