A Banalização do termo “Gatilho”

A Banalização do termo “Gatilho”

Desde que me entendo por gente, os memes sempre fizeram parte do meu cotidiano, seja em formato de imagem ou vídeo (os famosos vines do início da década ou os atuais das inúmeras páginas do Instagram), resumindo, hoje não existe uma rede social sequer em que você não os encontrará.

Acontece que em alguns casos esses autores acabam extrapolando um pouco, o que em tese é perfeitamente normal, porque legalmente não há limites para o humor, certo?

Contudo, ainda que seja um incansável defensor da liberdade de expressão, acho interessante conhecer no mínimo a origem das postagens que nos provocam riso, sejam elas expressões, sotaques ou gestos, é importante saber o que estamos reproduzindo e, como estamos no mês amarelo, nada mais justo do que falar sobre esse assunto.

Você já ouviu ou usou a expressão: “Apaga, isso me dá gatilho”?

Origem

Essa expressão, que pode ser comum para alguns ou totalmente aleatória para outros, foi amplamente difundida entre os internautas depois que uma usuária postou em uma de suas redes sociais um áudio afetuoso de seu pai e logo em seguida uma de suas seguidoras pediu para que ela o removesse, porque isso causou “gatilho” para ela e poderia gerar para os outros seguidores que possuem algum tipo de trauma com a figura paterna.

Imagem: Reprodução

A autora do áudio tirou um print da mensagem e postou na internet, a partir daí, a expressão viralizou e hoje é comumente usada como piada em situações que não necessariamente geram um “gatilho” e nem que de certa forma provoque algum incômodo, isto é, estamos diante da banalização do termo.

O que é “Gatilho”?

“Gatilho” é um termo da Psicologia que compreende qualquer situação ou estímulo capaz causar uma reação ao indivíduo. Neste caso, estamos falando dos gatilhos negativos, que levam o indivíduo a reviver um determinado acontecimento traumático de seu passado e esse contato pode gerar, nas palavras do psicólogo Oswaldo Rodrigues, “emoções que parecem desconexas da realidade, mas na verdade são uma resposta do corpo para ‘evitar’ uma situação desconhecida”. Isso quer dizer que a pessoa pode ter crises de choro ou outras reações involuntárias.

Para ficar mais claro, sabem quando estamos no Twitter ou Instagram e de repente em nossa linha do tempo aparece um aviso dizendo algo como “Atenção, conteúdo sensível”? Pois bem, essa sinalização geralmente é utilizada para alertar os usuários sobre o tipo de conteúdo a que estamos prestes a acessar que, na maioria das vezes, pode conter imagens fortes com algum tipo de violência, conteúdo sexualmente explícito ou cenas de dor e sofrimento.

Imagem: Reprodução

Não apenas os avisos das plataformas digitais fazem um serviço social para seus usuários, mas os próprios internautas que compartilham esse tipo de conteúdo e colocam  no cabeçalho mensagens como “cuidado, pode gerar gatilhos” é um importante mecanismo capaz de evitar qualquer tipo de reação indesejável para terceiros.

Porém, com o uso desenfreado do termo, fica cada vez mais difícil discernir quando determinada publicação possui de fato algum conteúdo considerado sensível ou é algum tipo de brincadeira.

Como proceder?

Conhecendo agora a origem do termo e como o seu uso “correto” pode auxiliar as pessoas que possuem algum tipo de trauma, é por sua conta e risco continuar ou não a usar essa expressão com fins improdutivos.

Retornando ao caso da menina e o seu áudio do pai, ainda que a intenção dela jamais tenha sido a de provocar gatilho em ninguém, de certa forma serviu para popularizar o termo e tomarmos consciência sobre o seu uso adequado.

Tudo bem que não é porque a seguidora tenha algum tipo de trauma com seu progenitor que ninguém deve postar uma foto com o pai sorrindo, a questão, como aponta bem pontua o escritor e psicólogo Flávio Voight “Quando você começa a promover uma cultura de esquiva de assuntos dolorosos você também está fazendo o inverso do que consideramos saudável em terapia. Idealmente, a pessoa precisa ir se curando para voltar a entrar em contato com o assunto da dor e ressignificar esse assunto até que ele não doa tanto“, é preciso parcimônia.

Ou seja, se haver uma conscientização entre as pessoas sobre os impactos disso na internet, é possível conviver bem. Não é por que não tive nenhum tipo de trauma durante a vida que devo falar sobre determinado assunto de forma chula, pelo contrário, por que não ser empático? Poderia ser eu ali.

Setembro Amarelo

É preciso lembrá-los que estamos no mês amarelo, período da campanha de prevenção ao suicídio. Dessa forma, durante todo o mês, a Boys Love Brasil, além de nossa habitual programação, traremos também conteúdos relacionados à causa, engajando e demonstrando todo o nosso apoio à preservação da vida.

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Referências

Artigo de opinião sobre o tema: UOL

Matérias sobre o assunto: Ig e ANF

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