A Guerra das Coreias

A Guerra das Coreias

Este ano completará 70 anos do término da primeira manifestação do conflito indireto entre EUA e ex-URSS que dividiram o mundo em dois após a Segunda Guerra Mundial, período que ficou conhecido como “Guerra Fria”. Hoje, então, conversaremos sobre a Guerra das Coreias, embate que até hoje não foi completamente resolvido. 

O propósito desta matéria é mostrar para o público que acompanha o conteúdo televisivo e musical do país o que foi a Guerra e as suas causas, além de conhecer eventuais origens de conflitos entre os países beligerantes e as implicações do evento que reverberam até a atualidade. 

Antecedentes

Para compreender integralmente o assunto, é preciso voltar um pouco no tempo, antes mesmo do início do conflito.

A Península Coreana, localizada no Extremos Oriente, há séculos era alvo de muitos países e impérios devido à sua posição estratégica para fins econômicos e também bélicos, somando ao seu valor comercial agrário, a Coreia representou por anos um território de bastante cobiça para países não só adjacentes, mas também ocidentais. 

Foi disputada inclusive por Japão e China, no final do século XIX, evento que ficou conhecido como “Primeira Guerra sino-japonesa”, conflito armado de curta duração (1894-1895), mas que teve grande repercussão como o fim da condição de submissão coreana à China, não obstante, marcasse também outro período de subordinação, desta vez, o japonês.

Lembremos que o Japão, na segunda metade do século XIX, passava pela Revolução Meiji, período de reestruturação político-econômica que visava à inserção do país nos moldes da 2ª Revolução Industrial, dessa forma, inicia-se então o ideal expansionista, que se concretiza com as tentativas de conquista de regiões vizinhas, como China, Coreia, e outras áreas do Sudeste Asiático, por exemplo.

A Interferência Nipônica na Coreia se intensificou a partir de 1910, quando a região foi oficialmente anexada pelo Japão. Essa fase de ocupação foi marcada pela formação de colônias, exploração da mão-de-obra e também tomada de posse de terras produtivas de camponeses locais. A intervenção ficou mais violenta após 1930, quando o Japão entra conflitos com os chineses, e como consequência, houve o arrocho das relações com os coreanos e também relatos de abusos sexuais por parte de tropas estrangeiras. 

Em 1939, a 2ªGM começa e grande parte dos coreanos, ainda que submetidos à força japonesa, aliam-se com as forças dos Aliados numa tentativa de expulsá-los de seu território. O desenrolar da Guerra foi bastante equilibrado no começo, tendo ambos os lados dias gloriosos, contudo os Aliados conseguem, em 1945, derrotar as forças do Eixo. 

Após o término do conflito, os três grandes líderes Stálin, Churchill e Truman, reuniram-se na Alemanha, naquele mesmo ano, no que ficou conhecido como Conferência de Potsdam, que dentre as decisões tomadas, foi criada uma marcação no território coreano de maneira arbitrária, o Paralelo 38, dividindo a Península Coreana em duas áreas de sistemas políticos opostos, ao norte, foi criada a República Popular Democrática da Coreia, comunista e influenciada pela ex-URSS; e ao sul, a República da Coreia, capitalista, apadrinhada pelo EUA.

Esquema do Paralelo 38

A criação desse paralelo era o prenúncio da polarização política que o mundo iria viver anos depois. 

O reflexo desse resultado na Península Coreana foi a organização da rendição e retirada do exército japonês do território pelos EUA e ex-URSS, cabendo o primeiro realizar a retiradas das tropas do sul e o segundo das tropas do norte. 

Após a cisão do território coreano, foram estabelecidos dois centros de poder com pensamentos políticos diametralmente opostos e que serviriam de meros instrumentos de manobra para as duas potências hegemônicas. Ao norte, King Il-sung assume a liderança do novo país, iniciando a nova dinastia, a da família Kim; já ao sul, ascende ao poder Syngman Rhee com apoio estadunidense. 

As desocupações oficiais de soviéticos e norte-americanos ocorreram respectivamente em 1948 e 1949, no entanto, em 1950, as tropas de ambos iriam combater entre si. 

As ambições do Norte, aliado aos temores da ex-URSS de uma iminente hegemonia chinesa na Àsia – sobretudo após a Revolução de 1949 -, foram responsáveis por fomentar o projeto de unificação da península sob um único regime, o comunista. O que resultou na invasão do território sul-coreano em 1950, com apoio do exército soviético e também chinês, ultrapassando os limites estabelecidos nos anos anteriores. 

