A Valorização da vida em “Amianto”

A Valorização da vida em “Amianto”

“Moça, sai da sacada
Você é muito nova, pra brincar, de morrer
Me diz o que há, o quê que a vida aprontou, dessa vez?”

Com um pedido e uma interrogação, iniciamos assim a análise de “Amianto”, um sucesso da banda brasileira de rock alternativo Supercombo.

Formada em 2007 em Vitória (ES), atualmente a Supercombo é integrada por Leo Ramos (voz e guitarra), Pedro “Toledo” Ramos (guitarra e voz), Carol Navarro (baixo e voz), Paulo Vaz (teclados) e André Dea “Pindé” (bateria).

Lançada em 2014, a música pertencente ao álbum de mesmo nome e tem o propósito de evitar um suicídio.

Esclarecimentos

Conheci a música por acaso em 2015 enquanto vagava pelo Youtube, não sou muito chegado ao rock, por isso eu não conheço mais detalhes sobre a discografia da banda, porém “Amianto” foi uma música que me cativou desde a primeira vez que escutei, ainda que acidentalmente.

Além disso, gostaria de confessar outra coisa, eu desconhecia até hoje o clipe oficial da música, então até aqui, sempre conectei a letra da música com o Lyric Video, que inclusive vou deixar aqui embaixo, porque será baseado nele que farei a minha análise.

Mas antes, peço que você também confira ao clipe oficial para fazer não só a sua interpretação sobre ambos, mas também compará-los e chegar ao veredicto de qual “combina” mais com a letra, se puder voltar depois aqui e deixar seu comentário, ficarei agradecido.

Análise

Como já citei, a música se trata de um hino anti-suicídio, e portanto, estamos diante de uma situação extremamente delicada, aparentemente uma mulher está numa sacada de um prédio, pelo vídeo, parece ser na Avenida Paulista, um dos principais pontos turísticos do centro de São Paulo.

E o eu lírico então faz um pedido, para que ela saia de lá, além de perguntar o que a vida fez dessa vez para que ela decidisse tirar a própria vida.

“Venha, desce daí
Deixa eu te levar pra um café, pra conversar
Te ouvir
E tentar te convencer”

Então ele decide já logo abrir o jogo e convidá-la para um café para não somente convencê-la, mas também ouvi-la.

Eu acho essa parte interessantíssima, porque às vezes, senão a maioria, muitas pessoas apenas precisam de um ouvinte, somente isso, não precisa nem opinar, só escutar o que elas têm a dizer e basta, para que todo o ressentimento, amargura ou desejo suicida se dissipe.

E, é isso que acho importante e que todos deveriam fazer, não só com o seu amigo, qualquer pessoa, um estranho, só ouvir, isso não lhe custa nada, nem machuca, pelo contrário, pode salvar a vida de alguém, imagine só quantas vidas podem ser poupadas com um simples ato de escutar o que o outro tem para dizer!

E aí ele continua:

“Que a vida é como mãe
Que faz o jantar e obriga os filhos a comer
Os vegetais, pois sabe que faz bem
E a morte é como um pai
Que bate na mãe e rouba os filhos do prazer
De brincar, como se não houvesse amanhã”

Olhe só as comparações! O eu lírico já começa, antes mesmo do café, a argumentar os motivos para ela desistir daquilo. Ele então compara a vida com a mãe que obriga seus filhos a comer os vegetais, alimentos que para grande parte das pessoas, principalmente crianças, não são muito atraentes ainda mais quando comparado aos doces.

Já a morte seria o pai que bate na mãe, roubando, dessa forma, e o prazer dos filhos, isto é, a possibilidade de brincar. Profundo, não?

No clipe, quero chamar a atenção para algumas coisas, repare que é um horário associado a descanso, troca de turno, para mim, é um fim de dia, mas pelo movimento da avenida (consideravelmente baixo), fica difícil saber com clareza se se trata de um nascer ou pôr do sol, de qualquer forma, é um cenário bastante melancólico e frio.

Enquanto as pessoas estão saindo para trabalhar/indo para casa na correria de cidade grande, lá em cima, em um dos enormes prédios de SP alguém está passando um momento muito difícil e pensando em tirar a sua própria vida, que baque, né?