Há uma rápida reação ao ataque por partes dos EUA, além disso, até a ONU (Organização das Nações Unidas) condena à ofensiva e aprova a formação de uma nova coalização estrangeira a fim de conter o avanço soviético e nortista. 

A Guerra

Costuma-se dividir a Guerra das Coreias em três fases de acordo com critérios de participação e investidas dos países beligerantes. 

A Primeira fase inicia-se com a ofensiva norte-coreana, apoiada por regimes comunistas do período, tais como China, ex-URSS e Cuba e resulta no isolamento das tropas sul-coreanas ao Perímetro de Pusan, uma pequena região do sudeste do território, o que marcou a vitória do norte sobre o sul num primeiro momento. 

Progresso do conflito

A Segunda fase é marcada pela entrada maciça de tropas norte-americanas e aliados da parte meridional e capitalista na disputa, trata-se então do contra-ataque do sul. A Batalha de Incheon, por exemplo, foi um marco para a Guerra, marcando a reconquista de territórios ocupados durante o primeiro período, grande parte das vitórias se deu por causa do uso de bombas e aviões. 

A Terceira e última fase marca a entrada oficial da China no conflito, é nesta fase, a mais duradoura (novembro de 1950 até 1953), que a Guerra acontece de verdade, marcada por impasses e mortes, foi um verdadeiro mostruário do que bipolarização do mundo poderia acarretar para o homem. 

Em julho de 1953, foi assinado o Armistício de Panmunjom, uma trégua ao conflito, que estabeleceu uma mudança de fronteiras (“anulando” o Paralelo 38), estabelecendo uma zona desmilitarizada na fronteiras entre os dois países e o desarmamento nuclear.

Estimativas sugerem que a Guerra das Coreias seja responsável pela morte de mais de 2,5 milhões de pessoas, incluindo pessoas desaparecidas e corpos não-identificados até hoje. 

A Guerra acabou?

Em 1954, foi realizada a Conferência de Genebra, na Suíça, com intuito de resolver as pendências da Guerra das Coreias e criar medidas para pacificar a Indochina, no entanto, quanto à questão coreana, nada foi decidido e o conflito foi deixado à deriva. 

Em 1958, iniciou-se uma campanha entre países ocidentais, liderado pelo Reino Unido, que pregava o desarmamento nuclear, mas não foi aderida por todos os países, visto que, por exemplo, os EUA enviaram, em 1957, armamento nuclear para a Coreia do Sul sob o pretexto de estar ajudando o país a se defender da parte setentrional, o que viola os princípios do Armistício de 1953.

Somente na década de 90 que os EUA retiraram formalmente o seu armamento da Península Coreana, mas as suas atenções não deixarão a Coreia tão cedo, principalmente com a postura adotada pela parte norte nos anos subsequentes ao conflito, o isolamento. Hoje, a Coreia do Norte é uma ditadura comunista e uma nação completamente isolada do mundo exterior, mais do que a China, seu líder é Kim Jong Un, o terceiro de sua dinastia. 

É fato que o Norte possui certo rancor norte-americano e não irá ceder tão facilmente, no entanto, até quando os civis norte-coreanos pagarão o preço por isso?

Vamos lembrar que ano retrasado, ocorreu um encontro histórico entre os líderes das duas Coreias na cidade de Panmunjom e também a promessa de negociações sobre uma possível abertura, posteriormente, Kim encontrou-se com Donald Trump. Mas, até agora nada foi consolidado. 

Os EUA querem a todo custo que a Coreia do Norte aceite a desmilitarização, já que não quer perder a sua hegemonia política e bélica, bem como teme futuros conflitos nucleares; já as forças nortistas enxergam no tratado de paz uma maneira de legitimar o seu poder (ditatorial), mas não está de acordo com a total desmilitarização proposta pelos EUA.

Um país que pode auxiliar nas negociações é a China, principal e único parceiro da Coreia do Norte, mas a grande questão é: a China está interessada? Guerra comercial, acusações de “guerra biológica”, xenofobia… Um pouco difícil, não? Será que os Estados Unidos obterão êxito em suas negociações?

Bom, até lá, o que nos resta é cuidar da nossa saúde, lavar as mãos e ficar em casa. Se cuidem! Beijo, tchau. 

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