“Moça, não olha pra baixo
Aí é muito alto
Pra você se jogar
Vou te ouvir
E tentar te convencer
(Somos programados pra cair)”

E de novo ele a aconselha a desistir, a não olhar para baixo, porque pode cair, mas sim a descer, pois ele vai escutá-la. Porém agora uma voz, feminina, diz que somos programados pra cair. Isso significa que ela aceitou o conselho do eu lírico ou que justificou estar ali porque afinal todos nós um dia cairemos? Mas cairemos da onde? De uma sacada?

“Que a vida é como mãe
Que faz o jantar e obriga os filhos a comer
Os vegetais, pois sabe que faz bem
E a morte é como um pai
Que bate na mãe e rouba os filhos do prazer
De brincar, como se não houvesse amanhã

Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor

Moço, ninguém é de ferro
Somos programados pra cair”

Temos a repetição do refrão com analogia da mãe e o pai e, em seguida, uma afirmação, na verdade, uma aceitação, o eu lírico diz que está tudo bem ela não estar bem, pois nem sempre estamos na melhor, o que é verdade, todos temos dias bons e ruins, às vezes, é normal não estar bem. Mas reitero, só às vezes, tudo bem? Se persistir, peça ajuda, não sinta medo ou vergonha, nunca.

Por último, a voz daquela mulher volta e finaliza se dirigindo ao eu lírico que ninguém é de ferro, ou seja, ninguém nunca vai resistir sempre, até o mais forte um dia podem ter dias ruins, e conclui, “somos programados pra cair” (sic).

Curiosidades

Quero mencionar aqui algumas curiosidades sobre a música.

A primeira é que em ambos os vídeos, os comentários estão lotados de pessoas dizendo que venceram a depressão com a ajuda da canção, além disso, muitos fizeram comentários e recentemente e esperam poder voltar daqui a algum tempo e poderem dizer “eu venci”.

Embora ler esses comentários de relatos seja um pouco melancólico, é muito bonito e interessante ver o poder da música e como ela consegue penetrar dentro de nós e mudar o nosso humor, influenciar em nossas decisões, nos tornar pessoas melhores.

A outra curiosidade é sobre os fãs da banda, em entrevista ao canal Mix Me, os integrantes do Supercombo revelaram que após a divulgação do clipe oficial da música, os fãs ficaram divididos entre os que pensavam que o clipe seria mais literal, ou seja, de fato haveria uma menina numa sacada que comeria vegetais e aqueles que gostaram da versão feita, isto é, algo com um tom mais “poético”.

Nos comentários do clipe, é possível perceber essa cisão entre os fãs, mas independentemente das expectativas, todos gostaram da música.

A última curiosidade é sobre o título, “Amianto”, para os leigos da química como eu, fazendo uma pesquisa a respeito, descobri que se trata de uma substância altamente cancerígena e que inclusive no ano passado foi enfim aprovada uma lei que bane a extração desse mineral no Brasil.

Mas, o mais interessante está no fato do metal ser um dos principais componentes dos telhados de antigamente, ou seja, talvez o nome da canção também tenha alguma associação ou com o fato do mineral ser letal ou com as telhas, que ficam nas alturas. Qual a sua sugestão?

Setembro Amarelo

É preciso lembrá-los que estamos no mês amarelo, período da campanha de prevenção ao suicídio. Dessa forma, durante todo o mês, a Boys Love Brasil, além de nossa habitual programação, traremos também conteúdos relacionados à causa, engajando e demonstrando todo o nosso apoio à preservação da vida.

Caso sinta necessidade ou conheça alguém que precise, contate o Centro de Valorização da Vida (CCV), uma instituição que auxilia pessoas em situações de vulnerabilidade emocional, atuando na prevenção ao suicídio. Para conversar com um dos colaboradores, ligue para 188 ou acesse o site. Não se preocupe, o atendimento é anônimo, 100% gratuito e funciona 24h por dia.

Referências

Letra: Vagalume

Sobre os riscos do Amianto: Brasil de Fato

Outras interpretações da música: Digitalismo e Análise da Letra

Mais sobre sua banda: supercomborock

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